
Às vezes tem que ser grande pra proporcionar prazer.
Spoilers Abaixo:
Em dado momento do terceiro episódio de House of Lies, Doug pergunta para os colegas, após assistir ao encerramento de uma questão: “Alguém me explique o que acabou de acontecer?”. É um momento emblemático e expressa bem a sensação do espectador após um momento com a série.
House of Lies se degladia consigo mesma numa busca desesperada por carisma. Até porque, no que diz respeito à dramaturgia, ela está sendo muito coesa e honesta. É uma série esperta, escrita por gente inteligente, que teria tudo para conquistar respeito e fama. O problema é que algum ruído nesse processo impede que ela seja necessária, querida.
Dentro do modelo de séries cômicas curtas, House of Lies não corresponde a suas antecessoras. Os 25 minutos de duração de cada episódio, oscilam entre uma confusa necessidade de – além de fazer comédia – ser complexo. O que não tem nenhum problema, desde que não seja provocado. Em Microphallus isso fica muito evidente, quando na última cena, o roteiro decide mostrar os sentimentos de Martin com uma sequência pretensamente tensa que represente essa “profundidade”. Como se fosse necessário sublinhar o personagem com a informação de que ele precisa o tempo todo, viver a adrenalina do controle.
Salvam-se então, os momentos realmente cômicos, em que o roteiro não perde tempo com explicações e didatismos, focando sua atenção em explorar as possibilidades dentro da trama. E fizeram isso bem. Como já tinham feito semana passada, aliás. Microphallus está cheio de ótimas cenas envolvendo o travesti de Doug, o micropênis, o sexo oral no pé e o sadomasoquismo. O problema é que entre esses bons momentos, temos que aturar Don Cheadle esfregando sua obrigação de ser “genial” na nossa cara.
O que nunca funciona, por sinal. As terríveis explicações para o público ganharam um up grade essa semana, com direito a caneta piloto fazendo círculos na tela e desenhando setinhas. O “congelamento” dos outros atores também ganhou “profundidade”, com Don interagindo diretamente com eles. A sensação talvez não tenha sido tão desagradável essa semana porque se limitou a uma cena específica, mas acho impressionante que os produtores ainda não tenham entendido que aquilo é uma gordura totalmente dispensável à trama.
Trama essa que continua tão complicada de se entender como sempre. Os termos técnicos e situações, mesmo explicadas, ainda permanecem rebuscados. Minha mente, inclusive, já aprendeu a abstrair os diálogos coorporativos e ficar pacientemente esperando pelos momentos de superficialidade entre os personagens. Somente assim o pequeno episódio de House of Lies ganha alguma agradabilidade.
Continuo achando que a série não chega nem na metade da primeira temporada e que em breve, todos lá estarão se perguntando como eles não entenderam o óbvio: o humor não pode ser impor, não pode ter “legenda”… O humor é a representação do acaso, do desequilíbrio, da transgressão. Por enquanto, House of Lies é um zigoto nesse sentido, só se achando grande, mas de fato sendo só minúsculo.
The house’s first floor: Doug virando meu preferido. Semana passada teve ejaculação involuntária. Nessa semana, transou com um travesti… A tendência é só melhorar.
The house’s second floor: Alan Dale espalhando seus clones por toda a América. O homem vai dominar o mundo. Ninguém é tão onipresente assim quanto ele.
The house’s third floor: Kristen Bell é assunto em quase todos os comentários, mesmo que eu não fale dela. A musa dos seriemaníacos é sempre linda e talentosa, mas em House Of Lies, continua parecendo um chuchu. A cena do pé sendo chupado foi muito boa, mas não por causa dela.
The house’s fourth floor: Mais cenas com o filho gay do Martin, please!!
PS: Desculpas pelos atrasos na review da série. Prometo melhorar.





















