Meredith Grey e aviões: Uma parceria a evitar, certo? Pois parece que a showrunner que não deve ser nomeada pensa o contrário e, bem… como diria aquela maravilhosa canção de Britney, oops, she dit it again. Mas, maluquices de Shondanás à parte, precisamos dizer que este foi um dos melhores episódios da temporada e nessa reta final tão sofrida em termos de qualidade, fez a diferença e deu aquele fôlego para esperar pelos quatro restantes.
Ao mesmo tempo, fica ainda mais evidente a necessidade de investir mais em personagens e histórias. Estamos muito carentes de bons momentos em Grey’s Anatomy e a demora em desenvolver certos temas que permeiam a trama acaba se tornando irritante. Vamos pegar como exemplo essa relutância emocional de Meredith. Todos nós temos tanta consciência disso faz tanto tempo que uma hora fica simplesmente chato ver a coisa toda de novo. Obviamente que todo mundo, ao mesmo tempo, compreende que é um passo grande esse recomeço após a perda de Derek, só que esperamos mais, até porque a passagem temporal na trama já está bem avançada e porque usam as piores desculpas para prolongar o questionamento e a insegurança da personagem.
Acredito piamente que esse episódio já deveria ter acontecido. Acredito também que Nathan Riggs precisa ser mais real para o público da série. Quem ele é, continua sendo algo a explorar e enquanto não chegarmos a isso vai ser difícil engajarmos nesse relacionamento. Não basta ser o médico bonitinho e que acredita tanto que ele e Meredith vão dar certo que não desiste nunca. Nem depois de levar 300 nãos.
O que precisamos é fazer como esse episódio fez: mais com menos. Menos personagens em cena, mais drama, mais bons casos, mais emoção, mais coisas acontecendo. A enrolação entre Meredith e Nathan foi mais interessante nesses 40 minutos do que jamais foi. E se vão enrolar que façam de um jeito que crie expectativa em vez de chateação. A mudança de cenário foi excelente, apesar dos requintes de crueldade da turma de Shondaland, mas é fácil entender que não dá para fazer isso muitas vezes, apenas em casos pontuais e momentos decisivos.
Meredith, aparentemente, reviveu seus dramas e dores nesse voo, ponderou sobre estar viva e aproveitar essa vida de fato, apesar das memórias e do amor que ainda sente por Derek. E aí é que está: ela não vai deixar de sentir o que sente. A saudade, o amor, o respeito. Mas Nathan repete: nós ainda estamos aqui. Estamos vivos. Existe mesmo essa eterna fidelidade com quem se foi? É errado ser feliz se alguém que você ama não está mais aqui? São questões difíceis de responder e cada um lida com isso diferentemente. Meredith, no entanto, tem essa vontade de viver mais e de sentir, mas desvia das possibilidades por todos esses motivos e por uma boa dose de receio em sofrer de novo. No lugar dela, é compreensível.
Nathan continua fazendo seu papel de provocador. E é nesse sentido que vejo que ele pode ser o que Meredith precisa agora. Seu constante desafio é interessante, mas até mesmo alguém como ele precisa ter um limite. Até quando tentar é válido? Pelo menos agora temos mais perspectivas a respeito, embora eu sinta que na semana que vem a coisa vai esfriar e que vamos ficar presos de novo na mesma questão, que é quando Riggs vai desistir e talvez Meredith comece a correr atrás. Seria o pior dos clichês, especialmente agora que dinâmica entre os personagens vai se mostrando como um trunfo.
À parte disso tudo, uma boa ação nos ares criou um clima bem legal de aventura para a série. A gente sempre sabe quem vai se ferir nesses episódios pelo começo dele, então já estava esperando para ver quais seriam os problemas causados pela turbulência. Meredith agiu como a McGyver dos ares ao usar canudinho para liberar a pressão causada pela hemorragia cerebral no passageiro. Nathan e sua resiliência funcionam também com pacientes e ele não desistiu de tentar, nem quando tudo mostrava que aquele coração não iria mais bater.
Outro momento brilhante de Meredith que vale ser citado é o momento em que ela mostra a necessidade de ter empatia com mães e suas crianças. Dessa vez foi com o menininho irrequieto no voo, mas pode ser aplicado a qualquer situação. O desespero para que a criança se acalme já é pressão suficiente e ficar resmungando e chamando ainda mais atenção não ajuda em nada.
> Abril de 2017, o Mês dos Série Maníacos!
Só fiquei sem entender muito bem o objetivo dos flertes com a aeromoça e com o dentista pediátrico, para Nathan e Meredith. Ficou meio descabido no meio da história toda, aqueles olhares e comentários bizarros. E claro, não podemos deixar de registrar que Meredith e Nathan agora são membros do MHC, o famoso Mile-High Club. Poderia até dar cadeia, mas no meio do cominho tinha uma turbulência.















