Agonia é sempre bom de se ver.

Spoilers Abaixo:

Na temporada passada, quando House desenvolveu pequenos tumores na perna e resolveu removê-los sozinho em sua banheira, tivemos, talvez, uma das melhores cenas da história desse seriado. E então, lá na sala dos produtores, algum deles deve ter pensado: “ei galera, a série já ta acabando, porque não fazemos aquilo de novo? Mas dessa vez vamos fazer um episódio inteiro baseado nisso! rerere sou muito esperto.” e bum, assim nasceu The C Word.

Mas havia um problema. Na fatídica cena da banheira, e ninguém pode negar isso, tivemos nada mais que um BRILHANTE Hugh Laurie, acompanhado somente por uma filmagem decente. Foi, literalmente, puro e simples talento. Como diabos então você faz pra recriar uma situação dessa? Ah, meu amigo, muito fácil:

Simples assim. The C Word, segundo episódio dirigido pelo protagonista desta série, é um episódio muito bom no que se propõe. Continuando de onde parou, mostra a tentativa de Wilson de tratar seu câncer do jeito mais rápido (e perigoso) existente, e as óbvias consequências de tal ato. Fugindo daquilo que House sentiu lá na sua velha banheira, a agonia de Wilson, aqui, é mais profunda. Não é algo meramente físico. Por mais que o texto do episódio tenha se preocupado em evitar as conversas clichês de leito de morte, a situação de Wilson é bem mais profunda e gera bem mais discussão. Não é preciso que se diga algo que se pode ver: A agonia de Wilson é mais forte, simplesmente, por ele ser quem é.

Quando House é rude, ninguém nem liga mais; é da natureza dele. Mas quando o Wilson coloca algo mais ríspido pra fora, opa, é aí que você pára e presta atenção. E se você ligou os pontos, você entendeu o que o Wilson quis dizer quando reclamou que deveria ter vivido mais como o House. “Pois, quando o câncer aparecesse, sentiria que era merecido”. Ele não precisou especificamente, explicitamente dizer que o House merece morrer. Mas eu entendi isso, você entendeu isso, e espero que o próprio House tenha entendido isso também, pois adoraria ver a reação dele à essa declaração.

Claro que se tratava de um leito de morte (aliás, muito bem interpretado por Robert Sean Leonard). Mesmo assim, é na hora de aflição que a gente fala o que pensa… e sejamos sinceros, o Wilson não está errado não. Nós espectadores acompanhamos tudo que o House tem feito por oito temporadas… enganações, traições, agressões, crimes e toda espécie de maldades… é muita coisa! É verdade que amamos o personagem e que respeitamos muitos de seus ‘valores’, mas qualquer final que seja de pura e simples felicidade não seria minimamente honesto.

De forma geral, eu estaria sendo negligente se não dissesse que esperava mais do que vi. Talvez seja culpa minha, que não tinha nada que ter lido o que o David Shore disse e subido minhas expectativas… ou talvez seja a velha máxima de que a gente nunca valoriza o que tem. Enfim. A verdade é que o final de The C Word foi bem fraco pra mim, pois todo o ótimo desenrolar do tratamento do Wilson foi encerrado de forma meio abrupta, já que no dia seguinte literalmente todo mundo continuou com sua vida. Nem uma dor de cabeça, nem um olhar mais perdido, nem um comentário pelos corredores de algum outro personagem mais atento. Nada. Tudo bem que o câncer não sai de alguém assim de um dia pro outro, e que isso ainda vai ser muito discutido na série… mas pra quem passou 40 minutos vendo agonia, encerrar o episódio com música feliz e prostitutas rindo não era o que eu esperava.

To sendo chato? Me digam vocês. Realmente gostaria de saber se esse episódio foi o tão bom quanto podia, ou se tinha potencial pra apresentar um pouquinho mais.

Outras observações:

1) A forma como House se arrisca quase que semanalmente a cometer novos crimes (e cada vez piores) já deixa claro que ele não está nem mais aí pra consequência alguma. Quero acreditar que isso é algo pensado, e que os produtores já estão colocando na nossa cabeça que o House logo logo vai surtar.

2) Aliás, viram que até o Vicodin ele abriu mão pelo Wilson, não é?

3) Sobre o caso da paciente, por mais que a garotinha seja muito bonitinha – e uma boa atriz também -, prefiro me atentar no que importa pra série. E ficar discutindo o porquê do Foreman ter aceitado aquela mãe na sala de diagnóstico não vai me levar a lugar algum.

4) Cena muito boa das lembranças dos pacientes do Wilson. Se por um lado House tem um passado de histórias negativas, seu amigo tem todo um histórico de conexão com as pessoas e acompanhamento emocional. Talvez isso faça diferença lá na frente.

E vocês, o que acharam de The C Word? O espaço dos comentários é logo aí embaixo. 😛

Um abraço, e até semana que vem!

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