Legends of Tomorrow fecha o crossover com Crisis on Earth-X, Part 4 em um desfecho totalmente emocional.
Após uma morte e a épica luta entre heróis e o exército nazista da Terra-X, o crescente universo da DC CW fechou com chave de ouro o melhor crossover do Arrowverse. Painéis que pareciam saídos de uma revista em quadrinhos, despedidas, romance, apelo emocional e a vitória do bem sobre o mal fez com que a quarta e final parte do evento especial terminasse atingindo todas as notas mais altas do que era esperado, quando a moda de unir heróis em séries diferentes “começou”, com “Flash vs. Arrow”.
Quando foi anunciado há algumas semanas que o ator Victor Garber deixaria o elenco de Legends of Tomorrow para se dedicar a Broadway, muito se especulou a respeito da existência do Nuclear dentro da série, assim como o desfecho para o personagem. Após ganhar um neto da filha que “descobriu” durante o segundo ano de Legends, a progressão narrativa da produção deu a entender que terminaria aposentando o personagem em um final feliz e agradável ao lado da esposa Clarissa, do neto Ronnie e da filha, Lily. Ledo engano. Usando a manobra Coulson, Stein não conseguiu sobreviver para ver o seu time vencendo a ameaça nazista, ou o neto crescendo.
Com a morte de Martin e o sacrifício para que o time voltasse para sua dimensão original, Crisis on Earth-X conseguiu impor mais do lado pessoal para a sua história, assim como a segunda baixa do time de Lendas. Entretanto o mais importante desta morte foi a dor que ela causou, responsável por movimentar não apenas aquele time gigante, mas também por mostrar que a equipe criativa por trás do desenvolvimento do evento soube exatamente o que fazer para cativar e colocar a audiência totalmente do lado destes super-heróis e heroínas. Não apenas a ameaça a Kara, agora neutralizada, mas uma morte dolorosa e significativa para Legends.
O relacionamento entre Jax e Stein foi maravilhoso e a maneira que a despedida dos dois foi representada definitivamente partiu meu coração. O tratamento de ambos como pai e filho, de um jovem que não teve o pai e de um adulto que até pouco tempo não tinha uma filha, é mais do que suficiente para conduzir emocionalmente o embate final. Existe muito a perder, caso os nazistas vençam, mas também existe a conexão pessoal, que torna tudo bem mais emergencial. Nossos heróis sabem que a Terra-1 poderá se transformar em uma nova Terra-X, mas a morte de Stein com certeza representou uma motivação forte o suficiente, como Coulson morrendo em Vingadores, mas com um panorama de fundo bem mais pesado e doloroso. Ele deixou esposa, filha e neto, após ter trabalhado por tanto tempo para poder voltar para casa e com a resposta para a separação da matriz Nuclear em suas mãos. É por causa da morte do Stein que o episódio também recebe um pouco de ar para respirar. A pausa que os personagens recebem antes de mergulharem na ação sem limites é importante e demonstra a relevância do professor para o restante do grupo, incluindo seu passado em Flash, antes do nascimento de Legends e enquanto Ronnie era a segunda parte da matriz Firestorm.

O mais importante é que o crossover não tentou trabalhar como a arca de salvação da Terra-X, algo que usualmente acontece no gênero. Não existiu a repetição da trama em que heróis precisam sair do conforto de seus lares para lutar contra um inimigo que não conhecem, inspirando as pessoas que lá moram e as ajudando a fazer algo melhor. Por ter colocado em sua trama algo completamente pessoal, a série evitou que o papel dos salvadores interdimensionais surgisse, humanizou mais ainda Supergirl, ao fazer dela vulnerável e construiu um trio de vilões com motivação simples, risco direto e base satisfatória. É tudo a respeito do amor, o bom e o desviado. E o romance entre Overgirl e Nazi Oliver é fundamentado em um amor comum, mas permeado por noções de supremacia, racismo e xenofobia.
No final, feliz, temos importantes reflexos em cada uma daquelas séries. Iris e Barry finalmente se casaram, Oliver e Felicity surpreendentemente também e Alex aprendeu com Sara alguns pontos importantes para sua superação em Supergirl. Claro que a dor maior vem para Legends, que perdeu um importante membro da equipe, e será interessante acompanhar o processo de luto, especialmente para Jax, agora que ele está sem sua metade e conexão mental que dividiu por três anos com Martin – fora a perda de mais uma figura paterna. O que acontecerá com Nuclear? Só o tempo dirá. Também será apenas com tempo que poderemos acompanhar o processo de transformação que esta Crise causou.
Invasão! ainda figura como um ótimo evento e que soou mais como uma espécie de teste, que ainda continua existindo, mas que hoje já apresenta um pouco mais de definição para Supergirl, Flash, Arrow, Legends of Tomorrow e talvez, Raio Negro, no futuro. A verdade é que diversas vezes precisei considerar quão superior a Liga da Justiça o evento da CW foi. De maneira bem similar ao que a Marvel construiu no cinema, Crise na Terra-X é abarrotado de momentos certeiros e que conseguem representar com maestria como uma reunião de super-heróis precisa ser. Ao todo temos um grande filme de duas horas e quarenta minutos, não muito distante de Batman V Superman, por exemplo, mas em que a ação é existente e excitante, os vilões são movidos por uma justificativa competente e nefasta, a criação de um multiverso ariano, e a motivação da equipe de heróis é pessoal e nobre, ao mesmo tempo. O saldo só poderia ser um, extremamente positivo. Com cada vez mais força a DC está fazendo exatamente o que deveria em termos de adaptação e homenagem ao material de origem, de uma maneira que nem mesmo a Casa das Ideias conseguiu com seu time de Defensores.
Easter eggs e outras informações:
– Eles esqueceram de dizer “Eu aceito…” Vou deixar vocês com essa pequena informação.
– A amizade do Wells e do Cisco cresceu bastante desde que o gênio da Terra-2 apareceu pela primeira vez nos laboratórios S.T.A.R. Hoje, Harry já chama Cisco de ‘Vermelho 2’, nome dado pelo Líder Vermelho ‘Garven Dreids’ para ‘Wedge Antilles’ em Star Wars.
– O momento em que a Supergirl cai na Terra pode ser comparado a mesma montagem de Superman: O Retorno – estrelado por Brandon Routh, que salvou a Supergirl no episódio passado.
– Quando a Supergirl cruza os braços e diz “General, que tal vir aqui fora?” é uma fala de Superman II.
– Harry diz ‘up, up, and…away’, frase clássica da família Super.















