And I stood and saw a beast rise up out of the sea, having seven heads and ten horns, upon his horns ten crowns, upon his heads the name of blasphemy.
Começando com o Great Red Dragon, a montagem da sequência inicial foi perfeita. A intensidade que Richard Armitage coloca em um Francis Dollarhyde perturbado no diálogo com Dr. Lecter é estonteante. A pausa, a expressão, os gestos, tudo complementa em sintonia sublime o que a cena tinha que passar; é inegável que o casting do ator não poderia ter sido diferente em um mundo ideal. Logicamente Mads não deixa ninguém ofuscar tanto a cena e Hannibal começa a atar discreta e eficientemente a sua atividade favorita, manipular Dollarhyde não poderia ser mais útil ou divertido do que isso.
Save yourself. Kill them all”
– Hannibal
Justamente como teorizaram nos comentários da crítica anterior, Hannibal planejava acabar com a nova vida do Will. Serviria a vários propósitos, senão um mero jogo pra ele, possibilidades inúmeras aparecem com o sucesso e o insucesso de Francis. Os resultados pro Dr. Lecter já não importam muito, saber que ele ainda pode fazer acontecer é muito mais relevante e interessante. O passatempo preferido de Hannibal era mexer com a mente humana, depois de tanto tempo preso Francis contatá-lo foi como um brinquedo pra uma criança.
O sarcasmo e brilhantismo com que Hannibal trata do assunto com Will é simplesmente divertido e bem roteirizado, as pistas foram sutis e difíceis de serem pegas até pela mente mais ativa, mas não se pode dizer que Hannibal deixou o Will sem qualquer indício de que os Graham seriam os próximos. Hannibal nunca mente, ele pode até ter seu próprio jeito de dizer a verdade, porém tudo isso faz parte da inteligência incrível do personagem.
E mesmo aparentando distorcido, a o raciocínio lógico de Hannibal quanto a Will é muito sã. Realmente não é o trabalho dele interferir na apreensão dos serial killers, o FBI é o responsável. Não é ele que está deixando as famílias serem massacradas; mesmo que ele se importasse com isso, não é sua responsabilidade. Terceirizando o seu planejamento, o sucesso ou o insucesso serviria de qualquer maneira. Sem família Will provavelmente permaneceria caçando o Tooth Fairy e outros criminosos, com a família em risco e sem ter como voltar o mesmo aconteceria; além de ser uma ótima maneira de testar a paciência de qualquer um.
Molly e Walter foram uma combinação diferente do esperado, poderiam ter sido bem mais caracterizados como fracos e o contrário disso foi muito melhor. Foi tolice não informar sobre os cachorros pro Will, sem dúvidas, mas compreensível pelo já tão conhecido amor do protagonista pelos animais. Quando Francis resolve invadir, Molly age muito melhor do que o esperado e com extrema cautela e inteligência, o plano de ação com o Walter adicionou a tensão necessária para a sequência sem colocar absurdos milagres no meio.
O próprio espancamento após a sua primeira falha foi bem colocado pra entender melhor a perspectiva da condição mental que aflige Francis; de início pareceu exagerado, mas quando mostrou o que realmente acontecia ficou excelente. A situação com Reba também esclarece parte da psicologia do personagem, obviamente os problemas de autoestima foram bem marcantes na infância de Francis tanto que ele não se enxerga realmente. O conflito em querer Reba viva e ficar com ela e a sua parte predadora ter que usá-la como sacrifício é muito claro e bem encaixado.
Em tanto tempo de confinamento pra um homem do nível do Dr. Lecter, os livros e as poucas eventuais conversas não iam ser o suficiente pra suprir suas necessidades intelectuais. Ser superior e elegante é tudo o que ele mais preza, entregar o Francis ia perder toda a graça depois de muito tempo na monotonia. O alerta a Dollarhyde foi ousado, ele sabia o que tinha a perder e não duvidava da Dr. Bloom, no entanto toda a diversão ia sumir naquele instante se o Tooth Fairy fosse pego.
Alana recolhendo todos os itens pessoais do Hannibal foi ótimo, as expressões dos dois foram sensacionais; o prazer da Dr. Bloom em puni-lo e a ironia e vingança do Dr. Lecter foram exatos. O fato acrescentou muito a cena final, adicionou muito mais impacto quando o Will entra pra confrontar Hannibal e os dois têm a mesma postura e diferentes atitudes. A calma do Dr. Lecter contrastando com a ira e ultraje do Graham foram fenomenais, encerrou o episódio extremamente bem.
You’re not the only one who keeps their promises, Hannibal”
– Alana
E faltando apenas dois para o mais que possível series finale – não pelo fato do Hugh ter outro job já, claramente é possível continuar sem Will Graham e manter a qualidade – o encaminhamento em aberto é interessante por ser uma adaptação. Se optarem, o que duvido muito, por algo sem encerramento muitos já sabem o que acontece e se não, é só procurar. No entanto, é o cancelamento mais triste e a falta foi sentida desde o começo dessa terceira temporada. Enquanto não chega ao fim, contemple The Great Red Dragon.
Eat the Rude 1: o título refere-se a outra ilustração do Great Red Dragon. William Blake fez uma série relacionada ao dragão. O próximo episódio é o último relacionado ao Red Dragon.
Eat the Rude 2: mais uma vez a comprovação de que Jack Crawford não é uma pessoa melhor que os assassinos que ele caça. As ideias e conceitos que ele tem são muito diferentes das que o Will apresenta.














