Como é bom quando House nos dá, em um mesmo episódio, uma dose considerável de humor, sem contudo perder a genialidade das grandes mensagens que marcam a série.

Spoilers Abaixo:

Antes de tudo, rapidamente, me permitam agradecer à Camila, que fez um enorme favor – e um ótimo trabalho, por sinal – cobrindo os reviews dos últimos episódios de House. Valeu mesmo!

Sobre o episódio, Moving the Chains pode não ter sido excepcional, mas teve seus grandes méritos, principalmente em continuar apostando na fórmula de dar mais atenção aos pacientes. Em grande parte da temporada passada os casos foram colocados literalmente em segundo plano, e muita atenção foi dada aos dramas dos médicos do hospital. Resultado: muita gente reclamando de romances desnecessários, e uma considerável queda de rendimento da série. Felizmente, voltamos ao ponto onde tudo é dosado com mais cuidado, e com isso temos bons episódios como estão sendo esses últimos.

Nessa semana tivemos o caso de um jogador de futebol americano (já vi isso antes) determinado em conseguir uma boa oportunidade em um time grande (já vi isso antes²) e passando por cima das recomendações médicas para conseguir seus objetivos (já vi isso antes³). Assim que vi a cena inicial fiquei com medo de esse ser mais um daqueles episódios educacionais, onde ao fim viria alguém falar que anabolizantes são malvados, o sistema é falho e tudo seria uma grande e bonita lição de moral. Ainda bem que não foi bem isso. E de quebra ainda tivemos uma ótima história.

Esse foi um dos raros episódios onde muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo, então muitas coisas acabam tendo que ficar implícitas ao espectador, pela simples falta de tempo. Em todas as frentes narrativas tivemos famílias – ou amigos, como no caso de House e Wilson – tendo que se defender de diferentes tipos de problemas, em nome da segurança de seus membros. E foi muito interessante ver como todos esses roteiros foram bem encaixados, formando uma história coesa e coerente. Palmas para os tão criticados produtores, dessa vez.

Entre todas elas, a relação dos irmãos Foreman foi a mais profunda. O rancor acumulado por Eric todos esses anos chegou a um nível tão alto que ele se tornou esse personagem frio que conhecemos. Tivemos a explicação do porquê dele ser tão introspectivo e determinado, o que, de certa forma, absolve o médico de algumas atitudes. É verdade que não existe um único fã de House que não tenha algum tipo de ódio por Foreman. Mas depois desse episódio esse ódio até que diminuiu um pouquinho.

Interessante também foi ver o triângulo amoroso sair daquele marasmo de novela mexicana que já estava dando nos nervos. Desde que o retorno do Lucas à série foi anunciado a expectativa sempre foi por ver aquele detetive malandro e divertido que nos deu bons momentos na quinta temporada. Mas não era o que vinha acontecendo: o personagem de Michael Weston, até então, era meramente uma pedra no caminho entre House e Cuddy, sem demonstrar nada daquela personalidade marcante criada para o detetive. Felizmente, hoje isso mudou. Tivemos, agora sim, a volta formal de Lucas, que finalmente marca seu território e mostra para House que nem sempre o médico será o vencedor de todas as batalhas.

E é com esse deixa que eu lembro do caso da clínica dessa semana. Entre todos os dramas familiares do episódio o caso do militar foi o que menos teve destaque, mas será o que mais marcará o nosso médico ranzinza. A obsessão do soldado em se mutilar para conseguir ter uma vida em família nos lembra que nem sempre um fato que pareça negativo – no caso, a sua própria amputação – será ruim. Mas, principalmente, a mensagem mais marcante que fica é que para se alcançar a felicidade sacrifícios ás vezes são necessários, e perdas acabam sendo parte do processo. Aos poucos a vivência vai ensinando isso a House, e felizes somos nós em poder trilhar esse caminho junto com ele.

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