Com Invasion! Legends of Tomorrow finaliza o grande evento crossover da DC CW.
E que bela maneira de terminar uma sequência de episódios dessa magnitude, não é? Quando apresentou a proposta de um evento com quatro séries em quatro noites (que se transformaram em três), a DC CW entregou o maior evento televisivo já testemunhado. Com a antecipação surgiram as preocupações, especialmente dado o orçamento mais limitado de uma série em um canal relativamente pequeno como a CW. Não sei se os números, uma faixa de três milhões e meio de telespectadores por episódio, foram satisfatórios para os executivos da Warner, mas com certeza a experiência valeu a pena.
Uma boa maneira de incluir os personagens de Legends of Tomorrow, foi brincar com a força de cada membro do time, incluindo os novatos. Nate surge com informações a respeito do passado, apropriando sua função como historiador para desenvolver bem a história e não terminar no escanteio. Amaya não conseguiu tanto destaque assim, mas sua participação ajudou a conectar a história da Sociedade da Justiça ao evento de Invasão.
Já a atitude do Oliver de afastar a Supergirl é compreensível, especialmente pela atitude do personagem de não reagir bem ao novo. Também garante que a personagem não será utilizada como uma Deus Ex Machina, afinal ela é capaz de terminar o conflito rapidamente e este não é o foco aqui. Entretanto, é um movimento bem babaca para reproduzir, mas no fundo interessante, já que ela oferece uma abordagem diferente para a presença de uma super-heroína tão forte e tudo termina bem quando termina bem, como foi o caso do abraço triplo e de finalmente termos Barry e Oliver aceitando que o normal não existe e o melhor a ser feito é encarar a vida de herói como ela realmente é, estranha e parte essencial da trajetória de ambos.
Outro ponto que me interessou bastante foi a história desenvolvida por Stein e sua filha. Martin sempre foi um ótimo personagem, mas não muito bem utilizado pela série. Suas interações com o passado representavam mais valor quando sua trama estava conectada a momentos de sua própria vida. Não vou dizer que seu momento com os zumbis não foi ótimo, mas o ponto chave sempre desenvolvido foi o com sua esposa. Vê-lo agora com uma filha é ótimo porque garante uma sensação de finalização para tanto tempo desprendido pelo roteiro para criar interações entre ele e Clarissa através do tempo. Também oferece ao personagem uma dimensão sentimental maior, mesmo que isso termine o afastando um pouco do Jax, que funcionava como um filho para ele. Como será o futuro dos dois, não sei, mas estou ansioso para descobrir, o que representa um avanço muito grande dentro da série para estes dois personagens em especifico.
Que Legends tem um ótimo elenco não é segredo. Semanalmente a série divide seu grande grupo em outros pequenos, mas cheios de personalidade. Colocar Mick, Amaya e Nate para comandar a operação de sequestro em 1951 é uma garantia instantânea de frases ácidas, cortesia do Onda Térmica. É ótimo vê-lo reagindo ao uniforme do Nate, mas principalmente, acompanhá-lo conversando com Cisco e Felicity.

A última parte de Invasion! misturou vários aspectos das quatro séries do universo DC CW, com especial destaque para as reverberações do contato alienígena que criou o DEO em Supergirl. Inicialmente a atmosfera de ação governamental casou perfeitamente com a lenda urbana de que o governo sabe da existência de vida inteligente fora do planeta Terra e está acobertando tudo. O que começou em Flash, com a pequena interação entre Lyla e o homem de óculos, terminou em Legends, a que melhor comporta este tipo de temática, especialmente após o encontro com a Sociedade da Justiça, que nada mais é do que uma parte oculta das operações especiais dos Estados Unidos.
A trama central e o motivo para a invasão segue o que foi desenvolvido na nona arte, no evento de 1988 e é extremamente importante para o mundo que está sendo construído desde a inclusão do Flash e meta-humanos. Não apenas a raça alienígena, mas a própria população está dividida entre a concepção de que meta-humanos possam apresentar um risco. Enquanto os Dominadores enxergam um futuro em que a humanidade poderá se levantar contra outras raças do universo, o governo enxerga em pessoas como Flash e Supergirl uma possível tomada do poder. Este é o núcleo de uma história maior que poderá ser desenvolvida futuramente e também é intimamente conectada ao mundo de histórias em quadrinhos.
E o que aprendemos em The Flash é que um meta-humano com poderes de deus pode sim apresentar riscos. Barry mesmo já quase foi responsável pela destruição do universo pelo menos duas vezes. Suas ações como herói impõe um peso a sua existência, mas conforme avançamos na história do Corredor Escarlate, é possível enxerga-lo mais como um arauto de destruição do que como um símbolo de esperança e heroísmo, diferente de Supergirl ou até mesmo do Arqueiro Verde atualmente. Só que a escolha oferecida é extremamente prejudicial para o futuro de Barry, já que impõe, mais uma vez, o manto da culpa para o personagem.
Até mesmo os pontos negativos de The Flash retornaram na última parte do crossover. Cisco escapou de 2016 para continuar com seu drama pessoal. Colocá-lo ao lado da Felicity ajudou a liberar um pouco das informações necessárias para que o problema do personagem não ficasse restrito ao que estava apenas dentro de sua cabeça, porém não ajudou muito o lado isolado do jovem Vibro. Felizmente a dupla do suporte técnico ofereceu bem mais diversão do que introspecção e isso é motivo para comemorar. E no fim Cisco acabou aceitando que interferir no tempo é um risco que se corre, mesmo quando suas intenções são as melhores. Claro que ele não decidiu libertar o dominador por egoísmo, como Barry o fez ao salvar a própria mãe, mas o conceito é basicamente o mesmo. E se é para retirar o peso do drama de cima dos ombros de um ótimo personagem, não tenho motivos para reclamar.
Na parte técnica o episódio trabalhou muito bem. Confesso que a cena no topo do edifício não foi uma das melhores, mas é um problema recorrente em todas as produções de super-heróis que abusa do recurso de muitos personagens em tela ao mesmo tempo. A imagem, porém, permaneceu excelente e surpreendeu mesmo com o orçamento mais limitado da televisão. A conclusão de Invasion! foi ótima, mesmo que tenha faltado um pouco mais de sentimento ali no meio. Boa parte do episódio correu no automático e não senti a ansiedade que surgiu com a primeira parte em Flash ou o show nostálgico de Arrow. Nada disso, contudo, apaga a imagem de que o movimento mais ousado da DC CW teve o resultado positivo. E sabe o que é melhor? Saber que no próximo ano provavelmente teremos mais um evento gigantesco como esse. Que bela época para nós, fãs de super-heroínas e super-heróis.
Easter eggs e outras informações do Crossover
– Cisco e Felicity tendo um ataque nerd por causa da Waverider. É ótimo vê-los interagindo de uma maneira leve.
– O efeito que Felicity sofreu por causa da viagem no tempo é similar ao já exibido pela série na primeira temporada.
-Seguindo a lição de Supergirl, agora o mundo de Arrow, Flash e Legends também tem uma presidente mulher. Que ótimo!
– Até esse episódio eu não tinha percebido que Kara e Felicity se vestiam da mesma forma. Socorro.
– Ray falando que a Kara parece com a prima dele. Uma ótima referência a época em que ele vestiu o manto de Superman.
– Kara chama Oliver e Barry, assim como o restante dos heróis, de Earths Mightiest Heroes, que é a alcunha de outro time de super-heróis, os Vingadores.
– Kara ganhou uma forma de atravessar os universos e também se comunicar com o time Flash – e uma cantada do Mick.

– Abraço em equipe. Também quero.
– Nate chama a Supergirl de “strange visitor from another planet”, que é o nome do sétimo episódio da temporada de estreia da Garota de Aço.






















