
Existe o vácuo. E perdido nele um capítulo de Happy Endings.
Spoilers Abaixo:
Antes de começar a review, gostaria de falar um pouco sobre a falta de respeito que a ABC trata os seus espectadores. Não estando satisfeita em tirar os capítulos da ordem na temporada regular, colocando no fim dela situações completamente fora de contexto, resolveu colocar no meio da Summer Season um episódio que era para ser exibido no meio da temporada. Querendo ou não, este tipo de atitude atrapalha completamente uma experiência televisiva e quebra a narrativa por completo. A sorte é que esse episódio é quase acronológico, o que acabou não prejudicando muito a experiência.
A primeira história da noite é de Dave tentando sair com Kim, uma mulher que faz o tipo durona e que ele não está muito acostumado. A ideia concebida pelo roteiro era mostrar as dificuldades do personagem na volta à vida de solteiro, sendo essa narrativa a que mais foi prejudicada pela falta de cronologia. Embora em teoria essa trama pudesse funcionar muito bem, na prática não foi muito bem assim.
O grande problema de Dave é que, como aquele protagonista com ar de normalidade, ele precisa estar cercado por algum dos seus membros de elenco para funcionar melhor, algo que durante a temporada foi feito bem, por exemplo, em “Mein Comming Out”. O personagem sozinho não consegue carregar uma trama do modo que foi feito, tampouco Zachary Knighton tem nenhum momento brilhante que consiga ofuscar a fraqueza desta narrativa. Até mesmo a boa ideia do vídeo de sexo caseiro não foi muito bem aproveitada, dando sempre a impressão que a trama só estava ali para preencher tempo de tela. E o próprio modo como ela foi “finalizada”, para não dizer abortada, dá ainda mais essa impressão.
Jane e Alex conseguem alcançar uma fluidez maior na sua trama, que lida com Jane tentando produzir um evento importante em sua vida sem que Alex a ofusque. É o conflito entre a ordem e o caos, humanizados na natureza completamente organizada de Jane e o espírito impetuoso de Alex. O problema é que o humor não consegue passar do óbvio, como o momento que Alex se choca contra o vidro e ocorre a situação que Jane acabara de descrever. O roteiro parece perceber tanto isto que insere no meio uma trama completamente descartável, embora tenha rendido uma boa cena, de Brad procurando por um biscoito com a letra B. Mesmo eu gostando muito da atuação de Elisa Coupe, este não foi um capítulo que sua atuação foi sabotada por um roteiro falho, já Elisha Cuthbert é ofuscada sempre que é colocada ao lado da atriz que interpreta sua irmã.
Mas tem uma salvação no meio do caminho: a trama que envolve o “reality show” de Penny que Brad e Max se viciam. Foi uma forma de conseguir tirar uma brincadeira com um ramo televisivo de uma forma orgânica, divertida e que ainda consegue desenvolver uma personagem no processo, já que vemos Penny tentando lidar com o fato de ser promovida e tentando ser uma “chefe legal” (algo que qualquer Série Maníaco sabe o significado prático). Casey Wilson acaba, com isto, carregando o episódio nas costas com a sua presença de câmera e força de espírito e os seus companheiros Adam Pally e Damon Wayans Jr. também se destacam sempre que são exigidos na “narração” dos eventos que estão acontecendo com Penny, algo que acarretou nos dois melhores momentos do episódio: o pedido de Brad para ter a televisão de Max em troca dos anos de escravidão e o momento em que ambos vão disfarçados tentar intervir no “reality show”.
O que acaba transformando o capítulo em algo divertido e mostra que a série, mesmo ainda tendo vários problemas, sabe divertir. Mas, se quiser engrenar na próxima temporada, deverá saber fazer mais do que isso.
Nos vemos dia 28 de setembro!













