Desde pequenos os seres humanos acordam, comem, fazem suas obrigações, descansam, se divertem e no final do dia dormem. No outro dia repetem essas mesmas atitudes, variando um pouco de acordo com a situação em que se deparam. Ao longo da vida, modificam pequenas formas de viver, considerando sua idade, patrimônio, saúde e alguns outros fatores. Entretanto, independente de quem seja, do que faça, do que goste ou desgoste, todos os humanos possuem algo em comum, a mortalidade.

“A única certeza da vida é a morte”.

A morte é inevitável. Por mais que tentemos ignorá-la, jogá-la para o canto, escondê-la debaixo do tapete, ela sempre consegue aparecer de supetão ou não em nossas vidas de tempos em tempos. Exatamente como aquele elefante na sala que não queremos comentar, ainda que todos saibamos que se encontra ali, a indubitabilidade de que um dia iremos falecer nos impulsiona a viver a vida ao seu extremo, o que poderia gerar um caos caso as pessoas decidissem ser totalmente egoístas e pensar que não importam suas atitudes, tendo em vista que algum momento elas se tornarão apenas ossos enterrados.

Todavia, existem dois campos que controlam e guiam as condutas humanas, a ética e a religião. Diante do absurdo que é sabermos que desde o dia em que nascemos nossa ampulheta está virada e uma hora nosso tempo simplesmente acabará, os conhecimentos e os ideais perpassados por esses dois campos criam um propósito para que os seres humanos não apenas desfrutem de suas vidas, mas também a façam de modo responsável e que não prejudique os outros.

The Good Place 2x05: Existential Crisis
The Good Place 2×05: Existential Crisis

Durante uma temporada e três episódios, vimos nossos 4 humanos representarem nossos maiores defeitos e qualidades, se preocupando em algumas ocasiões a agirem de maneira correta e serem melhores pessoas, pois nascemos com a consciência de que para cada ação haverá uma reação de mesma proporção. Dito isso, a maior piada que estávamos diante toda a loucura instalada no Good Place era Michael como estudante de Chidi. Em que mundo um “demônio” poderia aprender a ser bom, se aprendemos e assistimos essas criaturas sentirem prazer em serem maldosas, não possuindo qualquer tipo de piedade ou remorso? E então finalmente vimos que Chidi Anagonye pode ser confuso, dar aulas que parecem ser um tédio total, porém ele é um ótimo professor no final das contas.

Como foi possível observar nos episódios anteriores, os atores desse grande teatro, tão críticos quanto aos seres humanos, suas formas e jeito de ser, aparentavam se parecer mais com suas vítimas a cada reboot fracassado. O ego de Vicky, as reclamações dos seus colegas, o 7×1 constante em suas vidas e claro, a greve organizada, são alguns dos exemplos rápidos de lembrar que se assemelham a atitudes humanas. Dessa forma, o pensamento de Chidi foi brilhante exatamente por utilizar do sentimento mais simples e intenso, o medo.

A crise existencial sofrida por Michael foi exagerada e por várias vezes beirou o absurdo, porém a sátira construída pelo roteiro foi de um humor peculiar e que faz de TGP uma comédia que se destaca das demais. Do fundo do poço para a falsa felicidade, pudemos refletir e relacionar o que estava acontecendo com variados momentos já vividos por nós ou pessoas que conhecemos, assim como Eleanor. Por mais que ela aparente ser a pior pessoa no Good Place, tendo realmente feito o mau para as pessoas sem se importar ou sentir remorso, a vida da protagonista não foi fácil e existem motivos para suas atitudes terem sido tão ruins. Não que isso justifique tudo que ocorreu, afinal ela está no Bad Place, todavia é interessante assistirmos esse outro lado da personagem e entendermos melhor o motivo de ela sempre acabar procurando ajuda e seguindo o que Chidi fala.

> TEORIA THIS IS US: JACK ESTÁ VIVO! 😱 | SM Play #78 [4K]

Existential Crisis não andou com praticamente nada da história, apenas criando uma porta para Michael evoluir, porém, foi um episódio que valeu a pena assistir e trouxe uma abordagem diferente para um tema que é triste e procuramos evitar pensar, ainda que tenha sido aquém novamente ao que acredito ser o potencial da série. Gosto dessa ousadia e acho inteligente a forma como o roteiro sempre busca sair da zona de conforto e adentrar em caminhos desconhecidos, mas a ressalva que esse episódio deixa é, até quando TGP poderá enrolar a trama e esses enredos diferentes conseguirão ter um saldo positivo. Por enquanto deixo meu voto de confiança.

Desabafos:

– Jason está dando discursos motivacionais tão bons ultimamente que estou começando a achar que ele tem um doppleganger.

– Janet consegue ser mais maravilhosa a cada episódio que passa, estou ficando sem palavras.

– Essa última cena com Jason e Tahani na cama me deixou tão bugado que ainda estou sem saber se acho interessante ou se odeio.

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorMindhunter 1×02: Episódio 2
Próximo artigoDerivado Cast #56 – Pixel Realidade Virtual, Folha Vs Danilo Gentili, Mr. Robot e muito mai
good-place-2x05-existential-crisisExistential Crisis não andou com praticamente nada da história, apenas criando uma porta para Michael evoluir, porém, foi um episódio que valeu a pena assistir e trouxe uma abordagem diferente para um tema que é triste e procuramos evitar pensar, ainda que tenha sido aquém novamente ao que acredito ser o potencial da série.