O ponto de ruptura.
Não era uma questão de como, mas sim de quando. Afinal o primeiro encantamento de Strange mostrou Norrell como seu inimigo. Não tenho ainda certeza quanto à titulação de cada um na profecia, visto que ambos ainda carregam um pouco de arrogância nas atitudes, mesmo que um mais que o outro.
Provavelmente Mr Norrell atingiu o último degrau na escala para o ódio total por sua figura. Não basta ter o controle total da mágica inglesa é necessário o monopólio absoluto da coisa toda. A mágica moderna (ou Norrelita, assim classificada em sua homenagem) visa o uso prático e desprovido de qualquer ligação com a “era de ouro”, onde a magia era ligada a natureza e os seres mágicos. Mas qual seria a razão de classificar, catalogar e teorizar sobre magia se a utilização e ensino estão limitados a uma pessoa? Norrell ainda quis ressuscitar o tribunal mágico Cinque Dragownes (de idos da idade média) para assim julgar a quem bem entender aqueles que quebraram suas regras. Suas. Aqui reside a temática. O problema de Norrell é que só existe um peso e uma medida: a dele. Ao ser atacado (com boas razões, diga-se de passagem) ele invoca esse artificio, que é prontamente negado, afinal a justiça não é feita em prol de somente uma pessoa. Apesar de que é compreensível o temor dele quanto a interferência de criaturas mágicas na vida cotidiana, coisa que acontecia em tempos de Raven King.

Strange por sua vez continua numa evolução espantosa de seus poderes. E sua insistência em seguir o ramo mais natural da magia pode ser sua ruína. Sua fama também rende momentos conturbados em sua própria casa. A relação com Arabella começou a se tornar um pouco conflituosa, visto que ela consegue ver claramente as mudanças na personalidade do marido. Ele por sua vez tem os conflitos próprios para resolver: o uso de seu nome por Drawlight, que vendia “feitiços” em troca de dinheiro. Foi hilário ele aparecendo do nada no quarto da Lady e explicando que não era possível matar alguém quatro vezes, nem com magia é possível fazer tal feito. Tudo graças a descoberta dos “Caminhos do Rei”, uma rede de caminhos intermináveis que levam a qualquer lugar através de superfícies espelhadas, uma das obras do Raven King. Sua tentativa de trazer a sanidade do Rei George III (enlouquecido pelo “Cavalheiro”) levou a essa descoberta, o que quase permite o ser mágico colocar em ação o plano de colocar Stephen como rei, matando o atual, mas Strange consegue retornar o soberano ao palácio.

Falando no “Cavalheiro”, a rusga com Strange atingiu o ponto máximo. Mesmo sem saber o mágico está atrapalhando exponencialmente os planos dele e isso não pode continuar. Além de querer colocar Stephen como regente, ele agora se utiliza de uma replica mágica de Arabella. A cena foi tensa e teve todo um clima pesado e a revelação do rosto dela através da madeira apodrecida foi muito bem feito. Qual a principal função deste “clone” mágico? Teremos de esperar para ver, mas boa coisa não é. Além disso, descobrimos (e visualizamos brevemente) o Raven King, ou melhor, John Uskglass. O rei que desapareceu e junto com ele levou a magia da Inglaterra apareceu brevemente em uma pintura e nesta o “Cavalheiro” aparece como um de seus ajudantes do reino das fadas. Será que todo esse plano dele é pra trazer o mestre de volta ou algo de cunho mais egoísta?
Lady Pole após a tentativa de assassinar Norrell foi mandada (por conselho do mesmo) para uma casa de repouso que, pasmem, é controlada por Mr. Segundus! Pelo visto a escola de magia não deu certo. Lady Pole até que se sentiu desprotegida, mas percebeu que Segundus e Honeyfoot são boas pessoas, e desconfio também que Segundus de algum modo interferirá no plano do “Cavalheiro” visto que ele conseguiu ver as rosas (invisíveis) tanto nela e em Stephen. Quem desconfia de algo também é Childermass, que mesmo levando o tiro por Norrell, recebe um tratamento nada agradecido do patrão. Ele conseguiu ver que o tipo de magia que cerca Lady Pole não é nada parecido com o habitual Norreliano. E ele não vai parar de investigar até conseguir descobrir o segredo que ali reside…
Agora, com a relação aprendiz/mestre rompida e com promessas de destruição mútua, o retorno de Napoleão a França e a partida de Strange para a Bélgica para tomar mais uma vez a posição de mágico da armada britânica o futuro é cheio de incógnitas. O que será feito daqui em diante permanece no reino das surpresas e esta série é cheia delas. O Raven King está chegando! Até o próximo episódio!

Pena de Corvo 1: Norrell passando da raia da autopromoção ao patrocinar uma biografia em que o coloca como salvador da magia britânica. Parece com algumas biografias que saem hoje em dia…
Pena de Corvo 2: Aquela visão de Childermass com os corvos na mesa de cirurgia… Talvez ele esteja em contato com a magia natural e ainda não percebeu…
Pena de Corvo 3: Mais uma dica pra ver os atores num papel totalmente diferente da série. Em “Anonymous” vocês podem conferir Edward Hogg na pele do odioso Robert Cecil. Se aqui ele é bonzinho até demais, lá você só quer que ele morra o mais rápido possível.












![Jonathan Strange & Mr. Norrell 1×07: Jonathan Strange & Mr. Norrell [Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2015/07/Jonathan-Strange-Mr.-Norrell-1x07-218x150.jpg)

