Sobre conquistas e ejaculações precoces.

Spoilers Abaixo:

O piloto da série House of Lies não animou muita gente quando vazou há algum tempo atrás. Aqui no site, o Boss, que fez a review na época, foi um dos únicos que curtiu essa estranheza toda do programa. Eu mesmo, de fato, achei tudo apressado, pretensioso e confuso demais, embora alguma coisa no meio daquela dramaturgia auto referencial soasse promissora.

Pois bem, passada a obrigação de apresentar sua necessidade de diferencial, House of Lies conseguiu, finalmente, em seu segundo episódio, mostrar que pode ser sim, uma das grandes comédias desse nosso pessimista ano.

O maior problema dela é que ela necessita de uma apostila para entendimento. Ciente disso, o programa tenta driblar a coisa toda com o cúmulo do didatismo, que é a explicação direta, para o público, de termos e expressões. Algo que é absolutamente crítico para uma comédia, que necessita de identificação e envolvimento. Não que os programas não vivam se explicando, muito pelo contrário. Os formatos “documentais” estão em alta e sucessos como Parks & Recreation e Modern Family, usam e abusam do recurso. No entanto, a decisão de interromper uma cena, congelar os personagens e fazer a explicação, quebra o ritmo da comédia e causa distanciamento, incredibilidade.

Mesmo assim, o episódio conseguiu momentos incríveis de uma comédia inteligente, que soube disfarçar muito bem suas fragilidades com diálogos ágeis e atuações de um elenco dedicado.

A começar pelo teaser, com mais um encontro selvagem de seu protagonista com sua esposa. A dinâmica entre Kaan e a ex-mulher é interessante, embora a frieza emocional da personagem – até perante o filho – precise ser trabalhada para não ficar fake. Esse primeiro momento do episódio trabalhou muito bem o conceito de Vale Tudo da profissão de Kaan e ao mesmo tempo, o jogo de poder com sua maior rival. A cena teve um diálogo muito afiado e me conquistou logo de cara.

Aí vem aquele momento pós-vinheta em que a equipe conversa sobre o próximo trabalho, e é geralmente nessas cenas que entram as intervenções e aquela enxurrada de trechos incompreensíveis. Algo que faz a gente se desligar do que está acontecendo e que poderia ser evitado se fosse menos incisivo. No piloto, essa pressão por conhecimento prévio foi muito mais agressiva, mas nessa semana, equilibrou-se com momentos ótimos, como a sequência seguinte, com Doug encontrando uma famosa atriz e protagonizando uma das sequências mais hilárias dos últimos tempos, com direito a caretas, ereção e muito constrangimento.

Essa maravilhosa sequência também acabou sendo responsável pelo segundo melhor momento do episódio, e que veio de carona, com Clyde tentando provar que faria diferente e seduzindo o colega com uma capacidade de inflexão de dar inveja a muito ator por aí.

Acaba que a resolução do “problema da semana” perde importância diante da possibilidade de que os personagens melhorem cada vez mais essa interação entre eles. Sobretudo se Kristen Bell deixar de lado a necessidade de ser a “séria” do grupo, e se o filho gay de Kaan aparecer com mais frequência (adoro as ligações da diretora).

Não me entendam mal, sei que a série precisa desse universo da consultoria para ter uma razão de existir, mas espero que abandonem aquelas tenebrosas intervenções explicativas, aqueles olhares de Don para a câmera e por consequência, aquela reafirmação de jargões que só servem para deixar a série antipática.

Acho que o show é esquisito demais pra seguir em frente na programação, mas até onde ele for, seguirei esperançoso nas melhorias que podem torna-lo muito mais interessante.

The house’s first floor: Doug provando – pelo volume da calça – que não importa um grande homem, se ele não tem controle.

The house’s second floor: “Aquele Que Não Deve Ser Nomeado”, cool.

The house’s third floor: O “amigo” antigo de Jeannie quase me matou de rir com aquela jogadinha de cabelo.

The house’s fourth floor: Alan Dale na promo do episódio que vem. Esse homem pretende entrar no Guinnes como o único ator a fazer TODAS as séries da televisão americana?

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