“Eu tentei fazer uma coisa que fosse mais um tipo de versão musical dos filmes adolescentes que eu adoro, e embora nós tenhamos arcos dramáticos, a série é mesmo uma comédia de uma hora”.
Não, esse não é um depoimento dos showrunners da extinta novela da Band, Floribella, esse é um depoimento do próprio Ryan Murphy em entrevista ao TV Guide, cujo único intuito ilustrando o início do post é bater como um chicote nos detratores do meu último último review, usando as palavras do. criador. de. Glee.
Spoilers Abaixo:
A verdade é que não estou tão amargo assim com o feedback negativo do último recap, não deixei de ler minhas revistinhas da Avon roçando meu pulso nas partes indicadas com a essência do perfume, que provavelmente a essa altura do campeonato só cheira à pulso de velhas que costuram fuxicos em colchas. Só estou tentando defender meu ponto de vista em relação aos comentários sobre superficialidade e tal. Para mim, sim, Glee tem alma, drama e evolução de personagens. Não é como Gossip Girl, que se a Serena quiser aparecer com um sotaque italiano do nada ela dirá que é por causa de suas botas novas que comprou. Ao meu ver, só acho que a própria série não faz questão de desenvolver cada arquinho dramático e conflito que vão jogando ao longo dos episódios. Analisando melhor:
Uma das principais características que percebemos na série foi a independência da maioria de seus episódios, quase todos com a mesma estrutura do Mr. Schuester passando um task da semana com o Glee Club tendo que montar alguma performance. Só porque alguma história aparecia, não queria dizer que no episódio seguinte ela seria retomada de onde parou, e exemplos não faltam para melhor expor isso:
Ao final de Wheels, temos uma cena super bonitinha e miguxa da Tina beijando o Artie e revelando que forçava a gagueira só de devassa que era. Na hora foi triste e ficamos pensativos, mas essa história só veio ser retornada no episódio The Power of Madonna, onde em uma fala de 10 segundos o Artie explica que a perdoou e tá todo mundo de bem com a vida. Tivemos exatamente o mesmo nesse décimo-oitavo episódio. Todo mundo queria saber onde a Quinn tinha ido morar, se estava instalada no Lar Samaritano da Igreja Adventista do bairro depois que o Finn descobriu que não era o pai da criança no décime-terceiro episódio. Hoje, em uma fala bem breve que ela foi mencionar que está na casa do Puck e a única coisa ruim de sua vida é não comer bacon.
Ou seja, vamos ao episódio em si. Que início fantástico. Um grande trunfo da série sempre foi saber brincar com auto-referências, como o Puck indo parar dentro da lixeira que ele sempre jogava os losers. Embora eu não ache a coisa mais verossímil do mundo a Mercedes ter se tornado a garota mais popular da escola, é interessante essa dinâmica que os episódios de meio de temporada tem de juntar dois personagens distintos. As vezes funciona, como aqui, e as vezes não (Seth e Marissa. E sim, eu sou tão abusado que uso até personagens de séries extintas para demonstrar meus pontos de vista).
Ainda no início do episódio, na mosca a abertura da Rachel desconfiando que o resto do clube não estava se esforçando. Elogio aí para toda a parte técnica e criativa da série. Se você parar para pensar que em uma série como essa, este pessoal escreve roteiro, atuam em cenas normais, cantam, dançam, gravam músicas para o Itunes e ainda tem tempo de pensarem em soluções criativas que tornam a série no produto único que é, só podemos bater palmas.
Tão bom quanto o início da Rachel, foi o desenvolvimento de sua história. A sua falta de voz foi o carro chefe de um episódio que trazia como maior questionamento a pergunta: O quê é você? Não quem, mas o quê? Como se isso já não fosse uma questão difícil o bastante, imagine tentar respondê-la em meio a um Ensino Médio cuja moeda de troca é o nível da sua popularidade e uma insegurança e auto-estima em declínio vertiginoso decorrente da adolescência. Mais curioso ainda é notar que quem faz a pergunta é o professor que depois de 20 anos de casamento está se divorciando e ele próprio não faz a menor questão de respondê-la. Faça o que eu digo, mas não o que eu faço deve ser a frase do novo orkut do Will.
Com a ausência da avulsa da Emma (que eu juro que levei uns 5 minutos tentando lembrar o nome) do Jesse, e porque não, da própria Sue e do Will, o foco foi totalmente nas crianças (que claro, são interpretados por atores e atrizes de 26 anos).
Agora de todos os dramas expostos, preciso expressar o quão cansativo está o do Kurt. Sério, isso já não aconteceu tipo nos dois últimos episódios? E o pai dele aparecendo na escola e chamando o filho só para dizer que vai se divertir com o Finn não parece uma afronta? Eu jurava que era de propósito.
Em relação aos números musicais, até mesmo pelo caráter mais simples da tarefa, não tivemos nenhum muito inventivo ou extravagante, talvez com exceção da boa apresentação de One ao final do capítulo. E no frigir dos ovos, mesmo com a Brittany dizendo que lamber seu próprio SUVACO lhe dá tesão, a coisa mais interessante do episódio foi reparar o quão hábeis o trio roteirista está em conciliar o puro nonsense com o drama. Pois é meu povo, parece que Glee está amadurecendo.
Músicas no episódio:
Rachel – The Climb (Miley Cyrus)
Finn – Jessie’s Girl (Rick Springfield)
Puck & Mercedes – Lady Is A Tramp (Frank Sinatra)
Kurt – Pink Houses (John Mellancamp)
Mercedes & Santana – The Boy is Mine (Monica & Brandy)
Kurt – Rose’s Turn (Gypsy)
New Directions – One (U2)











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