Extremamente superior ao seu piloto, Mount Rushmore deu a volta por cima sobre todas as expectativas que haviam sido frustradas e apresentou o início do seu potencial.
Diferente de House M.D., David Shore soube espertamente não repetir a mesma dose do seu antigo sucesso, nos revelando que por mais que Shaun seja inteligente e possua todos os conhecimentos técnicos necessários, é inegável que o Autismo lhe traga barreiras que o prejudiquem no trabalho. Praticamente um resumo de todo o episódio, a primeira cena do novo residente com o Dr. Melendez mostra que ainda que uma pessoa siga à risca as “regras existentes”, circunstâncias inesperadas podem ocorrer, levando-a ao erro, independente de culpa. Assim como o ônibus atrasado, a reação dos pacientes e as situações vivenciadas cotidianamente em um hospital são extremamente voláteis e impremeditadas, sendo impossível que as diretrizes da instituição ou os conhecimentos dispostos nos livros abranjam a solução de todo e qualquer cenário.
Dizer que Shaun não pertence ao hospital e que não é competente à residência é uma mistura de preconceito e recalque, porém seus défices devem ser reconhecidos, afinal seus erros podem afetar vidas humanas. Assistir ao longo de Mount Rushmore sua dificuldade em compreender sarcasmo, mentir e relativizar situações nos leva a criar empatia, tentando justificar qualquer atitude incorreta, porém é quando o roteiro não permite que isso passe batido que meus olhos brilham. Além de afastar a série de vários outros dramas parecidos, pois são poucos que admitem tão claramente os erros dos seus protagonistas, ver Glassman entender que Shaun ainda precisa aprender bastante no aspecto social para não afetar na parte técnica cria uma atmosfera mais humana, nos aproximando dos personagens, do enredo e criando um maior interesse sobre como a trama se desenrolará.

É claro que ainda existe um preconceito enorme mascarado (ou não), entretanto a postura de Shaun nessa conjuntura é elegante e humilde, o que acredito que será o ponto chave para fazer com que o Dr. Melendez acabe mudando de time. Ainda nesse sentido, é interessante ver como Dr. Murphy possui uma visão otimista, empolgando com atividades básicas e procurando aprender com cada tipo de serviço, comprovando mais uma vez sua capacidade para melhorar, se adequar ao hospital e não repetir os erros, como quando tentou não assustar os pacientes.
> INUMANOS E THE GIFTED, novas séries MARVEL 📺 | SM Play #72
Por fim, toda a sequência final me deixou com um sentimento ambíguo, assim como os exames da Martine. A adrenalina de ver Shaun ultrapassar seus medos e salvar uma vida foi brilhantemente conduzida, utilizando de flashbacks que continuo acreditando ser o ponto mais forte da série e com uma trilha sonora que realçou os sentimentos de cada momento, diferente da empregada no piloto que soava apenas uma melancolia forçada; entretanto, não vejo a necessidade da cena uma vez que o episódio em quase sua totalidade reforçou a ideia de que o Dr. Murphy ainda precisava aprender muito e não podia apenas se sustentar em seus conhecimentos técnicos, sendo um pouco desfalcada a lição quando no final ele aparenta ter feito algo que deveria ser obrigação de todos, tendo em vista que manter a menina no hospital de acordo com as condições apresentadas seria incorreto provavelmente na grande maioria dos outros casos.
Diagnósticos finais:
– Adorei a crítica de Mount Rushmore sobre a preocupação das pessoas em buscar o mérito e como a sociedade as obriga a buscar por isso, sendo que o mais importante não se encontra ali.
-Tomara que mostrem mais essa relação do Shaun com a Carly, acho que pode sair algo promissor e, no mínimo, engraçado dali.
– “If you wanna get anything in life, Shaun, there’s one thing you gotta do: never be afraid.” Irmão do Shaun podia lançar um livro de autoajuda, compraria fácil.















