Acho que vi um pezinho.

Personagens de Girls são espíritos livres que vagam pelas ruas de New York buscando sentir algo. O contato com o próximo é sempre importante para fortalecer as narrativas e definir as características que fazem de cada um dos personagens algo único e capaz de criar contrapontos através dos diálogos intensos e reveladores entre eles mesmos.

Através da temporada, esses espíritos livres vagaram geralmente contra a maré do sucesso, achando conforto geralmente em situações líquidas para logo depois voltar ao buraco das crises existenciais. Mas em Home Birth, os destinos foram encaminhados de forma natural, como naquelas oportunidades únicas e momentos de clareza onde definimos os rumos de nossas vidas.

Toda construção narrativa em torno de Home Birth encaminha para o diálogo entre Adam e Hannah que acontece enquanto observam um adorável recém-nascido. O fato de Hannah rejeitar um retorno com Adam só mostra crescimento e uma maior valorização pessoal por parte da personagem. E esse tipo de situação nunca é fácil, pode-se ver através da atuação de Dunham (que por sinal, só melhora), que a personagem reluta consigo mesma para tomar a decisão que claramente é a mais sensata. Em uma série onde a infantilidade é vista como artifício para o cômico, as tomadas de decisões corretas são sempre agradáveis surpresas.

E não apenas em Hannah se vê uma intensão de levar a vida para novos caminhos. Shosh, que passou uma temporada inteira em entrevistas de emprego exibidas através de cenas rasas, decide ir para o Japão ao invés de aceitar a vontade do novo interesse romântico. Mostrando um argumento do poder das mulheres e a vontade de conquistar o que for preciso através de seu esforço, unicamente.

Mas a tentativa de um parto caseiro, planejada pelo casal mais bizarro da televisão, é palco para personagens mostrarem que são capazes de agir das mais diversas maneiras quando colocados fora de suas zonas de conforto. Jessa, por mais que através da temporada tenha sido cruel e mesquinha, parece buscar redenção ao tomar as rédeas da situação (a personagem colocando a cabeça na água da banheira é Girls em seu melhor humor escatológico), e decidir traçar um futuro na vontade de ser terapeuta pode não parecer condizente com a personagem no momento, mas mostra a evolução gradativa que todo personagem de séries precisa.

A evolução também é vista em Marnie, de forma mais íntima impossível. Todo o arco de Marnie e Ray se torna adorável o suficiente para fazer o espectador querer mais. Ver Ray torcendo por uma Marnie mais segura e servindo como suporte emocional nas horas difíceis fazem do (provável ou improvável?) casal algo para se esperar na próxima temporada, e que Desi suma para sempre, apesar de que é muito mais fácil que o personagem volte com alguma desculpa barata, levando Marnie aos braços do noivo novamente.

Nos seis meses de salto temporal do final do episódio, vemos Hannah e Fran juntos, sorridentes, aparentemente apaixonados e dispostos a mostrar ao mundo que casais improváveis podem funcionar. Assim como Adam e Hannah funcionaram por algum tempo. Em um mundo cada vez mais corrido e disposto a experiências práticas e rápidas, um casal sólido e duradouro é algo raro, e é exatamente o que Girls vai tentar abordar daqui pra frente, ainda que precisa exibir os conflitos que fazem da série o lugar ideal para vermos relacionamentos modernos se desenrolarem, com níveis balanceados de comédia, drama, cinismo e realidade.

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