E com Camelot/3000 Legends of Tomorrow mostrou que ainda sabe fazer episódios divertidos com sua fórmula rotineira.
Camelot/3000 não está ao menos próximo de Legion of Doom e Raiders of the Lost Art, mas com certeza está bem acima de Turncoat. Acontece que a grande força de Legends of Tomorrow reside em sua capacidade de criar momentos puramente centralizados na diversão, sem qualquer apelo histórico ou compromisso com os fatos. Para ser mais exato, foi essa característica que arrastou a série durante sua primeira temporada, tão abarrotada de regras e proibições.
E exatamente por se desprender um pouco do lado sério e se conectar diretamente com uma lenda, que Camelot/3000 é tão competente dentro da própria formula comum da série. É tudo muito bobo, muito comum e ao mesmo tempo fantástico e cheio de momentos estranhos. Ter Ray brincando com sua criança anterior parece batido, afinal, tudo o que aconteceu no passado é um motivo para a criança interior do empresário/engenheiro surgir, mas também oferece a oportunidade de termos um sabre de luz em plena idade medieval.
Um dos pontos de maior força de Camelot, porém, é o fato do time criativo por trás da série ter se permitido ir longe, meramente por causa da ausência de uma obrigação histórica por trás do tema. Stargirl como Merlin, na corte de Arthur e Guinevere como cavaleira da távola redonda são oportunidades bem aproveitadas de se brincar com o tema e entregar “viagens” interessantes para o time de Lendas.

Também é divertido ver como estes personagens irão interagir com figuras históricas e neste ponto Legends sempre beirou o esquecível. Nós temos aqui alguns personagens clássicos aparecendo, mas usualmente a série os limita a poucas cenas ou momentos nada relevantes. Exatamente por isso Raiders of the Lost Art foi um capítulo tão importante para a série, já que revelou uma nova abordagem para George Lucas, mas sem trata-lo como mero acessório. Aqui em Camelot/3000 temos Sara Lance sendo atraída pelo poder de Guinevere, que não apenas é uma cavaleira, mas também é a líder do exército do Rei Arthur – um tipo meio hippie de rei e que mais parece um frequentador da Starbucks.
Sara é uma ótima personagem e uma personagem que raramente encontra qualquer momento de destaque com qualquer potencial relacionamento amoroso. Esse tipo de abordagem é compreensível, afinal, estamos tratando de uma equipe que viaja em uma nave através do tempo. Contudo quando levamos em consideração que Ray teve sua oportunidade durante a primeira temporada e Nate e Amaya estão desenvolvendo um romance nesta, fica meio difícil aceitar que ninguém mais receberia um momento de destaque neste quesito. Por isso ver Sara agindo através de um dos clichês mais clássicos de séries centralizadas em um time em constante movimento, mas construído para homens, é muito divertido, principalmente porque a personagem funciona nesta roupagem.
Dentro da trama central da temporada a busca pelos fragmentos da lança do destino está cada vez mais interessante, principalmente pelo potencial que ela apresenta. E até mesmo Ray conseguiu um momento para brilhar e me fazer ficar preocupado. Sei que dificilmente a série se livrará de um personagem como ele, mas vê-lo correndo atrás do Damien me fez ter um medo muito grande pelo Sir Raymond of the Palms. É neste tom que Legends of Tomorrow cresce, se desvencilhando de ultimatos e problemas irreparáveis e caindo de cara na diversão que é poder viajar através do tempo e interagir com mitos, lendas e outros. Mal posso esperar para a inclusão de alienígenas e seres místicos. Terceira temporada, será?
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Easter eggs e outras informações
– O título do episódio é uma referência a história em quadrinhos da DC chamada Camelot 3000.
– O manuscrito que mostra a morte do Ray foi o mesmo usado por Nate para provar que as Lendas estavam interagindo com eventos históricos.
– Nate vestido como um leproso e Ray sendo ungido como cavaleiro. É por isso que eu volto semanalmente para essa naba.















