Introdução à maturidade.

Spoilers Abaixo:

A novidade do momento é que Gossip Girl não é mais uma série sobre e para adolescentes, mas sim uma produção madura, com personagens desenvolvidos e que levam a sério suas responsabilidades. Será? O que esse episódio mostra é que nada ou pouca coisa mudou ao longo de seis anos. Pode até parecer que, com isso, os personagens sejam sólidos, mas a verdade nua e crua é que Gossip Girl parou no tempo e não evoluiu com a idade que Serena, Dan, Blair, Chuck e Nate foram ganhando.

Apesar de essa não ser uma coisa positiva para a série, nem representaria um problema grave se tivéssemos a contrapartida de um roteiro interessante.  Há fãs que fingem gostar de tudo e ignoram a verdade. Essa última temporada de Gossip Girl está chata. Foram apenas dois episódios, mas percebe-se que o desgaste e a falta de criatividade imperam. Tramas requentadas que parecem um ciclo sem fim e nada que realmente empolgue, mas a esperança é a última que morre. Quem sabe ainda seja possível encerrar a série de forma positiva? #OREMOS.

A percepção de que tudo se repete é fácil de obter. A começar por Serena e seu novo namorado avulso, com quem ela definitivamente não vai ficar no final da série. Todo ano é isso.Serena arruma um homem que o amor de sua vida naquela semana e depois voltamos ao que? DAN. Aposto que esse é o próximo passo. Serena querendo Dan, que deseja Blair, que quer Chuck, que só pensa em destruir o pai e reunir seu império e fortuna novamente. Peraí, não foi isso que aconteceu nas últimas três temporadas? Com um ou outro detalhe diferente, é basicamente sempre a mesma coisa.

Assim, temos Sage querendo jogar areia no relacionamento do papai Alec, mantendo um namoro com Nate (um homem muito mais velho) e sendo a nova Queen Bee de Constance. Seria até um bom paralelo, mas a garota não convence e esse papel era todo de Jenny. Pena que nunca teve uma finalização de verdade e a personagem sumiu para sempre.

E essa confusão digna de colegial vem justamente quando Serena se torna uma mulher madura, dessas que fingem felicidade e forçam sorriso para sair bem na foto e na coluna social. Lily dando sempre os melhores conselhos, pelo menos para quem quer viver na alta sociedade de NY. Depois Serena aparece tentando suicídio e ninguém sabe o motivo.

Como a ideia é mostrar que essas meninas são eternas adolescentes, Blair não escapa.  Crente de que lançaria sua primeira coleção à frente da grife da mãe, ela enfrenta fantasmas do passado, na forma de ex-colegas de classe que ela sempre fez questão de humilhar. Isso sem falar de Poppy, a estilista que ela botou para correr e cuja carreira foi pelo ralo. E desculpem, mas não dá para entender essa de “preciso ser bem sucedida para ficar com Chuck depois”. Blair, minha linda, não. Você não precisa. Dá para fazer carreira e ter namorado ao mesmo tempo. Já tem um tempinho, aliás.

Chuck, é claro, fica apenas o tempo todo em conjecturas e adivinhações do que teria feito Bart Bass para precisar pagar 10 milhões de propina para uma ex-amante de fim de semana. A história dele não andou nem um centímetro, podem reparar. Ficamos na mesma do episódio anterior, a não ser pela foto com um homem misterioso.

Para Dan e Georgina vale a mesma afirmação. Continuam atrás de quem tope publicar os textos de Dan, que mostra todo seu recalque, finalmente. Nunca fui lá uma grande fã dele, mas se tem um personagem sendo mais bem trabalhado nesse final é Dan. Escritor atormentado que escreve todos os podres de amigos e família para se vingar, no entanto, fica um pouco parecido com o que fizeram no ano passado, menos pelo fato de Dan ter escrito seu primeiro livro sem intenções malignas, apenas como um diário de alguém que observava a sociedade de Upper East Side de uma posição privilegiada. Dentro e fora ao mesmo tempo.

A impressão que fica é a de que a equipe de roteiristas e produtores está com preguiça de trabalhar. Sinto-me pessoalmente ofendida por acompanhar uma série por seis anos e não ser digna do mínimo esforço da produção. É a primeira vez que vejo uma série que está “nem aí” para sua temporada final e segue como se continuasse apenas por obrigação.

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