Inumanos nasceu com a proposta de mostrar os bastidores do reinado de Raio Negro e Medusa, mas eles são reis exatamente do que?

O que é ser rei, se você não tem um reinado? Como é falar da monarquia, se ela não está, em nenhum momento, presente? Esta é a pergunta que faço para Inumanos após o final da exibição de seu quarto episódio, aquele que marca a metade da temporada de estreia da série. De acordo com Montesquieu, “as repúblicas acabam pelo luxo; as monarquias, pela pobreza.” Que pobreza exatamente Inumanos está elucidando para justificar uma “rebelião” por parte do Maximus? As castas que vimos apenas brevemente? Será que Raio Negro era tão horrível como Rei que em nenhum momento, em nenhuma parte de Attilan, alguém se ergueu em revolta devido ao banimento dele e de seus primos? A família real não tinha nenhum partidário? Que espécie de bastidor do poder é este que não mostra o que acontece nos bastidores?

São muitas perguntas que poderiam ser levantadas ao respeito da mera existência de Inumanos, a maior delas, porém, permanecerá ao redor da motivação principal por trás da série. Até o momento vimos muito e ao mesmo tempo não conhecemos absolutamente nada. A família que deveria estar tentando se encontrar a qualquer custo, com exceção de Medusa e Raio Negro, não parece tão preocupada com a diáspora forçada causada por Maximus. O reinado, tão poderoso e imponente, mais parece um assunto nada confortável trazido a mesa da ceia. Ninguém quer falar sobre.

E é neste exato ponto que moram todos os problemas de Inumanos. A série, que surgiu para mostrar – ao melhor estilo Game of Thrones (eles prometeram) – como funciona a monarquia inumana, terminou fazendo exatamente tudo, menos mostrar o que este poder representa. Se você não tem súditos, você não tem um reinado. Rei e rainha do que? Até o momento estamos confinados a sala do trono e mais nada. Pior ainda, esta monarquia ultrapassada com um sistema de castas está sendo questionada pelo vilão e não pelos mocinhos, que parecem contrários a qualquer humanidade. Ao contrário, no lugar de monarcas sensíveis e compreensivos, temos uma princesa mimada e uma rainha que enche a boca para proferir que tem poder.

Maximus figuraria facilmente como o herói, mas por ser, obrigatoriamente, um vilão, o roteiro precisou colocá-lo como alguém mesquinho e infantilizado, minando até mesmo a ótima capacidade de Rheon. Até o momento Maximus soa muito parecido com Loki, até mesmo em seu padrão infantilizado de tentar buscar algo, consideravelmente justo, mas existente apenas por seu desejo em ter poder. Loki queria ser rei, porque seu irmão não estava preparado, e até teve certa base. Maximus quer ser rei para “domar” o conselho genético, ganhar uma segunda chance em ser Inumano e também destruir o sistema de castas imposto por Raio Negro. O que ele fez até o momento? Ordenou a morte de sua família e a surra de alguns idosos.

Inhumans 1x04: Make Way For... Medusa
Inhumans 1×04: Make Way For… Medusa

Make Way For…Medusa ajuda a compreender a rainha de Attilan em alguns aspectos, mas termina não fazendo nenhum grande favor para a trama. Pior ainda, a crescente de Swan com sua personagem deverá retornara para o padrão anterior de uma mera interprete. Claro que o roteiro de Wendy West faz um grande favor para Medusa, entregando para a atriz, Serinda, um espaço bem grande para atuar, demonstrar sua personalidade e um pouco do seu charme, mas no final, existe um desserviço muito grande acontecendo. Claro que não ajuda saber que Scott Buck, responsável pelos piores episódios de Dexter, trouxe West, roteirista destes mesmos capítulos, para tentar algo novo em Inumanos. É um pouco reconfortante, porém, constatar que a boa relação entre humana e inumana rendeu alguns bons momentos, o problema é que no final Medusa terminou exatamente como começou, uma rainha de nada, sem reino, domínio e educação. Não é difícil entender porque o povo de Attilan não deu a mínima para a saída da família real.

E todo o restante permanece extremamente mal exemplificado. A parceria de Raio Negro com o inumano que ele conheceu na cadeia já terminou, com o homem abandonado no outro lado da ilha. Crystal terminou em uma sucessão de cenas que simplesmente não se encaixam na série. O padrão que impuseram para a personagem é a de uma jovem princesa mimada que provavelmente irá desenvolver um romance com o humano – ao melhor estilo Romeu e Julieta. A personagem terminou sem maturidade, com um bonitão debaixo do braço para continuar não fazendo nada pela série.

E o que falar de Karnak, que conseguiu uma trama para chamar de sua, em uma plantação ilegal de maconha, com uma namorada e um psicopata? Enquanto escrevo esta crítica estou tendo dificuldade de diferenciar o que a própria produção pretende com essa verdadeira salada de histórias acontecendo ao mesmo tempo.

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Nada faz sentido e o pouco que conseguiram agregar em mais um episódio não conseguiu tirar a impressão ruim de Inumanos. A série que havia nascido como uma grande promessa hoje é apenas um motivo de vergonha. Pior ainda, nem mesmo sei se a troca de showrunner seria capaz de recuperar o acidente pavoroso que a Marvel TV criou, de propósito.

Easter eggs e outras informações

– O momento que Karnak aparece com um moletom com capuz, ele se aproxima muito da vestimenta de escolha (mais recente) de sua contraparte nos quadrinhos.

– Make Way for… Medusa é uma homenagem ao arco da personagem que teve inicio em Amazing Spider-Man Vol 1 #62.

– Neste episódio também tivemos algumas explicações para a diferença entre os inumanos da Lua e os existentes na Terra. Assim como nos quadrinhos, os descendentes dos inumanos que ficaram no planeta não são tão fortes quanto aqueles que foram embora.

REVISÃO GERAL
Nota:
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