A esperança é superestimada. Essa é a frase que Grace deixa escapar em um momento de aflição, ao final do episódio. É depois de lidar com a decepção que ela chega à conclusão. Quem não espera nada quando recebe o nada como retorno não frustra suas expectativas. É uma perspectiva quase pessimista, mas é mais ou menos assim que funciona mesmo. Ela, que nunca foi de desejar nada para si mesma, como vimos no episódio passado, como poderia se dar ao luxo de esperar? Não, claro que não. Ela sequer esperava que seu futuro com Sol se mantivesse o mesmo, por mais que tenham passado quarenta anos juntos. Grace vivia sua rotina deslizando de um evento para o outro sem perceber que vivia. Talvez não vivesse. Seu dia era contemplado como um ato, como um afazer, como necessário. É por isso que lhe assusta a ideia do desejo, a ideia do ansiar por alguma coisa. Ela deveria compreender, pelo menos, que mesmo a decepção pode nos ser fonte de inspiração. É possível tirar proveito até de nossas tragédias.
The Road Trip lida com as consequências de nossas escolhas do modo mais cruel que elas podem se estabelecer. O episódio não toma ares fantasiosos e surpreende ao mostrar um final maduro e real, e não um ficcional e pouco provável ao qual poderíamos ter assistido. Gosto desses momentos da produção, nos quais o mais importante é mantermos a coerência diante do que é mais provável de ter acontecido, pois isto a ajuda a dialogar melhor conosco e criarmos empatia pela trama. Ninguém espera quinze anos por ninguém — e não deveria, por mais motivos que as pessoas tenham. É difícil esperar quinze dias, quanto mais anos. Amor pode esperar, mas a vida não, e, às vezes, amor é apenas consequência das circunstâncias. A cena de embate com Phill foi uma das cenas mais bonitas e difíceis de assistir. Jane Fonda sabe compor sua personagem de uma forma que eu não poderia descrever. É bonito, alcançável e natural. Não é agradável ver alguém na situação dela, depois do que passou com a revelação do marido, passar por situações assim, mas é preciso que vejamos a realidade de como é tentar voltar para uma vida que se abdicou. Não é prazeroso, percebemos.
Frankie, como em diversos episódios, aparece apenas de apoio, como a segunda pessoa, responsável pelos momentos cômicos e exagerados. Ela serve muito bem para o papel, e Lily Tomlin nasceu para interpretar essa hippie com pavor de renovar a licença de direção. Logo mais teremos algo mais substancial para conversar sobre ela, aposto, então não me preocupo com esse aspecto do texto.
Algo que me incomoda um pouco é o jogo de revelar/não-revelar que está sendo mantido entre Sol e Robert. Caso seja mesmo revelado o segredo, e eu acho que será, mais cedo ou mais tarde, é mais interessante fazer isso de uma vez e lidar com as consequências do que permanecer nessa enrolação repetitiva e que desgasta a forma como encaramos a trama.
Deixei de comentar a forma sem pé nem cabeça como o encontro entre Grace a Phill é montada, mas este é um ponto que eu relevei. Não há veracidade alguma em dirigir três horas (ou uma hora e meia, que seja) para ver uma pessoa que você simplesmente abandonou há muitos anos. Não faz sentido, e Grace ter concordado com isto foi surreal. Deixando esse ponto de lado, junto ao citado no parágrafo anterior, sigamos com sorriso no rosto nessa jornada atrapalhada, mas bem escrita. Ajeitem-se e não esqueçam que Frances sempre dirige!






















