Ao invés de polêmico como os de Two and a Half Men, o vanity card de How I Met Your Mother é super adorável.

Spoilers abaixo!

Um elemento com o qual HIMYM tem tido resultados quase sempre ótimos é o preenchimento de lacunas, em apresentar fatos que nós sabemos que irão acontecer e conseguir transformá-los em histórias interessantes, geralmente acrescentando um elemento novo que mantém o nosso foco vivo no futuro até os personagens em 2011 alcançarem ele e os eventos que todos os telespectadores já conhecem. “Garbage Island” é particularmente bom nisso por ser, apesar dos seus temas, um dos episódios mais suaves da temporada e um construído em cima de alguns dos degraus mais sólidos dela: o luto de Marshall e O Capitão.

Mesmo com sentimentos conflitantes em relação à maneira com a qual eles abordaram essa perda (mais especificamente na semana passada), é uma ideia que em essência é maravilhosa e que consegue atingir bem onde dói ao ser aliada adequadamente, como aqui, com o retorno de um dos melhores traços da personalidade do personagem. Não é um retorno em si porque esse desejo dele de fazer o bem nunca se apagou – sendo relembrado várias vezes durante o ano -, mas é bom vê-lo sendo aplicado em algo significante, e acima de tudo, em algo que soe real. A pieguice da escrita de semana passada, aliás, passou longe desse episódio e os grandes momentos foram executados no formato usual da série. Marshall se abrindo para a mulher, derrotado e cercado de lixo, morrendo de vontade de ser um advogado ambiental, mas não podendo por causa de sua futura família, é uma das cenas mais sinceras e comoventes que a série fez esse ano, não exagerada como a da viagem de retorno a New York e o fantasma camarada.

Assim, sobra O Capitão para adicionar leveza ao episódio, e nunca antes na história da série eu fiquei tão feliz por terem dado essa tarefa a um personagem secundário. Quando HIMYM segue essa rota ela geralmente cria caricaturas como Doug ou Becky, mas com O Capitão é diferente porque ele não só sabe que todos estão notando as suas excentricidades, como parece adorar isso. Kyle MacLachlan então pega toda a liberdade oferecida e se diverte tanto que chega a afetar o personagem. É uma mistura tão encantadora de atributos que por si só já teria valido a pena e cumprido a sua função no episódio, mas que consegue fazer ainda mais ao aprofundar os pesados papéis de traído e de amante dentro daquele universo dócil, colocando ambos em posições promissoras. Faltam apenas sete episódios para o fim da temporada, mas espero que consigam achar espaço para mergulhar nesse assunto e na relação dele com Ted, especialmente depois do estranho fim em aberto que eles tiveram aqui.

E então sobra Barney e a sua nova paixão. Depois do crime que a dupla Bays/Thomas cometeu com o personagem na quinta temporada, acho o receio de grande parte do fandom natural: tudo isso já aconteceu antes e acontecerá novamente, disse Battlestar Galactica. Mas será que eles seriam inocentes ao ponto de repetir o erro de maneira tão descarada, de tentar criar um novo interesse romântico para ele e ver se cola? Acho que não, e “Garbage Island” dá pequenas dicas que comprovam isso. Nora mal aparece no episódio e se ela fosse um grande interesse amoroso para alguém tão querido como Barney, eles tentariam estabelecer ela como parte do grupo o mais rápido o possível. Ao invés disso, toda a pequena trama girou ao redor do seu medo de crescer e de Robin agindo como alguém que ainda se importa com ele.

Se a série conseguir retornar a essas fantásticas ideias no mesmo nível em que conseguiu trazer de voltar a de Marshall como um ambientalista e mesclar ela de alguma maneira com Jerome Whittaker, o potencial para a reta final é incrível. Fica aqui um voto de confiança de que isso acontecerá. A série e a temporada merecem.

Outras observações:

– Gostei de como eles conseguiram amarrar o final feliz da Wendy com a apresentação do Marshall, a demissão do Meeker e o flashforward. Uma boa e simples maneira de iniciar/fechar o episódio, dando para uma das personagens que mais recorreu um final feliz (curiosidade EGO: durante as primeiras temporadas, Charlene Amoia namorou o criador da série).

– Falando no flashforward, já sabíamos que Zoey e Ted iriam terminar, mas o fato de que isso não ocorreu suavemente é muito interessante. Os dois terminarem a temporada como começaram, inimigos, me parece a opção mais provável e apropriada, também servindo de ponte para o retorno da trama do Arcadian em setembro. E já que estamos fazendo suposições, de quem você acha que é o misterioso casamento?

Artigo anteriorThe Good Wife – 2×15: Silver Bullet
Próximo artigoPodmaníacos: Baú das Séries