O que me assombra, sem sombra de dúvida, é ver sua sombra ao lado de outra”
Justified persiste para não cair na metade final da temporada, assim ela toma jeito, se levanta e anda em busca de um destino seguro e com a tendência de ficar em sua zona de conforto. Os produtores decidiram dar um fim a alguns personagens que conhecemos nessa temporada final, um passo claro a fim de que o foco do telespectador se volte para o duelo que realmente interessa.
A caçada da polícia a Walker traz Art de volta ao jogo, uma maneira esperta de envolver o experiente chefe a história. É sempre bom assistir a todo o sarcasmo do personagem vivido por Nick Searcy, além de suas expressões impagáveis, sem contar a sua interação com Sam Elliott quando Art e Avery trocam memórias e indagações subliminares. Como seria bom para um série maníaco se os dramas da atualidade tivessem a qualidade de elenco existente em Justified, vou sentir falta dessa química realista da série.
Senhor Markham usa de todo o seu poder de persuasão com Seabass, 50 mil dólares e a sua lealdade em troca da indispensável liberdade, uma oferta justa e irrecusável. Artifício usado para demonstrar que há racionalidade até nas mentes mais frias, fazendo com que Walker se vire sozinho como uma versão vilanesca de Jack Bauer. Adicionei a música The Preacher de Jamie N Commons nos favoritos do player, a canção deu o maravilhoso tom de solidão enquanto Walker tirava as balas de seus ombros.
Raylan foge da busca ao Garret barbudo em prol de momentos paternais e um recomeço com Winona. Acho louvável que a série queira mostrar esse lado amoroso do protagonista, mas tudo soou como uma enrolação sem fim. Espero que o roteiro tenha algo melhor do que o famoso “vamos tentar” preparado para esse casal. A filhinha de Raylan desmentiu a frase bíblica, deixando claro que o choro pode durar uma noite e continuar mais forte pela manhã. A interpretação da atriz recém nascida deve ter feito alguns casais desistirem de ter filhos de tão convincente que foi, ainda bem que ela ficou quietinha no trabalho do papai.
Ao menos uma das caçadas rendeu bons momentos durante o episódio. A lembrança da traição de Devil e Johnny deixa claro aonde Boyd queria chegar naquela caçada com Ava e contra Ava. Limehouse se fez de amiguinho e passou cada detalhe sobre as intenções da fuga de Ava, deixando a loira sem saída que não fosse abrir o jogo a respeito de sua ligação com os federais. Ainda bem que essa nova Ava não é impulsiva como antes, a loira foi temporariamente salva pelo amor e por passar no teste dos Crowders.
6×08: Dark as a Dungeon

Quando não criamos grandes expectativas é mais fácil de ser surpreendido positivamente e foi exatamente o misto de tensão e horror que me fascinaram nesse episódio perfeitamente roteirizado e que já figura entre os melhores da série.
A começar pela cena inicial de Raylan destruindo as memórias de Arlo, uma clara metáfora do desejo do personagem de apagar qualquer erro do passado que possa se tornar presente em sua nova vida familiar. A maneira do filho Givens lidar com as falhas de caráter de seu pai é se livrando da herança maldita que carrega em seu sangue, por isso ficou tão desapontado com o que não encontrou na cabana de Arlo. O clima criado pela direção conseguiu manter um equilíbrio entre o suspense da cena e a agradável lembrança de um personagem fiel em suas más escolhas.
A força dos diálogos aqui toma novas proporções ao fazer um cruzamento primoroso dos núcleos da série, tendo como base o interesse comum. A excelente conversa entre Art e Katherine mostra que há química entre os personagens de mundos diferentes e incômodos semelhantes. A meu ver, essa busca de Katherine por vingança não deve acabar bem para nenhum dos lados.
A caçada a Ty iniciada no episódio anterior continua com Raylan entrando em um acordo inusitado com Avery, fechando assim o cerco para cima do procurado solitário. Walker bem que tentou convencer Boyd a aceitar uma parceria, mas alguns 100 mil dólares de Avery falaram mais alto. Um Raylan acusado de covardia, acerta as contas com o conhecedor do segredo do cofre atirando em suas costas. Bang! Bang!
O protagonista dominou o episódio com a influência de sua estrela, pois além da conversa com Avery, Raylan esteve presente em todos os momentos chave de “Dark as a Dungeon”. Houve a sempre bem vinda troca de farpas com Boyd, ácida e bem humorada com a dualidade que os atores interpretam com maestria.
Além disso, Raylan chega a conclusão de que é o fim de Ava como informante ao notar que houve mudança da loira em suas atitudes. Na conversa final, ficou evidente a falsa tensão apresentada por Ava, assim como as informações vomitadas sobre Boyd e Zachariah ao federal. Embora eu tema pelo futuro de Ava, achei uma escolha sensata do roteiro para acabar com a enrolação da informante sofrida.
O drama dá um passo importante para voltar aos eixos com um nível de qualidade esperado pelo telespectador que já viu a série passar por ótimos momentos. Assim, Justified cresce em enredo e torna seus personagens ainda mais complexos para o triste encerramento. A frase de Raylan nos representa plenamente “Tenho que admitir, há uma parte de mim que sentirá falta disso quando acabar”.














![Justified 6×13: The Promise [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2015/04/Justified-–-6x13-218x150.jpg)