Chá comigo!

Spoilers Abaixo:

Faltando apenas dois episódios para encerrar a temporada, Happy Endings brinda o espectador com uma clara amostra de o que a série realmente é, possuindo as principais características, positivas ou negativas, da série e funcionando como uma forma de antecipar tudo o que a temporada proporcionou nessa maravilhosa segunda temporada.

A trama de “Big White Lies” gira em torno de Penny tentando esconder para uma colega de infância, Daphne (Mary Elizabeth Ellis, de It’s Always Sunny in Philadelphia), que não quer tomar chá com ela, inventando uma série de mentiras que passam a ganhar contornos cada vez maiores ao longo do episódio.

Uma situação típica de Happy Endings, usar uma piada meta sobre um tipo de situação comumente utilizado em sitcoms, e desenvolvê-la ao máximo dentro da loucura esperada dentro do universo da série. Como esperado, o roteiro eficiente de Gail Lerner (responsável por um dos melhores episódios tá temporada anterior, “Mein Comming Out”) consegue desenvolver esta premissa de uma forma natural e com uma boa dose do humor bobo e sem noção típico da série.

Daphne surge como uma figura compreensível de se evitar, o que não a torna necessariamente uma pessoa ruim, como é ressaltado nas inúmeras cenas em que ela começa a sufocar os membros do grupo ao caminhar em direção a eles e fazer um incansável número de perguntas em um tom de desafio. Um ponto alto dos episódios foram as expressões faciais de cada ator ao responder às indagações, chegando ao ápice no mestre do humor físico Damon Wayans Jr.

O grande destaque do episódio é Max, com mais uma ótima atuação de Adam Pally, como destaque para a cena em que ele tenta surgir como um estereótipo homossexual como uma resposta às suspeitas do arrendador ou a nova invenção que inovará todo o modo de vida contemporâneo. Contrastando com seu companheiro de apartamento, que nada tem a fazer além de… Ser o Dave.

O grande momento do episódio é, sem dúvida, a consequência lógica dessa rede de mentiras criadas por Penny em um universo quase-paralelo, em uma forma orgânica de evoluir uma situação até que ela saia por completo do controle. Sendo o grande momento para Brad e Jane aproveitarem a única cena memorável dos dois, em que discutem sobre possibilidades futuras para o casal, apesar de a falsa pista plantada para no final o casal anunciar que não terá um bebê tão cedo ter sido uma piada que peque pela obviedade.

“Divertido”, “excêntrico”, “bobo”, essas são palavras que podem ao mesmo tempo se referir a esse episódio isolado ou à própria forma Happy Endings de se fazer humor, que a série consiga cadenciar em apenas um episódio toda a sua essência humorística da melhor maneira possível é um caso notável de uma dádiva de auto-conhecimento rara e que sabe muito bem ser utilizado em prol do humor.

Outras considerações:

-A piada envolvendo o John Krasinski foi a demonstração semanal do raciocínio peculiar que Alex sempre pode proporcionar.

-É incrível como, em um episódio que Penny move tudo, mão existam muitas partes memoráveis da personagem, o que é compensado por um clima sempre divertido dos momentos em que ela aparece.

-A temporada de Happy Endings está acabando e já estou ficando com saudades. Resta pensar no que fazer durante as férias compulsórias…

@guilhermeifc

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