Scooby?

Spoilers abaixo!

A cena final de “A Change of Heart” é linda. O homem que nós “admiramos” durante seis anos está olhando pela janela, imaginando a vida que poderia ter ao lado de uma mulher supostamente maravilhosa, mas sem a coragem para fechar esse capítulo da sua vida, sai e tenta tirar da cabeça o que realmente quer. Mas o grande problema com ela reside no fato de que estamos na sexta temporada e de que a preparação para a chegada desse momento amargo é tão equivocada que chega a ser difícil de acreditar.

Afinal, uma das grandes qualidades dessa temporada de How I Met Your Mother é a sua estrutura. Mesmo quem não está gostando dela admite que, pela primeira vez, os criadores sentaram e resolveram o que fazer durante o ano, arrumando peça por peça em um estilo bastante semelhante ao que a dupla Cuselof usou durante as últimas temporadas de Lost. Então termos um episódio no qual ela pula etapas de maneira tão precipitada com um de seus principais personagens é uma bobagem tremenda, que fica ainda maior por deixar a impressão de que não vai resultar em nada: Barney admite que o seu estilo Charlie Sheen de viver não pode durar para sempre, mas percebe que ainda não está pronto para abandoná-lo… Pela sétima ou oitava vez. O bacana dele como personagem é que mesmo não evoluindo do modo mais óbvio, a série mostra a sua “máscara de incredibilidade” descascando com os crescimentos dos seus amigos. Todos estão mudando enquanto Barney está parado naquele mesmo lugar, sendo cada vez mais abalado por esse fato e tendo que aceitar desafios para provar que as várias mulheres e aventuras ainda preenchem o vazio.

É a triste história de um homem com medo de seguir em frente, e não só pode render muito, como rendeu no passado. Mas aqui a série foi tão sutil quanto um soco na cara e novamente se desesperou tentando construir o caminho até um momento significante, criando várias situações irreais e uma das suas personagens mais bizarras como consequência desse processo. Nora não é amável como indicado em “Desperation Day”, não é uma pessoa que deveria alimentar o desejo de Barney em mudar. É desesperada e interpretada por alguém que não tem a mínima química com Neil Patrick Harris. Por que eu deveria ficar triste com o fato de que ele desistiu dela? Em uma temporada anterior, com uma personagem melhor e em outras condições, poderia até ter funcionado já que a cena em si, como eu disse lá em cima, é linda e diz algo muito importante sobre Barney Stinson. Aqui? Sinto como se estivesse andando em círculos. O legado desse episódio, aliás, pesa todo em cima disso, de se a série vai ou não quebrar esse círculo e realmente avançar o personagem depois da suposta realização que ele teve essa semana.

E se com “Garbage Island” eu estava disposto a dar um voto de confiança, aqui fico com dois pés atrás e uma faca no bolso.

Outras observações:

– Pelo menos essa música foi legal.

– Neil Patrick Harris merece um prêmio por fazer milagres com o material que recebeu. Uma das melhores atuações dele na série.

– O que salvou esse episódio de ser um marasmo total foi, para o choque de todos, Lily Aldrin. Colocar ela ao lado do Barney frágil parece ser a única maneira de fazer uma personagem da qual a série desistiu voltar a ser agradável.

– Eu não consigo nem começar a descrever a estupidez que foi dedicar boa parte do episódio a um cara que fala, age e pensa como um cachorro. Se ao menos fosse engraçado eu poderia relevar a sua futilidade, mas acabou sendo um festival de piadas velhas coroado com uma referência completamente forçada aos sanduíches. O roteirista que sugeriu isso não só deveria ter sido demitido imediatamente como expulso do sindicato (ou pior: transferido para a equipe de Shit My Dad Says), e a dupla Bays/Thomas merece assistir três temporadas de Arrested Development em loop eterno para evitar que isso aconteça no futuro.

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