Desenvolvimento da trama e calmaria no mar. A anunciação da tempestade que está por vir.

Parece que os roteiristas de Black Sails decidiram dar uma desacelerada no enredo para nos dar um pouco de tempo para pensar. O episódio foi um pouco morno, mas não menos impactante que os anteriores. Ainda estou boiando aqui com a história do Vane e como toda a tripulação chegou a Charleston antes de James, sendo que seu navio ficou ancorado em Nassau. Tudo bem, um pouco do que gosto de chamar de “licença poética televisiva” é aceitável. Só fica ruim quando força muito a barra. Agora se me disserem que aqueles caras foram nadando para a Carolina do Sul, aí vai ficar complicado.

A forma como foi conduzido o episódio, através do ponto de vista de Abgail, foi interessante e deu um outro “tom” para o show. A senhorita Ashe é uma nobre inglesa educada em Londres, a convivência com homens da estirpe de piratas é algo que ela nunca imaginou. Enquanto materializava seus pensamentos no diário que ganhou de Flint, ficava implícito que as analogias feitas pala garota refletiam o conflito de realidades que ela presenciou durante sua jornada. Capturada por um pirata como Low, resgatada por outro e escoltada pelo mais cruel e famoso pirata do mares do novo mundo. O mesmo que assassinou um membro do parlamento inglês e forçou seu pai a tomar atitudes radicais contra a pirataria.

Abgail é a inocência e a pureza de Black Sails. O pequeno trocar de olhares e o interesse mutuo nascido entre a jovem inglesa e o Pirata Billy, foi o suficiente para que eu torcesse pela formação de um casal. Desde que Vane a resgatou de Low eu acreditava na hipótese da menina desenvolver um romance com algum fora da lei. Cheguei a pensar em algum capitão, mesmo Charles. Mas quem disse que Black Sails é tão obvio? Porém se é o Sr. Bones que atingiu o coração da moça, então fico mais satisfeito. O marujo já sofreu o bastante e merece uma recompensa. O amor e companhia de uma jovem seria perfeito.

A manobra de Eleanor, ao contratar a antiga madame do bordel, foi uma inteligente jogada que pode garantir que o conhecimento sobre a situação do Ouro do Urca chegue a Flint. A sugestão do advogado, que matasse quem tem o conhecimento sobre o ouro, pegou até a mim de surpresa. Jack Rackham é um personagem deveras importante para morrer. Até entendo que se Max e Jack colocarem as mãos no Ouro o futuro de Nassau estaria comprometido, porém não é o mesmo se a carga do Urca estivesse a caminho da Espanha? É claro que a possibilidade de se ter o Ouro próximo é uma tentação difícil de resistir. Veremos como lidarão com a situação até a volta de James.

Recentemente resolvi reler o livro “A ilha do tesouro” e confesso que isso só agregou à experiência de assistir Black Sails. A série sempre foi descrita como um prelúdio para a história do livro e a coexistência de personagens em ambas as mídias completa de forma ímpar as duas obras. Ler o clássico de Robert Louis Stevenson, pode até dar alguns Spoilers do que está por vir na série, porém agrega alguns significados a características peculiares de alguns personagens. Para quem leu o livro, aquelas “batidas com o pé” de Long Jhon Silver, antes de contar alguma história tem uma importância no mínimo diferente para aqueles que não leram. De qualquer forma, manterei a política de não citar o livro, mas recomendo que leiam.

E falando em Silver. O aspirante a pirata começou a entender o poder de sua influência sobre as pessoas. A morte de Nicholas, causada por seu companheiro de barco, foi só um aperitivo no que tange a respeito da capacidade de manipulação que o personagem está desenvolvendo. A explicação do pirata do porquê causou o acidente e a forma que encara a liderança, seja a de Flint ou a se Silver, demonstrou bem como a maioria dos homens do Walrus se sentem. Long Jhon possui a faca e queijo na mão e o olhos dele passam a bilhar com as possibilidades, que são muitas. O aspirante a cozinheiro pode desde pensar em tomar a capitânia para si, até incitar um motim. Acho que ele é experto demais para tentar liderar com o baixo conhecimento sobre tática e luta, garantir uma boa posição na tripulação e influenciar envolto nas sombras é mais seu estilo.

Assim, seguimos engrossando o caldo. Com a recepção de Flint em Charleston, com direito a Abgail tomando partido e Peter reconhecendo o casal de antigos amigos, o enredo caminha sentido a uma revolução. É difícil dizer se o governador trairá James. Acho que a postura contra a pirataria do Lorde Ashe é uma resposta as exigências da coroa britânica e não reflete o pensamento pessoal do líder na Carolina do Sul. De qualquer forma, faze-lo argumentar contra o parlamento e buscar a liberdade de Nassau pode ser mais difícil que esperávamos. Além disso, ainda temos o navio de guerra espanhol para ser atacado pela trupe de Vane e isso complica muito as coisas. Espero ansioso pelos próximos episódios, só nos restam dois e prometem ser incríveis.

ps1: Interessante a postura de Flint como herói e ao mesmo tempo comparado a um monstro. As vezes acho que a série peca na descrição do personagem. Até tivemos a incógnita na primeira temporada, mas ainda não vimos as atrocidades relacionadas ao capitão.

ps2: Não teve Anne nesse episódio. Por isso foi morno.

ps3: Com a terceira temporada garantida podemos esperar um grande clifhanger no fim. Tenho até medo da ansiedade que isso me causará.

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