
Uma nova cara para Gossip Girl.
Spoilers Abaixo:
É inegável que Gossip Girl tenha conduzido suas quatro primeiras temporadas de maneira semelhante. Mesmo com o crescimento físico de seus personagens, as tramas pareciam jamais amadurecer, fazendo com que todos parecessem excessivamente infantis, ao mesmo tempo em que procuravam se mostrar adultos ao assumirem responsabilidades que não cabem a pessoas desta idade. Por esse motivo, muitas vezes as histórias soavam incoerentes, quando não artificiais. No entanto, ao final da quarta temporada a série já deu mostras de que pretendia conduzir um ritmo diferente, embora essas exibições sejam apenas pontuais. Já na quinta, fica clara a nova atmosfera conferida à série, e The Beauty and the Feast tem como objetivo esclarecer esta nova empreitada.
Após a revelação da gravidez de Blair, a garota agora parece inquieta com a situação, incomodando o médico de Dorota com inúmeras perguntas sobre os sintomas da gravidez. Além disso, está cada vez mais difícil esconder esse segredo de Louis, uma vez que seus enjoos matinais estão cada vez piores. Enquanto isso, Serena se mostra empolgada com o reencontro com sua prima Charlie, e propõe que as duas passem a morar juntas, o que divide a falsa parente. Já Chuck vive um problema mais sério. Incapaz de sentir qualquer coisa, o rapaz recorre a pagar para homens na rua baterem nele, situação que é interceptada por Dan, que quer a ajuda do ex-inimigo para obter informações sobre a conta bancária de Vanessa, para saber para qual editora a amiga enviou seu livro.
Dan, aliás, é um elemento importantíssimo em The Beauty and the Feast. Como a série parece tomar um caminho em que seus personagens não mais possuem muitos elementos em comum, é necessário que algo estabeleça uma ligação entre eles, em nome da coesão do roteiro. Dan cumpre exatamente esse papel, sendo o único personagem a interagir com todos os outros. E a série o faz de maneira natural, uma vez que o rapaz encontra-se desesperado para corrigir a situação em que Vanessa o colocou. Aliás, a garota parece funcionar muito melhor sem aparecer em cena, apenas explorando as características da personagem, que sempre teve como função atrapalhar a vida dos outros, sem jamais ser caracterizada como vilã.
Para se livrar dela, Dan recorre a Chuck, o que traz ao episódio seus melhores momentos. Por serem personagens diametralmente opostos, é interessante quando o roteiro coloca os dois em cena, trazendo diálogos que quase sempre conferem uma mistura de humor e conflitos emocionais, principalmente após os recentes acontecimentos. É mais uma mostra de que os personagens realmente parecem seguir um caminho rumo ao amadurecimento. Em outros tempos, Chuck se recusaria a ajudar Dan, que sequer pediria a ajuda dele. Hoje, os dois deixam as infantis intrigas de lado, mesmo sem sequer se suportarem.
Mas, se a relação entre Dan e Chuck traz ótimos momentos ao episódio, o mesmo não se pode dizer do conflito emocional vivido pelo último, causado pela perda de Blair. É verdade que o sentimento que o rapaz nutre pela garota é algo que ultrapassa os limites do compreensível, mas a ponto de causar um estresse pós-traumático? Isso até faria sentido, se Chuck não tivesse mostrado no season finale estar tranquilo quanto ao casamento da amada, embora absolutamente chateado. Apesar da incoerência, será interessante vê-lo tentando se recuperar do problema, uma vez que o personagem tem a característica de tomar medidas extremas em busca de algo, como visto neste episódio.
Já Nate continua extremamente perdido como personagem. Há muito tempo o rapaz não possui relevância alguma na série, limitando-se a dar pequenos conselhos para seus amigos, ou servir de sex toy. O interessante é que ele comenta ao final de Yes, Then Zero que chegara a hora de tomar um rumo na vida para logo em seguida prosseguir fazendo exatamente as mesmas coisas de outros tempos. É verdade que a tentativa de iniciar uma carreira profissional consiste em um amadurecimento, mas isso é muito diferente em pensar seriamente sobre o rumo de sua vida. Na verdade, Nate nunca foi um personagem de grande importância para a série, exceto nos momentos em que seu pai era acusado e preso. Apesar disso, ele sempre teve alguma função, mesmo que apenas para servir de apoio para outras tramas.
Deslocada a esse núcleo está Serena, que continua sua nova (e curta) vida em LA. É interessante como nessa nova fase de Gossip Girl a garota parece ter perdido grande parte da sua importância na série. Antes protagonista, agora o roteiro não desenvolve nenhum plot relevante para ela. A não ser pela volta de Charlie/Ivy, que não acrescenta absolutamente nada à já fraca trama que envolvia as duas na temporada anterior. Aliás, para uma série que busca trilhar novos caminhos, ressuscitar uma personagem que simboliza o que de pior aconteceu na temporada anterior me parece uma péssima decisão. Apesar disso, é interessante perceber as motivações de Ivy ao aceitar se mudar para New York com Serena. Além da óbvia fascinação pelo dinheiro, mais uma vez fica clara a curiosa influência que Serena tem sobre pessoas mais simples, como Ivy, Dan, ou mesmo Rufus. Esse sedutor ambiente proporcionado pela jovem Van der Woodsen e o Upper East Side sempre foram o grande foco de Gossip Girl, e é importante que os roteiristas não o tenham deixado de lado.
Se Serena parece aos poucos deixar o protagonismo, Blair cada vez mais toma ares de estrela solitária da série. Cada vez mais, o roteiro foca-se nos conflitos da garota, provocando a existência de ótimas cenas e diálogos, principalmente com Dan. Muitos me entenderam mal quando afirmei que Blair está parecida com o que era nas primeiras temporadas. Não digo a respeito da personalidade, mas com relação à coerência com suas próprias atitudes. Na quarta temporada, a garota se perdeu ao tentar portar-se como adulta e mesmo assim mantendo as atitudes birrentas de uma criança. Agora, ela perde o ar infantil para deixar as intrigas e birras de lado. A única ressalva que faço é a insistência dos roteiristas em abordar situações sem introduzi-las corretamente, fazendo com que soem repentinas e artificiais. Por exemplo, no episódio passado a única característica que permitiria afirmar que Blair estava grávida era o fato de a garota não ingerir álcool. Aqui, no entanto, todos os sintomas de sua gravidez são potencializados, dando a impressão que foram suprimidos apenas para manter o pequeno mistério em torno da garota.
Mas, se The Beauty and the Feast comete alguns equívocos, apresenta-se como um episódio que permite ao espectador afirmar que a série finalmente decidiu amadurecer, apostando nas relações entre os personagens, e deixando de lado as intrigas e fofocas de colégio. Por enquanto, a maior parte dos plots está apenas se iniciando. Se vão render algo interessante, teremos que esperar para ver.













