Grace e Frankie volta com essa abertura deliciosa que recuso a passar, zombando de si mesma a partir da própria música que inicia a série. Continuando diretamente de onde fora deixada no final da temporada passada (e não poderia ser diferente), a produção investe na repercussão do deslize cometido por dois de seus protagonistas. Mesmo que tenha usado de uma tática boba para fugir do embate direto do quarteto sobre o ato, ainda sim, podemos ver as consequências e implicâncias morais refletidas diretamente no trio restante. Mais sóbria em seu humor, mesmo que às vezes apele para uma escatologia que não funciona, a série volta com um bom ritmo, um bom desenvolvimento e o já conhecido e instigante charme. Ainda constrangedora, ainda dolorosa de assistir, o maior destaque é a forma envolvente com a qual sentimos empatia por essa trama que talvez estejamos longe demais de presenciar, mas que é escrita e atuada com tal veracidade que corta qualquer distanciamento de telespectador.
The Wish começa a segunda temporada dando seguimento ao casamento tão mencionado durante a primeira. Para que o destino das personagens da série não fosse afetado pelo que ocorrera na season finale, optaram por tornar o fato um segredo e criar uma situação em que ele não pudesse ser revelado. Honestamente, não é a melhor tática do roteiro, principalmente porque fica claro a intenção real por trás dela, mas, devido a tudo o que fora gerado, não é possível ficar muito tempo implicando com isso.
Todas as cenas no hospital foram muito boas, mesmo as que envolvem os filhos desesperados, que deslizam tão bem entre a preocupação e o deboche. Para quem sentiu tanto a falta de Brianna, a personagem está mais “Brianna” do que nunca, usando de momentos inoportunos para implicar com a irmã ou arrumar brigas na recepção, em uma cena bem problemática, mas que deixo passar. Os outros atores também estiveram muito bem, e gostei da forma como nada foi direcionado a Coyote, de forma que este roubasse a cena.
Eu tinha um pouco de medo que essa segunda temporada focasse somente no vida-pós-casamento e não dialogasse em nada com o que fora mostrado anteriormente, mas não é o caso. Ainda há remorso e rancor, o que fica claro no discurso da sempre maravilhosa Frankie. E é bem assim, na verdade: às vezes, por mais que não falemos, como ela teve a coragem de se pronunciar a respeito, a raiva fica ali escondida esperando para escapar, mesmo que seja em gestos. A aflição das protagonistas, tão bem demonstrada pelas atrizes, é um dos meus pontos favoritos da trama, pois é o que tão bem pontua essa dramédia.
Há de se compadecer de Sol e Robert, mesmo com minhas ressalvas. A situação deles é delicada, até porque a vida é delicada. Acima de tudo, o amor, e só este sentimento para explicar tanta confusão e aflição. As falas de ambos estão sempre marcadas por essa pressa, por esse desejo de se pertencer, por essa vontade de apressar o tempo, e não poderia ser de outra forma. É cativante, bonito e sincero.
Grace, em meio a tudo isso, sofre com lidar com aquilo que ela mesmo profetizou em ira. Talvez já tenhamos passado por uma situação assim, então não é difícil de se relacionar. Gosto dessa Grace imersa em afazeres e dona da situação, porque sempre rende ótimos momentos, como aquele com o ex-marido em que lhe deseja o bem de sua maneira equivocada de querer as coisas.
Grace and Frankie volta inteira, divertida e dolorosa. É sempre um prazer enorme assistir. É sempre um pouco tanto angustiante assistir. De uma forma ou de outra, sempre justifica seus trinta minutos de exibição.






















