Apesar de viver em sociedade, todo ser humano tem uma fagulha de egoísmo dentro de si. Meio como aquele exemplo clássico do anjo e do demônio lutando pelo foco da decisão em desenhos animados, nós sempre estamos divididos entre as responsabilidades e as necessidades egoístas. Claro que isso varia de pessoa para pessoa e que o nível dessas duas vertentes pode ir do total ao inexistente. Do nascer ao se pôr, como o título do episódio dessa semana de “Here and Now” bem exemplifica.
A responsabilidade conjugal de Greg e Audrey já foi das melhores. A crise do casal que parecia ter entrado num caminho de resolução sofreu uma nova baixa com a descoberta da existência de Famiko. Não há lados certos no conflito. Ele traia a mulher em sua busca pelo sentido da existência moderna. Ela não chegou ao ponto do marido, mas alienou a relação ao ponto da ruptura. Níveis diferentes do mesmo egoísmo, o pensamento em si acima da relação. Isso espelha também no modo como ambos, e mais especificamente Audrey, cuidam de Ramon. A cena de começo onde ela invade a sala e desfaz, desacredita toda e qualquer hipótese e tratamento de Farid é o exemplo perfeito da visão de mundo quebrada que Audrey possui. A introdução do interesse amoroso do passado só é mais um combustível para a implosão do casal, que vai ter como vítimas os filhos (a cena de Kristen é prova mais do que suficiente).

Ashley ainda lida com as cicatrizes emocionais da prisão. Ao mesmo tempo que o início das aulas da filha trouxeram outras cicatrizes, novas. Criada por brancos ela nunca passou por momentos e problemas que os que foram criados por negros passaram. Mesmo que ela ainda tenha sofrido um certo nível de preconceito, esse nível não é comparável com aqueles criados sem a ligação social do grupo acusador. O churrasco com a família do colega de classe da filha, fez com que ela assumisse para si uma responsabilidade que ela não tinha se preocupado efetivamente até a prisão: a responsabilidade social. Bem diferente daquilo que é escrito nos manuais de empresas, essa responsabilidade é aquela referente a suas origens étnicas, a comunidade em que você está inserido ou pretende se inserir. Mas como obter isso quando você nunca teve um exemplo?

Porém, o que mais chama atenção até aqui na série é a quantidade de ligações e de “coincidências” que Ramon e Farid compartilham. Ao mesmo tempo que frustra, deixando pistas e mais pistas sobre a aleatoriedade e a convergência do fluxo de vida do dois, essas pontas soltas vão mostrando ainda mais camadas da psique perturbada de ambos os personagens. Dizem que médicos são os piores pacientes e descobrir que Farid também tem (ou teve) crises pessoais só torna tudo ainda mais pitoresco. O que se torna mais complicado é acreditar nas intenções de Henry. Após sumir e vir com uma história mais furada que peneira e ser flagrado por Kristen e Navid entrando numa barraca com um mendigo (igualmente hipster), fica difícil entender o porquê, a razão e o propósito dele no plano geral dos acontecimentos. Pode ser que era realmente o amigo necessitado de ajuda ou pode ser alguém totalmente diferente.
Cada um dos personagens, mesmo aqueles que agem em prol do outro, estão em suma agindo de forma egoísta, para o bem próprio. E nesse complicado jogo de expectativas que vai se assomando na narrativa são esses mesmos personagens que pagarão o preço por tais atitudes falsamente altruístas. Cada vez mais complicado entender as pistas que a série no deixa. Até a próxima semana!
11:11 : Kristen e Navid passeando por Portland valeu só pelo flagra do Henry e a conversa dos tipos de pornô;
11:12 : Duc já tá cansando com essa conversa de celibato.














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