Finalmente um episódio muito bom de Grey’s Anatomy, não é mesmo? Pois se você pensou isso, volte duas casas e olhe com alguma distância. É provável que o truque do “episódio com maconha” tenha afetado seu julgamento. E já que o nome do episódio é esse mesmo – Dia do Julgamento, vamos observar o réu e as provas contra ele. Na semana em que recebemos a notícia de que teremos, sim, pelo menos mais um ano de série, o pensamento é de que talvez os condenados sejamos nós. Infelizmente, a fábrica de plots de Shondaland está com defeito e não é possível continuar nessa toada.
O esquema de tirar o plot no papelzinho continua e nessa semana a improvisação que o elenco teve que trazer para nós foi a seguinte: todo mundo vai ficar doidão de biscoito de maconha. Que bela oportunidade para exercitar o humor! A manobra, embora possa fazer rir em alguns casos (Karev, por exemplo, estava hilário) esconde muito mal o fato de que a série não tem mais do que falar. Acabou o assunto. Aí alguém surge com a ideia dos biscoitos e a sala de roteiristas se agita. Eles falam: “Genial. Vai todo prestar atenção nos noiados e nem notar que de assunto mesmo só temos 2 muito ruins que nem queremos desenvolver”.
Vejam bem, nem estou contando a competição intra-hospitalar como assunto, porque convenhamos: WHO CARES? Mostram lá a caneta de Richard (que se existisse seria algo espetacular) e como Wilson usa isso de forma prática para ajudar um paciente, entre salvar um maconheirinho e outro. Fora isso, a apresentação é cancelada e vida que segue. O principal tema da semana é O GRANDE ERRO DE JACKSON. Pois é. E Jackson, coitado, não fez absolutamente nada. É impressionante como Catherine distorce a realidade para ser sempre a mulher maravilha, colocando a culpa em terceiros.
Não admiro a personagem e forçam super a barra para ela ser um arauto do feminismo, mas desculpem, ela faz tudo errado. TUDO. Óbvio que o escândalo sexual envolvendo Harper Avery foi abafado por ela. E isso era um segredo dela e do avô de Jackson, que, vejam só, só parou de assediar mulheres GRAÇAS à maravilhosa decisão de Catherine de calá-las com dinheiro e acordos de confidencialidade porque, segundo ela, antigamente era diferente. E era mesmo. Não posso discordar de que quando uma mulher ergue a voz para falar de abuso a culpa é sempre dela mesma. Há alguns anos, era ainda pior, pois nem as mulheres apoiavam as mulheres. E é isso que Catherine fez. Ela não ajudou ninguém dando “pelo menos dinheiro para seguirem suas carreiras”, frase que ela usa indiscriminadamente para se auto elogiar. Catherine agiu para ganhar influência e poder dentro da fundação e dos hospitais Harper Avery e para não permitir que o patrimônio familiar se perdesse. Em suma, ela é tão maravilhosa para si mesma que seu discurso até faz parecer que ela fez isso pelas mulheres abusadas.
O fato é que agora a coisa estourou e é fácil contar a verdade quando se é forçado a fazê-lo, pelas circunstâncias. Jackson, em sua ignorância sobre os podres da própria família, não teve responsabilidade por nada disso e se depender da trilha do personagem até agora, ele deve fazer o que é certo.
> Live de Westworld com Carol Moreira, Mikannn e Michel Arouca!
Fora isso, o segundo GRANDE tema da semana é: Owen vai ser papai. Legal. Bacana. Excelente. Mas alguém me explica como ele ficou retardado de repente? Owen não sabia nem que bebês precisam de fraldas e seu pânico foi tão descabido que nem sei mensurar. Tudo só serviu para que ele e Amelia pudessem brincar de casinha e ensaiar o retorno do casamento mais idiota da série. Só juntem os dois logo e não nos forcem a ver mais essa enrolação sem sentido.
Por outro lado, Karev foi a estrela desse trio de médicos tentando dar conta de um único (e calmíssimo) bebê. A melhor interpretação de maconheiro foi a dele. E talvez Maggie aficionada por queijos. O resto foi meia boca, embora eu admire April (que tem um namorado secreto) e Bailey em seu momento de funeral da Fundação Harper Avery. Ah, o interno que causa o caos foi corretamente demitido por Richard. E Arizona, se vai sair da série, que seja para ficar com Callie. Sem mais.















