Uma premiere baseada em fatos reais.

Spoilers Abaixo:

Existem vários caminhos que podem ser optados por uma série para que a mesma comece a sua temporada. Sendo It’s Always Sunny In Philadelphia um show que dificilmente busca o tipo de continuidade específica que mostrou aqui é interessante ver como ela vai se adaptando a novos ares, tendo em mente que a série nunca foi perfeita quando tenta alterar detalhes de sua narrativa. “Pop-Pop: The Final Solution” comete os acertos comuns de todos os episódios da gangue ao mesmo tempo em que tropeça em algumas manias passadas que acabam fazendo com que essa premiere seja um festival de decisões malucas que são bem aproveitadas por utilizarem de forma adequada as personalidades construídas nas sete temporadas anteriores, o que acaba mostrando perfeitamente como os personagens sempre tiram o máximo das narrativas, não importando necessariamente a sua qualidade.

Um dos maiores trunfos de “Pop-Pop: The Final Solution” é colocar todos os seus personagens em situações onde eles não têm necessariamente nada a perder, mas colocam em suas próprias cabeças que perderão algo caso não conquistem 100% daquilo que está na frente deles. O coma do avô nazista de Dee e Dennis coloca todo mundo em uma posição imaginária (criada por eles mesmos) de desvantagem, o que causa o pânico que desencadeia todas as ações que seguem. Charlie e Mac, que iniciam o episódio com uma cold open que simplesmente acaba não atingindo o lado humorístico da maneira que deveria, mas que possui uma bela transição da música que toca no momento para a abertura envolvem-se em uma caçada que aproveita toda a maluquice de It’s Always Sunny In Philadelphia, onde se vê como a série é capaz de unificar e ao mesmo tempo distinguir seus personagens baseando-se nas suas obsessões.

Observe como o pânico traz semelhantes, mas diferentes quando são observadas profundamente, obsessões. Charlie é obcecado pelo seu bem-estar diante de coisas absurdas e simplistas, o seu objetivo é pegar uma pintura para colocar no seu quarto e criar teorias de conspiração em filmes, o que mesmo não rendendo os diálogos mais perfeitos do mundo, entregam material suficiente para um ótimo trabalho por parte de Charlie Day. Mac não é maluco pelo dinheiro que poderá surgir com a pintura, é obcecado em ter um filme onde ele é interpretado por Ryan Gosling, o que traz um perfil do personagem que a série sabe explorar bem*, onde Mac simplesmente repete basicamente os mesmos diálogos durante todo o episódio, mas é capaz de fazer isso de uma forma em que ele vai aos poucos convencendo o público daquela utopia, o que faz com que a inevitável destruição do seu ‘sonho’ seja engraçada.

* Para mais informações, observe toda a história do seu peso no ano passado.

Percebe-se que Frank está deslocado no episódio. Isso acontece graças a distância que a própria série impõe e que faz com que ele perca o seu potencial aqui. Sua discussão com Charlie sobre a pintura não permite que ele ajude na caça a mesma e suas opiniões contrárias à decisão de Dee e Dennis de desligar os aparelhos do avô afastam ele dessa vertente também. Todas as suas aparições em “Pop-Pop: The Final Solution” são obsoletas, servindo apenas como uma muleta para Mac no final, algo que deve ter sido prejudicado pelo fato de o episódio possuir apenas vinte minutos, o que não permitiu que sua busca pessoal pelo tesouro fosse exibida da maneira que deveria. Algo semelhante também acontece com Cricket, que mesmo sendo engraçado quando o vemos em uma posição cada vez mais miserável, vem servindo o mesmo propósito durante tanto tempo que é complicado entrar na sua história quando já conhecendo o seu meio e fim. Por falar na questão do tempo, é importante notar o belo trabalho de montagem presente na Season Premiere, principalmente no momento em que é contada a história de como a pintura foi perdida, funcionando em todos os níveis em que a mesma pretendia trabalhar, funcionando como recapitulação e sendo engraçada.

Dee e Dennis estão juntos em todos os momentos de “Pop-Pop: The Final Solution”, o que colabora bastante para o sentimento de família que o episódio deveria (e conseguiu) alcançar para que a história dos dois funcionasse. Mesmo ambos sendo ótimos indivíduos egoístas e ainda mais sensacionais quando agem como sociopata imundos, é evidente que a família Reynolds sempre funciona melhor quando enfrenta os seus problemas familiares em algum tipo de encruzilhada onde eles procuram vingança ou redenção daquilo. O episódio funciona perfeitamente quando trata dos dois, exemplificando de forma sensata a sua dúvida sobre o que fazer e aproveitando o passado nazista do avô para trazer o momento mais divertido de “Pop-Pop: The Final Solution”, onde descobrimos do que eles brincavam com o vovô durante o verão.

Mesmo sendo um episódio padrão de It’s Always Sunny In Philadelphia, é ótimo ver que a série ainda é capaz de ser estúpida o suficiente para nos divertir bastante. Mesmo flertando com algumas possibilidades ruins, é evidente que, na maior parte dos casos, “Pop-Pop: The Final Solution” escolhe o caminho positivo para dar início a mais uma temporada da série.

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