Uma sequência terrível que representa o melhor do gênero.
Seguindo o sucesso do filme de 2013, a continuação de Invocação do Mal (The Conjuring) consegue manter os atributos admiráveis do primeiro filme, sem perder a capacidade de sobressaltar o espectador com um clichê de medos e um olhar infantil que clama por socorro. Para o padrão das últimas três décadas, não é exagero dizer que o diretor malaio é um especialista no gênero e se utiliza bem de referências que dispensam comentários, como Stanley Kubrick e Tobe Hooper.
Desde a sua primeira grande investida em Hollywood com Jogos Mortais (Saw, 2004), James Wan demonstra ser o cara que sabe como contar uma história de suspense e envolver o público em sequências de saltar da cadeira. Vale lembrar que Invocação do Mal rendeu o prelúdio Annabelle (2014) e o filme da boneca sinistra já tem uma continuação agendada para 2017. Dito isto, Invocação do Mal 2 não se apresenta descaradamente como um título caça-níqueis sem razão de ser.
A história do filme é baseada em outro caso real do casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren, e mais uma vez, a interpretação de Vera Farmiga (Bates Motel) e Patrick Wilson (Fargo) e sua química no papel dos protagonistas é palpável e reflete a ênfase familiar por trás do enredo de terror. Palmas para a construção do prólogo sobre um dos casos mais famosos dos Warren, na famigerada cidade de Amityville. A cena inicial explicou bem a aposentadoria do casal, sem contar que a expressão de Vera Farmiga representando o assassino Ronald DeFeo Jr. foi de tirar o fôlego.

A trama se passa em Londres no ano de 1977, quando algo sinistro começa a assustar o conturbado lar da família Hodgson. A apresentação dos residentes da casa é bem realizada, mas é bem mais interessante conhecer a mãe solteira Peggy (Frances O’Connor) e seus 4 rebentos através de tomadas lineares de Wan, os poucos cortes e a completude das cenas proporcionam uma experiência mais real com a narrativa.
O roteiro adaptou com maestria as situações reais vividas pela garota de 11 anos, Janet Hodgson, seja na gravação com a boca cheia de água, seja ao aproveitar-se da descoberta da fraude pelos repórteres. Aliás, assim como Lili Taylor (American Crime) segura a tensão ao lado dos protagonistas no primeiro filme, dessa vez temos a presença de Madison Wolfe (Zoo) dando um show de atuação na pele da pequena Janet.

Invocação do Mal 2 também cria momentos leves que servem de experimento para o cineasta, ao inserir elementos dramáticos com o foco na valorização da família. A cena de Patrick Wilson cantando “Can’t Help Falling In Love” do Elvis foi bela e achei interessante essa quebra de narrativa. Ao mesmo tempo, o filme constrói expectativas negativas com diversos clichês do gênero, usando e abusando de cantos escuros, brinquedos duvidosos, reflexos inesperados e o foco sempre bem-vindo nas ótimas expressões de pânico dos personagens que acabam se transformam na reação do espectador.
O filme tem outros aspectos técnicos a serem destacados, como a cenografia que transforma a casa dos Hodgsons no lar do horrível velho Bill Wilkins (os assobios daquela música do Barney não saem da minha cabeça), além disso o desenho de som de Peter Staubli (Skyfall) é fundamental para o espectador se preparar (ou não) psicologicamente para os momentos apavorantes que a maldita freira Valak nos assegura.
Não tenho dúvidas do sucesso comercial do filme e admito que a qualidade de Invocação do Mal e dessa sequência colocam a franquia milhas à frente de outras tentativas desse século, que chegam a ofender o espectador com o seu terror vazio e tridimensionalizado. Com a sua moral na união familiar, vale a pena conferir a história do Poltergeist de Enfield simplesmente por ser uma narrativa aterrorizante (vou fingir que não houve Homem Torto). Nota 9.















