Chapter 12 leva David em uma viagem na história de Syd para entender que para sobreviver ao apocalipse é preciso ser forte e essa virtude origina da dor e do sofrimento.

Quando Chapter 11 encerrou seu episódio com o desafio de David entrar na mente de Syd estava claro de que aquela viagem não seria fácil. Porém, assim como todos os episódios de Legion, fiquei surpresa com a reviravolta dessa história. Diferentemente dos dilemas de Ptonomy e Melanie que se tornaram vítimas do Monge, Syd provou ser tão inteligente e fodona o quanto necessita-se para sobreviver ao futuro apocalíptico relatado por David.

Nós conhecíamos parte da história da moça, incluindo o distanciamento da mãe (respeitando os limites da filha) e, também, a conturbada história da troca de corpos para tentar vivenciar uma experiência sexual. Mas não conhecíamos o início dessa trajetória e tudo que culminou na consequência desse ato.

“O mundo quebra a todos e depois alguns ficam fortes nos lugares quebrados.”

Você (leitor) concorda com isso?

Devo confessar que concordo parcialmente com essa reflexão. Também aceito a maneira como Syd interpreta o amor e que o fortalecimento do ser humano está diretamente conectado a seus sofrimentos, perdas, angústias e decepções através do tempo e da evolução. Na verdade, a própria biologia nos ensina que aquilo que machuca (literalmente ou metaforicamente) torna-se memorável, enquanto tendemos a nos esquecer daquilo que promove satisfação. Simplesmente pela necessidade de sobrevivência, pois precisamos aprender a nos defender daquilo que nos prejudica. Isso é um marco evolutivo da evolução das espécies, e me agrada muito que o assunto seja tratado de maneira tão filosófica em contraposição às ações tão cruéis promovidas por Syd durante sua adolescência.

Porém, ninguém nunca cresce ou aprende com os erros dos outros. Afinal, quem dera fosse tão simples. Mas juntamente, com o fortalecimento da evolução humana está o orgulho de sentir-se especial e superior, consequentemente, é o homem o único animal que tropeça na mesma pedra que o seu semelhante tropeçou. O que quero dizer com isso é que, ver Syd prender David em sua mente com o propósito de remover a inocência do rapaz ludibriado pelo amor que sente não pode ser tão simples como contar os fatos da sua história repleta de bullying, autoflagelação e vingança.

Nossas cicatrizes, nossas raivas e nossa angústia são uma armadura. E é verdade, mas não podemos compartilha-la com os inocentes. David precisa viver sua própria jornada e endurecer pelo sentimento da própria dor para que a armadura seja tão forte quanto a de Syd. E isso não pode ser resolvido enquanto preso no “Feitiço do Tempo” revivendo o Dia da Marmota.

“…A sobrevivência é uma maldição, assim como, Sísifo com sua pedra.”

Realmente, o amor enfraquece e leva ao comodismo e aceitação. Como consequência, vejo em Chapter 12 um David já enfraquecido por estar em uma banheira de água quente, enquanto a malícia de Syd é capaz de convencê-lo a viver a maldição de viver carregando uma pedra de mármore ao topo da montanha para vê-la rolar à base, eternamente.

Vejo uma mulher que mantém o controle da própria mente sendo capaz de prender o mutante mais poderoso do mundo em um looping de experiência trágicas. Em nenhum momento ela fala de aprendizado para tornar-se melhor, em nenhum momento ela demonstra arrependimento pelas suas ações violentas e egoístas. O que Syd quer ensinar a David é como tornar-se forte, um combatente capaz de agir pelas próprias necessidades acima daquilo que é certo ou errado. Sua interpretação é de que a vida é uma guerra e para sobreviver às batalhas iminentes é necessário tornar-se um soldado que age sob a armadura de uma bandeira, sem pensar nos danos ou sentir culpa pelos resultados.

Legion Chapter 12

“Viciados, masoquistas, prostitutas e aqueles que jogaram tudo fora são o círculo dos anjos mais iluminados em torno do Paraíso.”

Parece uma daquelas frases que tenta convencer o ser humano de que a “ignorância justifica o pecado”, (por sinal uma frase bíblica), mas nunca se disse que o pecado fora perdoado. É compreensível entender as ações de Syd, uma vez que seu poder privou-a de crescer e experimentar a vida como toda criança e adolescente, ao seu redor, puderam. Não há dúvidas de que ela foi estragada e quebrada de inúmeras formas, mas não é o pecado que transforma o santo, e sim, o arrependimento como sinal de evolução.

A experiência por suas lembranças e história de vida nos faz perceber o quanto Syd é absurdamente forte e capaz de revidar a crueldade do mundo, tornando-se sobrevivente pela persistência. Mas também, suas confissões nos fazem concluir que ela é capaz de viver sem o amor de David, pois ela já entendeu o quanto esse sentimento pode ser prejudicial na transformação de um “soldado”.

A intenção em compartilhar as suas dores mais íntimas com David surge pela compreensão de reconhecer a natureza das coincidências que os uniram. Eles são sim, sobreviventes, mas David está longe de alcançar este patamar de revelação como ela já alcançou.

REVISÃO GERAL
Nota:
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legion-2x04-chapter-12Legion muda a perspectiva de seu episódio para nos fazer viajar pela mente de Syd e conhecer as histórias que transformaram a garota mutante na mulher resiliente. O resultado foi um episódio filosófico e romântico, mas com um propósito muito maior: armar David para a batalha que todos irão enfrentar.