“Terminou”
Antes de iniciar a review do episódio final de Elisa, devo adiantar que o esquema de reviews irá mudar essa semana. Será uma review por história e onde existirá dois pontos de vista. Na história de Elisa e Maurício eu fico responsável pelo texto principal, e Diogo com o ponto de vista dele. Já na história de Fátima e Rose, ele escreve o principal e eu darei meu ponto de vista ao final.
Uma coisa que vi muitos criticarem é que a história de Elisa é uma das histórias mais sem fundamento, pelo fato da personagem se apaixonar pelo assassino de sua filha, e como eu disse na review anterior, ela não amava Vicente, mas sim as lembranças que ele trazia de Isabela. E neste episódio final toda tormenta afetiva que Elisa estava passando, culminou em um encerramento, a meu ver, bastante satisfatório.
O episódio se inicia justamente onde o outro terminou, com Elisa e Vicente na cama, depois de uma noite de amor. Até aí nenhum dos personagens tinha noção de como seus atos eram diferentes de seus pensamentos. Elisa começou a se sentir culpada, já que ela levou para cama o assassino de sua filha, um pai de família casado e ainda era o homem que ela passou sete anos planejando mata-lo. Elisa foi guiada pelas recordações e acabou dando brecha para que Vicente pudesse adentrar cada vez mais em sua vida, mas depois que ela tomou um choque de realidade, ela começou a perceber o quão dividida ela se encontrava.
Por um lado, ela nutria o sentimento de vingança e o desejo de fazer justiça com as próprias mãos, mas como fazer isso com um homem que ela passou a conhecer e viu que ele estava completamente arrependido de seus atos, e ainda por cima já tendo constituído uma família? Esse dilema moral é que acabou por dar o norte da personagem neste episódio.
A cena em que ela joga a arma no rio, em um primeiro momento, eu vi aquela situação como se ela estivesse se libertando de tudo que ela sentia. Que ela buscava cada vez mais viver sua vida sem ter Vicente por perto, tanto que além do fato dela jogar a arma, também desistiu de ser orientadora do mesmo. A cena dentro do carro, que ela relata que não iria perdoá-lo, mas que estava tentando relativizar a situação. Ela deixou nas entrelinhas que não havia superado o ódio que ela sentia por Vicente, mas que ela estava disposta a seguir em frente, mesmo que para isso ela precisasse deixa-lo vivo.
Só que o destino às vezes costuma pregar peças, e eis que ele reservou uma para Elisa. Colocar a vida de Vicente nas mãos dela foi algo catártico. Ela conseguiu sua vingança, sem necessariamente matar Vicente. O turbilhão de emoções que ela sentia, se desfez naquele momento, quando ela se deu conta que poderia terminar tudo ali. Elisa conseguiu a “justiça” que tanto almejava e assim conseguiu fechar um ciclo em sua vida.
Ao passo que Elisa conseguiu seguir em frente, Regina agora quer vingança por acreditar que Elisa tem culpa do que aconteceu. Na realidade, a ideia de Regina vai além do fato da morte de Vicente, mas também por ver Elisa como a pessoa que destruiu sua família, que entrou na vida deles para fazer o mal. E como dizem, a vingança é um ciclo eterno.
Agora falando um pouco das ligações com as demais histórias, Fátima apareceu e novamente brilhou em uma história que não era sua. Ela fornecendo suporte para Regina foi algo que só ela conseguiria fazer, assim como os conselhos também.
Já a história de Rose, as conexões não tiveram grandes influências na história de Elisa, mas mesmo assim se fizeram presentes. Só não sei se fiquei satisfeito em já terem dado uma resposta antes do episódio. De certa forma acaba perdendo a tensão do que virá a seguir, se você já sabe o que irá acontecer.
O encontro de Vicente com Antenor, poderia ter rendido mais, e poderia ter acontecido em episódios anteriores, como um acerto de contas, mas ficou algo só “ok”. Parecia que tinha que ter uma conexão com a história de sexta e abordaram por esse lado. Não foi ruim essa conexão, mas poderia ter rendido bem mais.
Bem, a história de Elisa se encerra como uma das minhas favoritas, pelo fato da personagem ter tido várias camadas e nuances, e ainda sim parecer humana, e bem como ser uma das histórias que causou mais desconforto. Dentre todas as histórias, Elisa e Fátima são as únicas que se mantem como protagonistas, tanto é que neste episódio praticamente não existiram outros personagens. Debora Bloch fez um excelente trabalho dando vida a uma mulher tão complexa e que nos fez torcer e odiá-la ao mesmo tempo. Quanto a “vingança” de Elisa, até o presente momento foi a mais deliciosa de se ver, pois é aquela que no fundo alguns disseram “faz isso mesmo”, e de certa forma uma das que acaba tendo uma identificação maior. Não teve um plano mirabolante, apenas uma pessoa que se aproveitou do acaso. Ela estava certa ou errada? Como disse Elisa: “Que direito você tem de me julgar? ”.
Do outro lado da review (Diogo Souza):
Olá, pessoal! A minha cena favorita do episódio foi o momento em que ele Elisa diz para o Heitor que conhecer Vicente a desarmou em relação ao plano de matá-lo, já que ela viu o lado humano que existia nele. Ter contato com esse outro Vicente levou Elisa para aquela frase do filósofo José Ortega y Gasset: “eu sou eu e as minhas circunstâncias”. Dentro de uma outra vida pós-cadeia, Vicente mostrou que poderia ser visto para além da sua imagem de assassino. O desenvolvimento, no meu ponto de vista, de sua relação com Elisa foi um tanto apressado. Por outro lado, o foco narrativo dessa história dividiu bem o protagonismo entre essas duas personagens. Finalizar a trama de maneira lacunar, com um possível novo ciclo em busca de justiça, não nos sugere uma continuidade de história ou uma nova temporada. O final lacunar deixou os outros passos da história a cargo do telespectador, o que é bem mais interessante. Por mais estranho que possa parecer, o envolvimento de Elisa e Vicente, apesar de a aproximação inicial dos dois ter sido muito corrida, é algo crível quando pensamos que não estamos nos controle de nossos sentimentos e estamos sempre à beira dos paradoxos da vida.
PS1: Sara, a personagem mais mal aproveitada da história
PS2: Isabela pedindo para os pais pararem de brigar foi de doer na alma
















