Espero que a mágica não acabe a meia-noite.

Spoilers Abaixo:

Para uma série que constantemente não consegue fazer um desenvolvimento honesto de sua história, Last Resort consegue em “Cinderella Liberty” combinar um uso da ação como um contraponto adequado a todo o desenvolvimento narrativo, gerando como resultado um episódio correto.

O episódio conta a história do reencontro familiar entre Sam e Christine(só que não), já que os paquistaneses sequestram o barco e utilizam toda a tripulação como refém para que Marcus solte ogivas nucleares na Índia.

O uso do contra-ataque paquistanês explora uma parte interessante de narrativas de guerra: O quanto algumas atitudes do governo militarista podem gerar consequências a civis inocentes que pouco ou nada tem a ver com o estado bélico. No caso, todo o confronto entre Índia e Paquistão intermediado pelos EUA coloca em risco a vida de americanos e indianos inocentes. Sendo uma bela rima temática a ameaça final do capitão, quase fazendo ser esquecida toda a estupidez da trama de tentar negociar com quem tem ogivas nucleares e podem disparar contra quem bem quiser.

Um bom contraponto a tudo isto é a revelação da tão ocultada missão dos SEAL. Sendo uma resposta adequada à narrativa de guerra em questão e mostrando os propósitos sombrios dos EUA em relação ao Paquistão. Uma resposta que vem no momento certo não só por evitar que o mistério se prolongasse até o último episódio, como por estar inserido organicamente dentro da narrativa do episódio. Como resultado, até mesmo os paquistaneses ganham cores, deixando de ser inimigos a serem derrotados e se transformando em pessoas tridimensionais(apesar de o espectador continuar torcendo por sua derrota).

O que destaca “Cinderella Liberty”, no entanto, é Andre Braugher entregando o melhor de Marcus Chaplin, mantendo-se sempre confiante a fim de ocultar a fragilidade que se encontra diante da situação, oferecendo uma atuação marcada por contrastes entre uma rigidez corporal e nervosismo facial. Destacando também o porquê de toda a sua tripulação o seguir fielmente, apesar dos seus defeitos, já que combina um idealismo humano com um pragmatismo em suas atitudes.

Como consequência de tudo isto, os momentos finais do episódio conseguem promover tudo aquilo que a série tenta ser: Uma mistura de ação com drama político, enfocando as situações subjetivas de cada um de seus personagens. O segredo é adotar uma fórmula simples de convergir cada uma das suas tramas para o mesmo momento e soltar tudo de uma forma desenfreada. Um exemplo desta abordagem é que em um balanço posterior pode se perceber que os momentos finais são os que mais ficam na mente do espectador. Para completar, amarra tudo a uma reviravolta narrativa que dará espaço para um arco final adequado.

Algumas perguntas ainda ficam na cabeça: Por que Cortez roubou a chave? Por que Christine beijou o advogado? Será que se esqueceram do COB? Qual a importância da maior parte dos personagens? Mas essas deixamos, ou não, para os próximos capítulos. Por enquanto, posso dormir feliz que, ao menos por uma semana, Last Resort parece ter se encontrado.

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