Nem parece que já chegamos no vigésimo episódio de uma temporada que começou ontem. Como todo ano de Grey’s Anatomy, o décimo quinto vem tendo seus altos e baixos, mas já há alguns episódios as coisas parecem ter estabilizados e entramos em uma boa safra. Depois do genial episódio da semana passada, o foco volta aos demais personagens, sem esquecer das consequências do que aconteceu com Jo.
A forma como o roteiro vem tratando a situação de Jo e a descoberta do seu passado pode ser considerada das mais interessantes. Não é a primeira vez que a série fala sobre depressão, mas dessa vez, ao vermos o problema nascer assim tão de perto, o que vem acontecendo parece mais real, mais natural. É impossível sentir o que Jo vem sentindo e é interessante ver que Alex, por mais que veja que há algo de errado, não pressiona a esposa demais, resolvendo lidar com as coisas com calma. Usar Link, um amigo de longa data, para tentar entrar na bolha que Jo criou ao redor de si mesma é uma tática interessante, pois tenta não forçar demais a barra e ao mesmo tempo não ignora o problema, que é claramente grave.
Em paralelo à parte mais dramática, é bom ver Megan Hunt de volta. Uma personagem que agradou tanto em sua participação anterior. Toda a reação dela ao rolo entre Owen, Teddy e Tom (Amelia tá fora disso, amém) serviu para divertir bastante, Abigail Spencer é ótima sempre. Mas Megan estava ali para nos mostrar que talvez os problemas (e a chatice) de Owen tenham uma origem bem mais séria. Pode parecer uma daquelas sacadas do roteiro do tipo “Amelia, você tá chata por que tem um tumor”, mas ligar a série de escolhas ruins dele a um problema de auto depreciação parece um caminho interessante. Pelo menos alguma utilidade ele vai ter. O paciente deles, por outro lado, soou um pouco forçado demais, apesar de servir ao seu propósito.
Também abordando problemas de depressão, a volta de Catherine à sala de cirurgia rendeu bons momentos também. Sei que ela não é amada por todo mundo, mas pessoalmente gosto de acompanhar a batalha dela contra o câncer e como isso afeta todos ao redor dela. É muito melhor ver Jackson nesses plots do que tendo DR com a Maggie.
Maggie que segue lidando com o que sabe fazer de melhor: atuando em casos médicos. O caso que ela e Alex (como é bom ver Alex de volta com os pacientes) foi muito bem elaborado e foi um daqueles momentos que deixaram curioso pelo que vem por aí, principalmente pelo paciente. Tudo ali funcionou muito bem.
Quem também teve seus bons momentos foi DeLuca. O personagem ganhou mais profundidade mais uma vez e seu desenvolvimento como médico, que vem sendo abordado paulatinamente durante a temporada, vem sendo conduzido de uma forma bastante competente. Todo o nervosismo em torno do “teste” de Richard com ele foi divertido e ver Meredith genuinamente preocupada foi legal.
Porém, tudo isso gerou toda uma conversa ao torno de Richard Webber e o papel dele na vida de tantas pessoas no hospital. A forma como Jackson e Meredith compartilharam o sentimento de que ele é um pai para eles (mesmo quando ambos tinham/têm pais de verdade), me fez ficar com um medo real de que Webber morra até o final da temporada. Já levantei essa preocupação antes, mas isso vem ficando cada vez mais aparente. Da discussão sobre Maggie assumir sua história em público, passando pela doença de Catherine e chegando em Meredith, muita coisa seria afetada pela perda de Richard e esse parece ser um caminho que o roteiro está traçando.
Foi divertido, ainda, ver Bailey andando pelo hospital com as adolescentes e sempre chegando nos lugares na hora errada. É uma comédia meio pastelão? Sim, claro. Mas às vezes é bom dar uma aliviada mesmo. Nem tudo precisar ser tão sério ou tão cabeça o tempo todo.
Entrando na reta final da temporada, Grey’s Anatomy continua uma sequência sólida de episódios que mantém a série agradável de assistir e sem maiores tropeços. Entre altos e baixos, a série segue utilizando bem as cartas que tem a sua disposição.






















