Será que há um limite para se entregar o perdão a alguém? Será que as pessoas realmente mudam? O retorno de Vicente reabriu ainda amais a ferida da perda de Isabela, deixando Elisa inquieta. A primeira cena desse episódio, a meu ver, não foi tão tensa quanto eu esperava. Achei meio estranho, por mais que Elisa quisesse ficar cara a cara com Vicente, deixá-lo não só subir para o apartamento, como também se dirigir ao banheiro que, sete anos atrás, foi cenário do homicídio.
Outro momento da cena que eu não compreendi bem foi essa adesão de Heitor à história de arrependimento de Vicente. A história do rapaz, até certo ponto, pode até comover quem não o conhece, uma vez que ele tentou suicídio na prisão, uma possível evidência de que estava infeliz por conta do crime cometeu. A esposa e a filha que o esperavam fora da cadeia também são elementos utilizados para suavizar a imagem do rapaz e fazer com que o telespectador “compre” essa sua nova personalidade. Mas, ainda assim, é um tanto cedo para ser #TeamVicente, se é que isso é possível…
Por mais que eu compreenda que Vicente tenha uma necessidade muito forte de reencontrar Elisa e pedir perdão a ela, penso que faltou no rapaz um senso de tempo de espera. Ele nem esperou que a mãe de sua ex-noiva se recuperasse da notícia de sua saída e já foi ao seu encontro. E mais: chegou até a ir ao seu local de trabalho. Aqui sim, a meu ver, Vicente forçou bastante uma situação que, visivelmente, ainda precisa de um pouco mais tempo para se tornar mais digerível.
Até agora, não vi uma importância na subtrama de Téo, no contexto geral da narrativa. Em termos de relevância social, é um fato que merece ser abordado. Foi interessante abordar o machismo pela ótica da exibição pública da cena de sexo de Téo com uma caloura, porém, o tratamento desse assunto no decorrer do episódio foi um tanto superficial. Porém, quando o rapaz chega na aula de Elisa e ela repreende algumas alunas ao se afastarem dele, a professora toca num ponto muito recorrente em situações como esta: quem compartilha o vídeo também se torna conivente e incentivador da prática desse tipo de ato. Todavia, na sociedade hipócrita em que vivemos, os olhares recaem apenas para quem está na primeira instância do delito.
A cena final termina no encontro de Elisa e Vicente no cemitério, ambos devastados frente ao túmulo de Isabela. Por insistência, Vicente, talvez, comece a conseguir que Elisa ceda e compreenda que ele agora é uma nova pessoa, é pai e entende, de certa forma, a dor que ela carrega consigo durante todos esses anos. O destaque desse episódio foi Jesuíta Barbosa, que parece que encontrou uma medida quase exata para transmitir o sofrimento de sua personagem sem fazê-lo com ares de coitadinho.
Por que é tão difícil morrer? Essa pergunta, que parece ter saído da boca de Beatriz, personagem da quarta história, foi dita por Douglas, após uma tentativa de suicídio em que foi salvo por Fátima. Confesso que também não entendi direito essa amizade repentina entre os dois. Sei que Douglas está diferente, pois sofreu muito com o abandono de Kellen e que Fátima saiu da cadeia sem estar amparada por ninguém, mas… O cara destruiu a família dela inteira! Não estou dizendo que sou contra ela ter salvo o vizinho. A questão é que me soa estranho a rapidez dessa relação pacífica entre os dois. Todavia, se formos olhar direitinho, esse encontro dos dois é também o encontro de duas vidas solitárias, pois ambos não tem a quem recorrer.
Gostei muito da cena de Fátima com Elisa. O fato de a patroa ter quitado a sua dívida com a empregada, pagado o salário com base em valores atuais, mostra que Elisa se importa com ela. Adriana Esteves, pelo o que estou acompanhando no Twitter, está arrancando lágrimas de muita gente. Essa segunda história, a meu ver, é a que mais concentrou tragédias de uma única vez. Falando nisso, uma das grandes cenas desse episódio, que foi excepcional, foi a do assalto. Aquela troca de olhares, aquele instante interrompido e a quebra do momento pela fuga de Jesus foi de tirar o fôlego. Foi tanta emoção ali que o instinto de mãe de Fátima a confortou, como se soubesse que seu filho, de alguma forma, a reconheceria e voltaria, algum dia.
Jesus, quando vasculhava a bolsa da mãe, viu a sua carteira de identidade e se transportou um pouco para sua própria identidade, para a sua vida roubada depois daquela fatídica noite. O que eu não entendi foi o garoto, que, no momento dos acontecimentos, tinha só 3 anos, soube voltar para casa rapidinho. Foi muito emocionante quando o garoto (muito bem interpretado por esse ator mirim) confessa que não lembrava da mãe, mas que esperava por ela, cantava para ela. A sensação do laço entre eles sobreviveu todos esses anos, ainda que a imagem tenha se evanescido. Por outro lado, Jesus, numa rápida discussão com ela, ameaça ir embora e mostra que possui um lado agressivo, herança das ruas, que convive com o seu lado doce. Acho que a única coisa que faltou nesse episódio foi um flashback para mostrar o que aconteceu com Jesus e Mayara depois da prisão da mãe e morte do pai. Isso explicaria também o fato de Mayara trabalhar para Kellen sem esta saber quem a garota realmente é.
A volta de Jesus para casa fez Fátima acreditar que a sua família poderia se recompor. Porém, o filho confirma que a sua irmã é “puta”, o que gera revolta na ex-presidiária. A vontade de ter a filha de volta parece que dissolve as barreiras entre Fátima e Douglas, fazendo com que ela aceite ajuda do policial. O reencontro de Fátima com Mayara foi outro cena de encharcar os olhos: quando ela pensa ir embora, cansada de esperar no portão da sauna, ouvimos o chamamento da filha. Júlia Dalavia marcou uma boa presença nesse episódio, ainda que pouco tempo em cena. Ela deixou claro para a mãe que estava naquele circuito de exploração sexual infantil em busca de justiça (revestida de desejo de vingança). Mais uma vez, as duas se separam. O episódio encerrou com aquela triste imagem de Fátima vendo sua filha ser levada naquele carro. O silêncio dos segundos finais do capítulo falaram bastante.
E vocês, o que estão achando da minissérie até agora? Gostaram da continuidades das primeiras histórias?
Take 1: Diferente de minisséries como Amores Roubados (2014), Felizes para sempre? (2015) e Ligações Perigosas (2016), Justiça está mantendo uma regularidade na duração de seus episódios, entre 45 e 50 minutos, aproximadamente, superando o tempo em tela de suas antecessoras.
Take 2: Adriana Esteves arrasou na simplicidade na cena em que saboreia uma empadinha, prazer tirado do seu cotidiano durante todos esses anos.
Take 3: Muito bacana subverter a imagem de Douglas e colocá-lo agora como um homem que, de tão fraco, pretende tirar a vida. Aliás, ele já era uma pessoa fraca, só que com Kellen se sentia um tanto “dono do pedaço”. Agora, sem a esposa, expõe as suas fraquezas de forma mais direta.











