Um episódio igual a (pelo menos) 15 outros.

Spoilers Abaixo:

É um fato: depois de sete temporadas, nada mais compreensível do que querer inovar. As séries que se sustentam por todo este tempo costumam não medir esforços para manter o espectador instigado, e começam a alterar pequenas coisas em suas bases, mantendo assim aquela ‘chama’ da novidade acesa. Não vou mentir, House vem se esforçando muito para fazer isso, principalmente nos último tempos. Mas como o review aqui no site é de um episódio só, temos que olhar para este capítulo específico. E o resultado não foi nem um pouco original.

“Recession Proof” foi House no seu âmago mais clássico: Paciente com sintomas bizarros é mentiroso e esconde segredos dos mais próximos. Quantas vezes eu já vi esse roteiro eu não sei dizer, e em muitas acabei tirando lições importantes até mesmo pro meu dia-a-dia. Isso é uma coisa. Mas daí esperar que esse mesmo plot sustente, praticamente sozinho, um episódio na SÉTIMA temporada é pedir muito.

O povo que costuma ver os promos pode vir aqui falar “ah, semana que vem o episódio vai ser tão diferente que eles quiseram manter o pé no chão hoje”. Pode até ser que a ideia seja essa mesmo. Mas isso não muda o fato de que muito pouco pode ser aproveitado aqui, o que nos faz encarar esse episódio como um mero filler. Vejam bem, esse episódio não foi ruim, não. A questão é que a série nos faz esperar sempre algo muito bom, até porque, ela mesma sempre foi muito boa. Então os fãs acabam sendo ‘mimados’ ao ponto de esperar sempre algo grande. E não tivemos nada desse nível neste episódio.

Comecemos com o dueto Taub e Foreman. Acho louvável a tentativa de dar algo para os dois fazerem, já disse isso aqui várias vezes. Mas peraê, caganeira dupla? Sério mesmo que usaram isso? Tudo bem que em todo episódio geralmente temos uma história que serve como alívio cômico, mas dessa vez os pequenos relances humorísticos do Hugh Laurie foram bem melhores do que todo esse plot dos dois. Piada escatológica eu deixo pra TAAHM.

Sobre Chase e Masters, insisto que acho interessante qualquer tentativa de sair da superficialidade na qual os médicos estavam atolados. Mas aqui parece que estamos tendo um embate Chase-Cameron de novo. Veio na monha cabeça os mesmos questionamentos que a magrinha fazia lá no início da série, só que agora cobertos pela capa de inocência da estudante.

Em tempo: finalmente a Masters mentiu. Era necessário? Sim, era. Mas francamente esperava algo mais substancial, já que alguns episódios atrás ela arriscou toda sua carreira batendo de frente com House e a própria Cuddy por causa desses princípios. Portanto, esperava que quando ela fosse sucumbir tivéssemos uma situação realmente crítica. Uma pena que foi assim.

Ao protagonista da série coube a função de carregar (mais uma vez) o episódio nas costas. Em situações como essa que vejo o tamanho do talento do Hugh, seja para o alívio cômico ou nas cenas mais exigentes. Se alguém um dia confirmar que ele de fato não bebeu nenhuma gota de álcool para gravar as cenas finais deste episódio, eu sinceramente espero que ele seja premiado por isso, pois até nos menores trejeitos ele foi simplesmente perfeito. É como ver o Marlon Brando receber a notíca da morte do James Caan em O Poderoso Chefão e perceber que ele infla levemente o peito como se estivesse procurando ar. A atuação dele estava tão boa quanto. Se duvidam revejam a cena e venham aqui comentar.

Por fim, fica a lembrança do tempo que um episódio assim era suficiente para enchermos a série de elogios, e a esperança de que os produtores percebam que os fãs esperam que a série se supere a cada episódio.

Outras considerações:

1) O episódio seria bem mais interessante se o paciente fosse um serial killer como o início dava a entender.
2) Ri alto quando ouvi a banda de Mariachis interrompendo a consulta do Wilson. Por sinal, ele seria um que poderia ter participado mais nesse episódio, principalmente na história da cerimônia.
3) Cuddy deveria ficar muito feliz, afinal, House declarou que ter o amor dela é mais importante do que a vida. Não a vida dele, mas isso não importa no momento.
4) Aliás, nesse seara, alguém realmente acredita que o amor de Cuddy está de fato fazendo algum bem pro House? Não sei se sou só eu, mas as palavras dele no fim do episódio destoam de tudo aquilo que estou acompanhando nestes 14 episódios.
5) Citação da semana: – Hehe. My head’s on your vagina.

E vocês, o que levam deste episódio? Foi suficiente para agradá-los, ou também esperavam um pouco mais? O espaço abaixo é de vocês.

Uu abraço, e até a próxima!

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