Com um episódio totalmente fora de seus padrões, Arrow tenta fazer com que o público compre Ricardo Diaz.

The Dragon foi um ponto fora da curva nesta sexta temporada da série, e mais um episódio experimental assim como o excelente Fundamentals da semana passada. No entanto, diferente daquele, é difícil encontrar aspectos que façam deste capítulo um momento memorável dentro da trama, mesmo sabendo de todas as boas intenções que o roteiro teve.

Ricardo Diaz, como já venho frisando há várias semanas, não é um vilão à altura de Arrow, e o próprio seriado reconheceu isso, tratando o Dragão como apenas mais um criminoso querendo alcançar posições cada vez maiores. Tudo o que ele quer é ser alguém, é colocar sua marca, e é uma pena que tivemos que esperar dezenove episódios para nos depararmos com esta motivação no mínimo chula.

Uma vez que não houve a preocupação de desenvolver o antagonista principal da temporada desde seus primeiros episódios, Arrow acabou tendo tempo de sobra para criar uma linha narrativa que fosse empolgante, coerente e que nos recompensasse por todas as voltas criadas. No entanto, o que ganhamos foi uma história de origem clichê e repleta de buracos. Vilões que passaram a infância em um orfanato, e sofrendo todas as formas de violência possíveis, podemos citar aos montes, e por isso mesmo é difícil comprar a ideia de que esperamos tanto para ganhar isso.

A proposta de The Dragon tinha potencial, e não estou aqui para criticar o fato da série inovar e entregar um episódio inteiro para um antagonista (acho que nunca tivemos isso antes, não?), e sim para pontuar que a execução poderia ter sido muito melhor do que foi entregue. No final, o que aprendemos sobre Diaz? Que é um sádico ambicioso e cruel, que não conhece linhas que não podem ser ultrapassadas? Acabou que o personagem foi inchado de recursos vilanescos dramáticos de uma hora para outra e que, ao invés de dar um selo de legítimo vilão, acabou deixando tudo muito artificial e sem profundidade, mesmo com o roteiro tentando se fazer de inteligente e complexo com diálogos fabricados que exaltam como Ricardo Diaz é mau, um verdadeiro perigo.

Ademais, ficamos no escuro quanto a diversos outros pontos. Não houve muitas explicações de como um criminoso qualquer de rua virou mestre nas artes marciais e construiu um império. De sua época no orfanato até o atual momento, houve um grande período de história não coberta pelo episódio e muitas pontas ainda foram deixadas. Ou seja, uma oportunidade perdida de se aprofundar o personagem para pintá-lo de tons negros.

Laurel, por sua vez, teve a única função de representar a audiência acompanhando a jornada do traficante, e acabou não tendo também o melhor dos tratamentos. Posso aceitar que presenciar uma pessoa sendo queimada viva é consideravelmente perturbador, mas ver a Sereia Negra durante o episódio inteiro transitar entre o braço direito e “arma secreta” do Dragão para alguém que vira a cara quando um homem está sendo espancado não faz o menor sentido. A série quer claramente nos vender uma ideia de redenção que não condiz com a personagem. Ela é uma assassina, já matou de modos tão cruéis quanto Diaz e agora se sente incomodada? Mais uma vez, é um roteiro que se acha inteligente explorando a dubiedade da personagem, mas acaba se mostrando fraco e totalmente sem sentido.

Para quebrar um pouco o ritmo da narrativa soturna do Dragão, tivemos também Felicity lidando com a decisão de Oliver de trabalhar sozinho. A sensação que deu era que estávamos acompanhando duas produções diferentes em uma, sendo uma um legítimo capítulo de Arrow e outra uma espécie de spin-off do vilão, com ambientação e trilha sonora completamente diferentes.

E nem mesmo essa linha narrativa da hacker fez muito sentido, e isso porque já é um pouco difícil aceitar que Oliver veja algum ponto positivo em demitir a esposa, porque eu não consigo ver. Mesmo sendo apenas um suporte, Felicity sempre foi muito mais essencial para a boa atuação do Arqueiro Verde do que qualquer um que esteve em campo com ele, sendo assim, sem ela, Oliver perde muito. Fora isso, é difícil de entender que Felicity não consegue achar seu marido quando bem entender, quando o episódio passado demonstrou justamente o contrário. E para que pedir desculpas a Curtis, que, assim como seus amigos, está há vários episódios agindo como o senhor da razão e da moral? Quando a série irá parar de menosprezar seus principais personagens para exaltar um time de crianças? Pelo visto, estamos caminhando para o momento em que Oliver irá voltar rastejando para se desculpar com o seu antigo time.

No final, a sensação que ficou é que Curtis foi o único personagem que sobrou para Felicity dividir cenas e poder compartilhar seus medos e anseios, o que sabemos que não é verdade. Eles não são mais amigos e nem sequer deveriam estar trabalhando juntos, então que continuem com seus arcos em separado que ganhamos bem mais.

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The Dragon termina com a sensação de potencial desperdiçado. Tínhamos tudo para enfim nos conectarmos com Ricardo Diaz, mas acabou com o personagem realmente se mostrando apenas mais um. E se um show precisa apelar para algo como o que tivemos na cena final só para definir, de uma vez por todas, um personagem como inescrupuloso e maligno, fica fácil de notar que alguma coisa deu muito errado no meio do caminho.

Flechadas:

– Como assim o tal Quadrante, “a maior organização criminosa do continente”, nunca havia dado as caras na série antes? Parece até que foi criado de última hora apenas para deixar mais transparente os planos de Diaz de ganhar poder e mais poder.

– Aliás, Diaz ter citado Cayden James como parte de seus planos me fez relembrar de como até hoje, toda aquela história de matar o filho do hacker, para que no futuro ele busque vingança, nunca fez o menor sentido.

– Kirk Acevedo é um ator competente, mas não há muito que ele possa fazer por um personagem quando este é mal escrito.

– Laurel fez uma menção ao vilão Zoom, de The Flash, o primeiro de uma série de chefes que a vilã iria seguir.

– Oliver apareceu apenas para prometer à Felicity que sempre irá voltar. Já posso prever coisa vindo pela frente.

REVISÃO GERAL
Nota:
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arrow-6x19-the-dragonThe Dragon traz uma proposta ousada e que poderia dar certo, mas peca em incontáveis formas e termina sem qualquer relevância para o arco da temporada.