Legends of Tomorrow trouxe um ótimo episódio com a mistura de Lança do destino, Star Wars e George Lucas em Raiders Of The Lost Art.
E o resultado foi muito divertido. Parece que finalmente, em sua segunda temporada, Legends of Tomorrow se valeu de todo o potencial que tinha para criar uma verdadeira aventura através do tempo e espaço, com muita diversão e um roteiro totalmente descompromissado. Tudo é tão divertido e sem as usuais amarras, que até mesmo o vilão da temporada passada, Vandal Savage, recebeu a merecida crítica através de um comentário totalmente meta do desmemoriado Rip Hunter. Não tem como não gostar de um episódio assim. Ou será que estou errado? Já aconteceu antes.
Mesmo que o tom tenha sido permeado por piadas e momentos completamente desconexos com a trama central, como Stein fazendo uma cirurgia no cérebro do Mick e recebendo da Sara um olhar de desprezo, ainda existiram alguns momentos centralizados em tentar passar algo mais sério, como a função da Canário Branco como capitã, sem o Rip Hunter e perdendo-o depois. Entretanto o que Raiders Of The Lost Art se preocupou em fazer foi pegar todos os elementos já levantados desde o retorno para a segunda temporada e entregar um capítulo recheado de boas interações. A lança, o dispositivo utilizado para movimentar o plot, conhecido na língua inglesa como um McGuffin, também ganhou a devida menção pelo aspirante a diretor de cinema, apenas ressaltando o ótimo episódio desenvolvido. Na verdade são tantos elementos que funcionam que consigo facilmente classificar este nono capítulo como o melhor episódio já apresentado pela série, perdendo apenas para a conclusão épica do evento crossover com os Dominadores.
Colocar George Lucas dentro de Raiders Of The Lost Art poderia terminar com o mesmo efeito já sentido nos episódios anteriores, com o Einstein ou qualquer outra figura relevante, mas com pouco para acrescentar. Aqui é diferente. O criador de Star Wars e Indiana Jones, as franquias que definitivamente inspiraram muitas crianças a se tornarem cientistas, ou arqueólogas/historiadoras, apareceu com um leque de ótimas interações que dificilmente seus antecessores dentro da série conseguiram. Existe uma pequena conexão com a cena do compactador de lixo em Uma Nova Esperança, além de detalhes interessantes a respeito da história do hoje já mundialmente conhecido Lucas, que começou como assistente de adereços e terminou criando a franquia mais lucrativa da história do cinema. E a homenagem prestada pelo roteiro de Keto Shimizu e Chris Fedak foi seguida de ótimos momentos, quase ininterruptamente e com todos os personagens tendo algo para fazer, um feito louvável.

Também é bom ver um time de vilões que é vilão única e exclusivamente por motivos mesquinhos. Por terem recebido uma introdução em outras séries, Arrow e Flash, Eobard, Malcolm e Damien podem aparecer única e simplesmente para desenvolver a trama e confrontar os heróis por motivos torpes como ego e poder. Neste caso eles não estão procurando um vingança, ou mantém qualquer relacionamento íntimo com estes personagens, mas agem com total liberdade devido ao impacto que mantém no imaginário de quem está acompanhando o Arrowverse desde sua criação. Tirando a morte do Rex Tyler durante o começo da temporada e a motivação pessoal de Amaya, todo o restante do time precisa parar Reverso e a Legião do Mal para evitar com que o plano de dominação do mundo, o melhor tipo de plano, se concretize. É bom ter aquele vilão característico, que dá a risada maligna quando todo mundo sai do cômodo, ou que aparece torcendo o bigode no fundo do cenário escuro – às vezes a diversão pura e simples é melhor do que a rebuscada e complexa, não que uma anule o efeito da outra.
Legends of Tomorrow apresenta seus pontos fortes quando deixa de lado características que significariam para outras séries o clímax. Não dar muito motivo para seus vilões é o principal. O segundo é não se levar a sério e construir episódios que mantém uma única e delimitada missão, a de divertir o telespectador. Sei que muitos querem um nível de desenvolvimento de antagonistas como o feito por Jessica Jones e Demolidor, mas é preciso compreender que com um time composto por várias pessoas dedicar tempo para os personagens principais é o mais importante. Na altura do campeonato e com pequenos momentos para cada um, Legends já pode se gabar de uma boa base para Mick, Sara, Jax, Ray, Nate, Amaya e Martin Stein. A partir de agora qualquer nova informação referente aos vilões será bem vinda, mas se não aparecer também, não significará uma perda grande, já que a estrutura básica da série é uma maquina do tempo, que também viaja para o espaço, é controlada por uma inteligência artificial piadista e que testemunhou uma cirurgia cerebral feita por um cientista e não um médico. E o melhor de tudo? Para a proposta de Legends, funciona.
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Easter eggs e outras informações de Raiders Of The Lost Art
– A atriz que interpreta a Vixen (Amaya), também fez uma participação em Star Wars: Despertar da Força. Maisie Richardson-Sellers apareceu brevemente no planeta Hosnian Prime, antes dele ser destruído pela arma planetária da Primeira Ordem.
– Também foi graças a Amaya que a frase ‘você é a única esperança’ surgiu. Em ‘Uma Nova Esperança’ a Princesa Leia pede a ajuda do Obi-Wan Kenobi com a mensagem ‘ajude-me Obi-Wan Kenobi, você é a nossa única esperança’.
– E por fim temos a cena com o compactador de lixo, uma referência direta a mesma situação em que Luke, Leia, Han e Chewie se encontram em Uma Nova Esperança.
– Também é possível ouvir o grito de Wilhelm durante a luta com a Legião do Mal. Este grito foi utilizado em todos os filmes da franquia, incluindo o mais recente, Rogue One.
















