Crowder é o nome.

Spoilers Abaixo:

No começo da temporada eu estava muito contente que logo de cara colocaram algum poder a mais nas mãos de Ava. Depois de uma temporada apagada, esperava que a terceira conseguisse dar mais importância à personagem.

Ela é uma das poucas personagens femininas no mundo das séries que realmente não dependem de ninguém, do tipo que não se submete às ordens e desrespeitos de ninguém simplesmente por ser mulher. Ava Crowder poderia ser uma personagem tão bem construída quanto Boyd ou Raylan se tivesse mais espaço e tempo na série.

Poderia ficar escrevendo parágrafos e parágrafos sobre Ava, tudo para dizer o quão espetacular ela estava nesse último episódio. Juntando toda a admiração que tenho por ela com toda a raiva que estava de Delroy depois do que fez a Ellen May, ver Ava tomando conta da situação, mesmo contra a vontade de Johnny, foi uma das melhores coisas que aconteceram nessa temporada.

Somando-se a isso o fato de que ninguém tem o efeito que ela tem sobre Boyd. Por mais que ele seja quem toma as decisões, Ava é a única que consegue impedir que ele faça algo (como na temporada passada, sobre não lidar com prostituição), a única que age mesmo contra suas regras (como na decisão de matar Delroy, mesmo que ele estivesse sob a proteção de Boyd), a única que tem seu respeito e confiança totais. Meu ponto é que, se os roteiristas quiserem (mesmo que eu não acredite muito nisso), Ava pode ser a peça-chave para a queda quanto para a ascensão de Boyd.

O outro Crowder do episódio é Boyd, com o que ele sabe fazer de melhor: discurso. Lá na primeira temporada, só comecei a gostar do personagem no episódio 1×12 “Fathers and Sons” com a cena do discurso na igreja. Se Boyd não fosse por si só um criminoso, aposto que, se ele se candidatasse às eleições, ele venceria, porque está para nascer personagem mais convincente e carismático discursando. Por sinal, os discursos em Justified viraram quase que tradição: contando somente os mais importantes, temos Boyd em 1×12 e 3×09, Mags em 2×08 e todos os outros mini-discursos de Raylan sobre seu passado.

Falando dos mini-discursos Raylan, dessa vez este foi substituído pela excelente cena entre ele e Limehouse. “I can tell you some stuff about your momma”. Depois de se passar como indiferente ou irônico sobre Arlo, uma simples insinuação sobre sua mãe tira Raylan do sério. A cena tem a função das histórias que conta sobre seu passado, como sobre não entrar numa casa sem ser convidado, mostrando o carinho e o respeito, e até mesmo a falta, que tem com sua mãe; e da infância no meio de criminosos e sob os abusos do pai (ou talvez só seja eu analisando demais o personagem).

Gosto que a série está levando o mundo do crime para um nível acima e mostrando corrupção e política suja escancarada, saindo da rivalidade de clãs tão marcante da primeira e segunda temporadas. Desde a influência da máfia Dixie dentro do Kentucky, indo por policiais locais e federais corruptos, chegando a eleições manipuladas. O interessante é que mesmo assim quem acaba ficando no controle é quem é de Harlan. Quem se lembra do quão prepotente Quarles era, tentando negociar com Boyd ou se livrando de Arnett logo na sua primeira aparição? E agora tem que se aliar e obedecer às ordens de Limehouse. Excelente.

Outras observações:

– O que foi aquele beijo do Raylan e da Ava? Espero que seja somente por causa do álcool.

– Raylan perguntando a Ava se ela sabe quem Boyd realmente é. Por Kobol, eu poderia ficar falando sobre isso por horas.

– Exemplo de episódio em que todos os atores estão atuando muito bem.

– Outra coisa: Ava é tão capaz de assassinar alguém quanto Boyd. Digamos que isso é suficiente para mostrar que Ava aceita muito bem a vida criminosa.

– Raylan, guardar a arma do assassinato do Gary não uma ideia muito inteligente.

– Melhor cena: Discurso de Boyd ou Ava matando Delroy. Menção honrosa: Raylan e Limehouse.

Artigo anteriorSuburgatory – 1×17: Independence Day
Próximo artigoOne Tree Hill – 9×10: Hardcore Will Never Die, But You Will