1013: Officer Down.

Spoilers Abaixo:

Em seus primeiros momentos, Poisoned Motive já deixa o espectador com a sensação de que o episódio será muito bom, prendendo sua atenção. Isso acontece no segundo em que Rollins leva um tiro, porque a partir desse momento já sabemos que o episódio vai envolver a vida particular de seus detetives e os deixará com os nervos a flor da pele, levando-os a quebrar certas regras ao longo de sua investigação. Ou seja, somente em função desta cena já podíamos imaginar que o episódio seria excitante, o que também deixa o roteiro com a difícil tarefa de suprir todas essas expectativas que já temos ao começar a assisti-lo. E posso afirmar que em Poisoned Motive o roteiro cumpriu essa tarefa.

A jogada mais inteligente dos roteiristas foi feita ainda nos primeiros momentos do episódio, quando o foco da trama é retirado de Amanda e passado para Fin. Uma mudança que sem dúvida surpreendeu e foi muito bem utilizada. Se no início de Poisoned Motive vimos a polícia seguindo pistas ligadas à recente prisão de uma cafetina e também à irmã de Rollins, o que acredito que todos imaginaram que teria alguma ligação com o fato da personagem ter sido atingida, após o assassinato do filho da antiga chefe de Tutuola, quando ele ainda trabalhava na equipe de narcóticos, todo o cenário é modificado e logo vemos Fin com o centro da trama e não Rollins, que serviu apenas como uma forma de atingir o personagem.

Disse no início desta review que acreditava que o roteiro tinha cumprido muito bem o seu papel em um episódio como esse. Primeiramente porque mostrou todos os detetives com os nervos à flor da pele, o que podemos ver em diversas cenas, inicialmente na “inocente” saída de Cragen da sala onde estava Amanda, para que ela pudesse conversar com Fin; na ótima maneira como Fin e Amaro perdem a paciência com Escobar na prisão; e em Fin, com o aval de Benson, plantando evidências para fazer com que um antigo associado de Escobar falasse qual era a proposta do prisioneiro.

Essa falta de respeito pelas leis muitas vezes é retratada em episódios que não tratam da vida pessoal de nossos detetives, mas só vêm à tona quando o caso envolve emocionalmente os detetives, que perdem a visão do que deveria ser feito e não agem como sabe que deveriam, quebrando regras. Porém, quando o caso envolve alguém da equipe, ou um policial, é possível ver a diferença na maneira como o caso é tratado, o que é sempre evidenciado no discurso dos personagens que reconhecem que a investigação é mais agressiva quando envolve um policial como vítima.

Portanto, este elemento é obrigatório em casos como este, principalmente porque é o esperado pelo público. Porém, não basta mostrar uma narrativa ágil em que os detetives perdem a cabeça para descobrir a solução para o caso, a história principal deve ser muito bem conduzida e interessante para que essas atitudes esperadas não sejam vazias e pareçam sem sentido.

E neste episódio o roteiro foi bem trabalhado, com uma narrativa bem encadeada, seguindo uma linha lógica com agilidade, mas sem deixar o espectador confuso, e trazendo ainda uma história bem bolada, que chama a atenção e nos impede de tirar os olhos da tela. Agora que já analisei a estrutura do episódio vamos aos acontecimentos de Poisoned Motive em si.

Assim que os detetives ligam a tentativa de assassinato de Amanda ao passado de Fin acontece uma total mudança no foco de atenção da trama, que explora a vida pessoal de Tutuola, o que em si já foi uma ideia muito boa, ainda mais em se tratando do seu passado como policial da divisão de narcóticos. Aqui ainda temos acesso a uma história do passado de Fin com Luis, seu antigo parceiro, que o salvou da morte. Um fato que eu não lembro de SVU já ter explorado anteriormente.

A narrativa foi especialmente inteligente em como organizou os seus três assassinatos, primeiro o de Rollins, para dar a impressão de que o foco seria ela, depois o filho da antiga chefe de Fin, para colocar no centro da investigação antigos criminosos presos pela divisão de narcóticos, e por último, porém o mais importante para a história, o assassinato da enfermeira que teve um filho com Escobar, deixando os detetives e os espectadores sem entender o que estava acontecendo.

No entanto, nem tudo foi uma surpresa para mim. Assim que a arma utilizada nos assassinatos é citada para Luis a solução do caso se tornou evidente. Logicamente a narrativa levaria os detetives a suspeitar de seu antigo parceiro, principalmente porque Amaro percebeu a reação dele. Porém, o personagem que nos foi mostrado soava como cansado e decepcionado com sua vida, mas sem força de vontade para cometer três assassinatos, o que logicamente me levou a suspeitar de sua filha, Gloria, o que foi sugerido por Rollins, que aparece no departamento na hora de sua confissão.

Porém, acredito que os próprios roteiristas sabiam desta obviedade da culpa da filha do antigo parceiro de Fin e não terminam o episódio com essa descoberta, mas com a continuação da missão da personagem, que invade sua antiga casa e faz a família de refém. O que em si não fez muito sentido para mim, mas cumpriu a função como momento de tensão da narrativa e nos proporcionou um bom final para mais um ótimo episódio de SVU.

 PS: Adorei a cena de Amanda no hospital dizendo que a ferida não estava doendo já que estava completamente drogada de morfina!

PS II: Apesar de saber o que toda a situação significava para Tutuola achei muito bom a conversa de Fin com Amaro, quando ele manda o detetive andar atrás dele para não ser atingido.

Law and Order: SVU – 14×23: Brief Interlude

Será que realmente conhecemos nossa família?

Após um episódio como o anterior que traz uma trama que tem em seu centro os detetives de SVU é muito difícil que o seguinte seja tão interessante quanto ele, já que o espectador é muito mais envolvido com os detetives do que com as vítimas que não conhece. Portanto, Brief Interlude tem o desafio de prender a atenção daqueles espectadores que já começam a assisti-lo com um certo ceticismo. E achei que este episódio cumpriu essa função, trazendo uma trama interessante e ágil, o que prendeu minha atenção. No entanto, não achei que o final fez jus ao que nos foi mostrado ao longo do episódio.

Apesar do estilo de música diferente, cenas como a do início deste episódio são vistas frequentemente em seriados policiais, principalmente cenas como a de Brief Interlude em que uma mulher está dançando, usando roupas provocantes e utilizando drogas. O que podemos ver frequentemente em SVU. No entanto, aqui houve uma variação que considero sutil, porém, muito inteligente. Quando a mulher desiste de dançar com o casal e foge do local onde estava o que imaginamos logo de cara é que eles a perseguirão, mas em Brief Interlude o que acontece é um corte, até meio brusco na cena, e logo partimos para outra, em que vemos uma mulher com um carrinho de bebe no parque. Ou seja, o roteiro nos deixa sem saber o que exatamente aconteceu com a personagem. O espectador não tem como saber se ela foi estuprada, morta, sequestrada, e muito menos quem foi que o fez.

Portanto, na cena inicial o roteiro nos deixa em um grande suspense, que num primeiro momento o espectador pode não perceber já que o que aconteceria ali seria aparentemente óbvio. Porém, quando a mulher no parque encontra dois adolescentes mexendo no corpo da vítima outro elemento interessante é adicionado, o fato dela estar em um barco. E este não foi o único fator de atrapalhou o trabalho de nossos detetives já que não havia uma forma clara de descobrir quem era a vítima.

E ainda neste início descobrimos que a Ariel está viva, o que o espectador não esperava a partir do momento que a vê imóvel em um barco. Porém, confesso que não entendi muito bem o porquê de o roteiro tê-la deixado viva para que no final do episódio pudesse matá-la, já que isso não foi utilizado como momento de tensão ao longo do episódio ou como um auxílio a investigação, já que ela estava em coma.

A partir deste conturbado início, em que recebemos uma série de informações, o episódio continuou em um ritmo frenético de acontecimentos, com a descoberta dos adolescentes que vendiam remédios no parque, o descobrimento do hotel em que a vítima estava hospedada, a arcada dentária que indicava que a mulher não era residente dos EUA, até a identificação da vítima, que foi feita de forma interessante, através de uma ligação via skype para o Canadá.

Gostei muito da maneira como o roteiro trabalhou o ritmo do episódio que, apesar de frenético, não pareceu muito corrido e, principalmente, não atrapalhou o espectador, que conseguiu acompanhar perfeitamente o que vinha acontecendo. E episódios como este, que conseguem unir essa agilidade com coerência, sempre chamam minha atenção.

Além do ritmo, Brief Interlude nos trouxe uma boa história já que construiu Ariel em contraste com sua família e desde o início deixou a sensação de que o marido dela tinha alguma coisa a ver com o seu estupro, uma ideia que eu não consegui deixar de lado até o último segundo do episódio.

E foi exatamente o seu final que me decepcionou um pouco. Sei que o objetivo de o culpado ser um estuprador que já havia sido condenado é para nos surpreender, mas soou um pouco deslocado com o resto da narrativa que nos havia sido mostrada. O que o próprio roteiro percebeu e por isso o colocou em uma cena anterior recebendo pão da personagem, fazendo com que dali para frente ele a seguisse. E foi por causa deste cuidado que não achei o final tão sem sentido.

Porém, as cenas finais em que a mulher morre e aqueles vídeos nos são mostrado são sequencias que na maioria das vezes considero totalmente desnecessárias e confesso que por essa implicância com recursos do tipo não gostei muito deste discurso final. No entanto, eu entendo que sua função foi exatamente retirar a dúvida que o espectador tinha, e era compartilhada pela família da vítima, sobre o que a Ariel realmente estava fazendo nos EUA e também para deixar claro que seu marido nada teve a ver com o que aconteceu, evidenciado por suas lágrimas no final.

PS: Não sei se foi apenas impressão minha, mas achei que Olívia estava bem estressada neste episódio e adorei vê-la dando patadas no gerente do hotel que estava dificultando seu trabalho. A cena em que ela fecha a porta na cara dele foi muito boa, assim como todas as frases que direciona a ele.

PS II: Tanto Brief Interlude como Poisoned Motive focam somente na investigação policial, deixando de lado o judicial. O que eu achei muito bom, já que após a entrada de Barba episódios como estes estavam fazendo falta. Mesmo sabendo que trabalhar o promotor e também o lado judicial de Law and Order é necessário, a investigação policial sempre foi minha parte preferida e eu estava sentindo falta de episódios mais focados nisso.

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