O amor está mais perto do ódio do que a gente geralmente supõe. São o verso e o reverso da mesma moeda de paixão. O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença…”
Will e Hannibal. Hannibal e Will. Não há romance mais fabuloso/fantástico que esse. Hannibal completa Will e vice e versa. Um existe por causa do outro. Onde um começa o outro termina. Bom, pelo menos é assim que eu vejo a dinâmica dos dois nessa série, que não para de me impressionar.
Nesse episódio, basicamente, vimos Will começar a pescar seu peixe, sua baleia-branca/beluga, se é que vocês me entendem. O diálogo do início do episódio, entre Will e Jack, serviu para deixar bem claro isso, e também que Jack já entende totalmente o mal que Hannibal representa, não há mais dúvidas. Mas, mais ainda, deixa claro que os dois trabalharão em uníssono para pegar o Dr. Lecter no pulo. O plano requer muita paciência e muito cuidado, afinal, é muito difícil enganar o rei da enganação.
Mas não basta ser um ator consciente, tem que ter muita inteligência e precisão para manipular o Dr. Lecter. Will Graham é o único, remotamente, capaz de fazer isso, e de maneira brilhante, Will começa a traçar esse caminho, afinal, tudo que vimos até aqui foi a luta de Hannibal em fazer de Will seu igual, fazer com que Will libere seus desejos mais profundos e seu estado dormente de violência premeditada.
Sim, Hannibal brinca com a mente de Will para fazê-lo liberar seu lado psicopata, assim como ele mesmo liberou. Portanto, não há maneira mais eficiente para pegar o Dr. Lecter além de lhe dar exatamente aquilo que ele mais deseja. Um amigo, uma mente de igual potência e dano e uma verdadeira alma gêmea.
Não há necessidade alguma em dizer o óbvio, mas o farei mesmo assim. Quão sensacional são as cenas entre Will e Lecter? Cada vez mais vemos Hugh Dancy e Mads Mikkelsen à vontade um com o outro e com seus personagens. Sem contar que, os dois transmitem uma forte e sensacional ligação erótica. Ok, esse elemento é devidamente proposital, Bryan Fuller já admitiu isso, mesmo assim eu fico totalmente impressionada com a mistura de sutileza e força com que vemos isso. Além disso, há uma certa (enorme) elegância com a qual eles mostram que Will possui Lecter, bem como Lecter possui Will, e de maneiras que ainda não conseguimos imaginar e tampouco compreender completamente. Muitas coisas são deixadas livres para nossa imaginação, e eu digo que minha imaginação vai longe quando paro para pensar nisso. Me desculpem, mas a esperança deve ser a última a morrer, sempre. Sim, como perceberam eu também “shippo” Will e Lecter, de uma maneira tão intensa que nunca pensei que fosse possível “shippar” (eu, Fernanda).
Todos os aspectos em Hannibal são satisfatórios. A presença de Jeremy Davies, como Peter Bernadone, só vem para provar isso. Jeremy é sensacional em retratar indivíduos com tendências homicidas, mesmo que não seja, particularmente, o caso aqui. A história de Peter de várias maneiras é similar à história de Will, e ele rapidamente percebeu isso. Ambos foram manipulados por pessoas que confiavam e pessoas que julgavam ser próximas. Ambas manipulações foram feitas com o falso intuito de ajudar a determinada pessoa se libertar.
Posso dizer com toda certeza que nunca mais olharei para um cavalo/égua/potrinho da mesma maneira. É realmente de impressionar a sutileza no simbolismo entre o cavalo, que ali foi representado como uma forma de renascimento, e entre o pássaro que carrega a alma humana, seja de volta à vida ou para longe dela. “Em cada ser humano há um pouco de pássaro, a vontade de ser livre e poder voar”. Podemos ainda dizer que essa característica de ser livre é dividida entre cavalos, pássaros, Will Graham e Peter Bernadone. Tudo devidamente amarrado em um roteiro que nunca deixa de me impressionar.
Foi ali, diante do assistente social Clark Ingram (Chris Diamantopoulos), que Will Graham deu seu primeiro, real e efetivo passo. Will está determinado a agarrar as rédeas do jogo e entregar a performance da sua vida. Podemos dizer que essa performance, rapidamente, começou a dar frutos, afinal Hannibal se abriu como uma flor diante da possibilidade de Will extravasar seus sentimentos ocultos e até mesmo com sua imprevisibilidade mental e emocional.
No entanto, devo dizer que, o que mais me empolgou nesse episódio foi a aparição, mesmo que breve, de Margot Verger. Até mesmo porque, essa aparição quer dizer que seu irmão, Mason Verger, vem logo atrás. Mason Verger é um dos personagens mais complexos, perturbados, fascinantes e interessantes do universo criado por Thomas Harris. Inclusive, muitas vezes Mason consegue ser ainda mais horripilante e elegante que o próprio Dr. Lecter. Portanto fico muito ansiosa em ver o que Bryan Fuller fará com ele.
Vale lembrar que os Vergers, originalmente, apareceram no livro Hannibal, publicado em 1999. No livro, Mason é um milionário sádico e pedófilo capaz de molestar e estuprar a própria irmã (tudo isso muito antes de “Game of Thrones” querer polemizar, boooooya). Mason é, também, a única vítima que sobrevive ao Dr. Lecter. Sua irmã Margot é uma fisiculturista lésbica, traumatizada pelas ações do irmão. Aqui, vale dizer também, que Hannibal e Mason tiveram um relacionamento mais carnal e intelectual.
Aqui na série veremos um Mason e uma Margot mais jovens, antes dos acontecimentos que ditam o andamento do livro. Ao mesmo tempo, para nossa alegria, vimos que muitos dos aspectos marcantes que caracterizam os Vergers permaneceram. O abuso de Mason que gerou o trauma de Margot e o mais interessante e bizarro de todos, o fato de Mason beber martinis que contêm lágrimas das crianças que ele tortura, tanto mentalmente quanto fisicamente. Por isso que, cada vez mais, eu agradeço à Bryan Fuller. Te admiro mesmo, cara! Eu aproveito esses momentos para tentar entender como Bryan foi capaz de levar essa série para uma emissora tão retrógrada como a NBC. Se Hannibal já é impressionante, corajosa e única na NBC, imaginem o que ela seria em outras emissoras, como FX ou até mesmo HBO.
Fico mesmo muito satisfeita em ver o provável espaço que os irmãos Verger terão na série. Sem contar que, o jovem Mason será interpretado por Michael Pitt, e me desculpem, mas esse rapaz aparenta ter todos os níveis de loucura, além de ser incrivelmente atraente.
Há uma maior dimensão no pedido de desculpas de Brian à Will, afinal, na ausência de Beverly Katz será Brian Zeller e Jimmy Price dois dos aliados mais importantes que Will terá, além de Jack Crawford, claro. Posso falar que a cena de sexo entre Alana Bloom e Hannibal Lecter me perturbou mais que corpos costurados dentro de cavalos ou pessoas forçando a saída de dentro de cavalos? Pois é verdade, e sobre essa querida, só falarei isso hoje.
Tanta coisa já aconteceu que quase esquecemos que somente agora passamos da metade dessa segunda temporada, impecável, até agora.















