
Ah, Homeland… Episódio filler agora é dose!
Spoilers Abaixo:
A cartilha dos roteiristas diz: Depois de uma grande virada, enrole seu público por uma semana, ou até mais. E dentro de séries que precisam viver por 20 ou 24 episódios numa temporada, até entendo isso. Mas numa série com 13 episódios no máximo, resolver fazer isso no episódio 3, é demais pra minha cabeça. Reflito aqui sobre essa sacanagem, que me enfurece porque parece desnecessária, e também porque adoraria ter visto o circo pegar fogo imediatamente.
Os mais puristas já estão com os argumentos prontos, e tenho certeza que vão dizer que esse episódio não é filler, mas eu sinto muito pessoal, ele tem muitas características de um filler e vamos passar por cada uma delas, aqui.
Primeira Característica Filler: Isole seu protagonista num plot sem necessidade.
O eleito para tal foi Brody, que ficou os 54 minutos de episódio resolvendo uma missão que não tinha importância nenhuma. A jornalista beiçuda até disse umas palavras difíceis e deu explicações complicadas pra tentar fazer aquilo parecer relevante, mas de fato, foi enrolação pura. E lá foi Brody, dirigir por horas, trocar diálogos chinfrins com o sujeito e depois passar um tempo tentando consertar as coisas que deram errado.
A característica filler pode ser revogada, se esses eventos tiveram realmente qualquer desdobramento futuro, o que duvido muito que aconteça.
Segunda Característica Filler: Dê atenção a um coadjuvante.
Esse é o coringa do adiamento dramaturgico. Se você precisa fazer os protagonistas não fazerem nada, deixe o coadjuvante de reserva ocupar por algum tempo o proscênio. Nesse episódio, quem deu essa “sorte” foi a esposa de Brody. Uma personagem tão importante que na maioria do tempo eu esqueço seu nome. Nunca consegui me importar com ela de verdade, e pelo jeito essa impressão vai continuar, visto que o mimimi da mulher preterida pelo marido e que acaba traindo, se tornará, aparentemente, seu carro-chefe da temporada.
Ela teve seu momento hollywoodiano, ao salvar o marido da má impressão do atraso, com um discurso comovido. Bacana, mas eu trocaria tudo aquilo por cinco minutos a mais de Carrie, mesmo que calada.
Terceira Característica Filler: Faça o deux ex machina da trama precisar se ausentar.
Não sei se todos estão familiarizados, mas a expressão deux ex machina vem do teatro grego e representa um código de resolução de problemas. É aquilo que vem para salvar o protagonista ou para desvendar um enredo. Pode ser qualquer coisa ou pessoa. No caso de Homeland, a salvação de Carrie e de todo futuro dramatúrgico do programa está naquele cartão de memória, mas a vida é assim… E o cartão precisa fazer uma viagem de avião antes.
O bom da dramaturgia é podermos pular as partes chatas da vida, e chegar de uma viagem em um minuto, fazer um casamento de um bloco pro outro ou não precisar esperar nove meses pra um parto, porém, quando o episódio é filler, temos que esperar a viagem acabar. Tudo bem que de Beirute pros EUA não levamos só 54 minutos, mas de fato, não precisamos levar nem 2.
Mesmo assim, o episódio se salva da inércia absoluta com Carrie e suas crises. Achei um pouco exagerado o lance do quase suicídio – só pra fazerem um suspense com a informação que a salvaria chegando – mas Claire Danes faz qualquer um esquecer os motivos que levaram às críticas.
Quando Saul entrou e disse que ela precisava ser a primeira a ver, eu já estava em êxtase de novo. E não tenho problemas em admitir que meus olhos ficaram molhados quando vi a redenção da personagem ali diante dela. Impossível não se emocionar com aquele momento, o momento que ela, e nós, estávamos esperando tanto pra ver.
É certo que semana que vem vamos voltar às boas, mas fico chateado com episódios como esse. Acho que Homeland não é série pra filler, e de fato, episódio filler é sempre pura enganação. Deveríamos criar uma campanha contra eles, e exigir desses muito bem pagos e sortudos roteiristas, que eles não nos façam perder tempo com firulas.















