Ritmo de montanha russa!
No quinto episódio, podemos já tirar a conclusão que esta primeira metade de temporada de Heroes Reborn não consegue manter constante o seu ritmo ou até mesmo qualidade narrativa. Alternando a cada episódio que consiga divertir (com todos os problemas que a série possa vir a ter), outro que parece mais uma versão malfeita da novela Os Mutantes: Caminhos do Coração (e se este é o parâmetro de comparação, bem, não acho que precise de mais delongas sobre o assunto). “The Lion’s Den” se enquadra nesta última categoria, trazendo uma narrativa carregada entre os seus inúmeros personagens e que falha tanto do ponto de vista do desenvolvimento destes (em especial, Luke) quanto nas sequências de ação que não conseguem ser minimamente instigantes.
Iniciando-se do exato ponto em que “The Needs of Many” termina, o episódio traz Noah e sua turminha do barulho (pensando bem, até a série daria um ótimo filme de Sessão da Tarde se conseguisse ser canastra o suficiente) bolando uma armadilha para capturar Erica, ao passo que Miko e Ren adentram no quartel general da Renautas para conseguir recuperar a espada desta, enquanto Tommy lida com descobertas inusitadas sobre seu passado (e que não precisa ninguém que tenha o QI acima do de Tim Kring sequer veja o episódio para descobrir qual é), Luke retorna ao seu lar para refletir sobre os rumos da sua vida, Malina finalmente consegue uma cena de ação e fazer algo que não seja caminhar no gelo e Carlos… Continua sem ter a mínima importância.
Talvez o maior erro do episódio seja justamente a trama envolvendo Luke. Se o espectador consegue aturar Heroes Reborn não se preocupar em dar um desenvolvimento adequado aos seus personagens desde que ao menos traga uma trama que consiga entreter, é decepcionante quando se coloca um destes em uma trama chatíssima com o único objetivo de trazer algum grau de complexidade a determinado personagem e este sai dela tão desinteressante quanto entrou. Aliás, cabe-se perguntar que novos fatos o episódio trouxe a Luke: Sim, sabemos que ele jamais se conformou com a morte do filho; sim, sabemos que ele se arrepende dos atos que fez… É necessário gastar tanto tempo de tela de uma temporada de apenas 13 episódios para voltar a tocar no assunto? Uma das características que temporadas curtas devem ter é justamente conseguir se utilizar do tempo condensado para trazer um senso de urgência, o que Heroes consegue fazer com bastante eficiência, mas que em nenhum momento se sente na trama de Luke. Vamos esperar que a sequência que traz o personagem queimando o seu lar seja um abandono de qualquer tentativa de falar novamente sobre seu passado.
As demais tramas seguem um ciclo quase que padrão, a trama de Noah presencia uma série de diálogos expositivos deste e de Taylor com Erica até que todo mundo começa a cair na porrada, Miko e Ren não fazem nada até que chegam na casa de Noah e entram na porrada, Malina caminha (só que não mais no gelo) pela cidade até que é descoberta e… Bem, podemos saber o que aconteceu. Não que esta abordagem esteja necessariamente equivocada, mas peca justamente devido à fragilidade das cenas de ação que em seu breve tempo não conseguem compensar o espectador por todos os momentos chatos que teve que presenciar até então.
E este seria o momento que eu guardaria na review para falar da trama de Tommy como o grande momento do episódio, se o personagem ao menos não tivesse sido reinventado (espero que brevemente) para se transformar em um aborrecente revoltado com a mãe jamais ter revelado que ele é adotado (afinal, é um tema para se conversar em todos os amores de domingo!) e a abordar para tratar do assunto quando esta ainda se encontra em recuperação (o que vai de encontro com a maturidade que o personagem vinha demonstrando até o presente momento). Aliás, não sei o porquê de minha revolta, tendo em vista que é típico de Heroes manter as personalidades de seus personagens frágeis o suficiente para que Tim Kring possa fazer o que quiser com estes. E por mais que Robbie Kay seja um jovem talentoso e que tente tirar o máximo de um roteiro falho, não é a sua ótima atuação que salva a história.
Talvez a comparação com a montanha russa não seja de todo justa, uma vez que o brinquedo tem como principal características construir as tensões no momento de subida para que na queda consiga satisfazer a expectativa do público. Heroes Reborn em nenhum momento consegue fazer isso, sendo uma série que (em seus melhores momentos) consegue ser suficientemente divertida, mas que depois precisa de um episódio chatíssimo para recompor o seu ritmo. Desta forma, espero que “The Lion’s Den” seja aquele momento chato que antecede um episódio subsequente razoável.






















