Promessa é dívida. Seguimos com a comparação que uns adoram e outros odeiam.
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Começamos hoje com a Nascida da Tormenta, A Não queimada etc, etc… A Rainha Daenerys exige uma análise um pouco mais complexa que as anteriores. Isso porque ela é a cabeça do núcleo de Meereen e arrasta uma legião de súditos. As diferenças entre o livro e a série são gritantes quando falamos da “Quebradora de Correntes” e começam logo na primeira temporada. Nos livros, Daeny se casa com Khal Drogo com “treze” anos de idade e conquista Meereen com quinze. Apesar da pouca idade, a pompa da Rainha é digna de qualquer governante mais experiente. Ela inspira a devoção através de uma postura firme e vai estabelecendo seus conceitos conforme vai conhecendo o mundo. Muitas vezes se mostra humilde, principalmente quando estão discutindo estratégias de guerra. Outras vezes é tentada a tomar alguma atitude mais rebelde, típica de qualquer adolescente. A Rainha dos livros é uma pessoa em crescimento, uma jovem que passou metade de sua vida vivendo de favores e ascendeu para o poder tão rápido que ainda lida com o aprendizado disso tudo.
As diferenças entre a exposição dos personagens nos livros e na série, seria digna de um post a parte. Aqui, me contento em dizer que a obra escrita é muito mais explicita que o show da HBO. É importante ressaltar que a forma que é explorada a sexualidade da personagem na série, é bem diferente da sua forma original. Enquanto o show coloca Daeny em um pedestal e negligência seu desenvolvimento como pessoa – a natureza de seu desejo por Daario Naharis, por exemplo – isso acaba por criar uma figura mítica que às vezes age mais como uma garota mimada do que uma governante. Talvez isso seja um dos efeitos da interpretação de Emilia Clarke, ou então foi pensado para nos causar a ilusão que a Quebradoras de Correntes nunca erra e nasceu pronta para governar.
Não bastasse se mostrar em uma posição dominante durante o ato sexual em uma cultura Dothraki, que se espelha no comportamento de cavalos – onde o macho alfa é quem monta – a Khaleesi foi obrigada a carregar consigo seu pequeno Khalasar após a morte de Drogo. Foi em Qarth que as coisas começaram a melhorar para a Rainha e foi lá que as diferenças no enredo entre as mídias se acentuaram. Enquanto a série decidiu matar Xaro Xhoan Daxos, ou pelo menos trancá-lo em seu cofre, nos livros ele segue vivo e é um dos primeiros aliados conquistados por Daenerys. Também é no porto da cidade que, na obra escrita, conhecemos o Arstan Barba Branca, alcunha usada por Sor Barristan Selmy enquanto se disfarça de escudeiro para o eunuco lutador Belwas O Forte. O retorno de Sor Barristan nos livros é mais dramático e carregado do que na série e como vocês podem imaginar, ele também não é sacrificado. Sor vovô está vivo nas crônicas, e precisa lidar com o desaparecimento de Daeny após o evento na arena de Daznak.
Ao contrário do que acompanhamos no episódio Dance of Dragons, no livro não temos o ataque dos Filhos da Harpia na reinauguração da arena. A tentativa de assassinato da Rainha é feita através de gafanhotos açucarados e temperados com veneno. Felizmente Daeny tem um pequeno problema com a gastronomia de Meereen e não cai na armadilha. O evento com Drogon ocorre de forma mais aleatória do que foi adaptado. Na versão original, a Mãe de Dragões já está casada com Hizdahr zo Loraq e a chegada do Dragão na arena acarreta o temor de todos. A Targaryen acaba domando seu filho mais rebelde e com o auxilio de um chicote monta o dragão. No show, preferiram uma besta que é invocada pela Rainha em um momento de perigo, a reconhece pelo cheiro e de quebra entende valíriano.
Falando em dragões, não podemos nos esquecer dos irmãos de Drogon: Rhaegal e Viserion. No livro “A Dança dos Dragões” (não, não é aquele que a menina Shireen está lendo no nono episódio) Quentyn Martell tenta roubar um dos dragões depois de ser rejeitado pela rainha. O filho de Doran Martell é enviado para Meereen com uma pequena equipe a fim de propor casamento para Targaryen. Após ser dispensado – e um dos motivos foi porque Daeny o achou feio – o Príncipe de Dorne decide que não deve voltar para casa de mãos vazias. O resultado é muito previsível.
Falamos um pouco do núcleo de Dorne no texto anterior, porém não tudo. Uma personagem que faz grande falta na série é Arianne Martell, a filha mais velha de Doran. A moça é responsável por tentar coroar Myrcella após a morte de Joffrey, já que pelas leis de Dorne, a garota teria direito ao trono. Interessante como no livro eles queriam transformar Myrcella em rainha e na série acabam por matá-la.
O que mais me incomodou na adaptação para a série é que, nos livros, Meereen encontra-se cercada pelas outras cidades escravagistas que entendem que a política de Daenerys ameaça seus negócios. No meio da bagunça de tendas, exércitos, seguidoras de acampamentos e mestres escravagistas colecionadores de bizarrices, está Tyrion. Na obra de Martin, o anão é contrabandeado até a casa de Illyrio Mopatis, que se revela um fiel amigo de Varys. Por sua vez, o Aranha não vai com ele para Essos. Quem fica responsável por escoltar o Lannister até Daenerys é um mercenário membro da Companhia Dourada, um dos maiores – senão o maior – exército mercenário de Essos e Westeros. Esse mercenário é Sor Jon Connington, um lorde de Westeros e senhor do Puleiro do Grifo, que fugiu durante a tomada de Porto Real. Jon é um ex-mão do rei e amigo fiel do príncipe Rhaegar Targaryen. Acho uma pena que a série não tenha trazido esse personagem para a adaptação. A chegada de Connington na trama bagunça tudo. Principalmente após revelarem que seu protegido, O Jovem Grifo, é um Targaryen filho de Rhaegar e Elia de Dorne, que foi salvo por Varys antes do Montanha espatifa-lo na parede. Lembram-se do escamagris que contaminou o Sor Jorah? Então, na versão original é o Jon Grifo que é contaminado ao salvar Tyrion de uma forma parecida com a que vimos ocorrer na série.
O plano de Varys é levar O Jovem Grifo, que na verdade se chama Aegon Targaryen, para Meereen e propor casamento para sua tia, a Rainha Daenerys. O problema é que no meio do caminho, Sor Jorah sequestra Tyrion e após uma série de acontecimentos o protetor do garoto resolve invadir Westeros com a Companhia Dourada, buscar auxilio de Dorne e marchar para a conquista do Trono de Ferro. Por conta de todas teorias e possibilidades, o Jovem Grifo ainda é um dos mistérios sem solução das Crônicas do Gelo e do Fogo.
Já o anão mais querido do mundo se vê dividido entre suas versões em dois destinos muito diferentes. No show é conselheiro da Rainha e precisa assumir o governo da cidade, no livro bamboleia entre mercenários e escravos no cerco de Meeren. Além de sua atual posição, Tyrion ainda conta com diferentes companhias. Na série, a corte de Daenerys lhe dá abrigo e oferecem mordomias, nos livros ele teve a companhia de Merreca, uma anã artista de rua que esteve no casamento do Rei Joffrey. O Lannister se compadece da situação da garota por conta de seu irmão ter sido morto em Porto Real por homens que procuravam resgatar a recompensa oferecida pela sua cabeça. Merreca não tem muita importância na história, a não ser por montar uma porca e disputar justas em seus shows.
Já que citamos a corte de Meereen, acredito que mais importante é dizer que o destaque dado para Missandei e Verme Cinzento é uma particularidade da série. O Romance entre a porta voz da Rainha e o Imaculado, jamais poderia ocorrer nos livros, já que Missandei é uma garotinha em sua versão original.
Assim como na última temporada que foi ao ar, deixamos Cersei Lannister para o final. Talvez a adaptação da “Caminhada da Vergonha” tenha sido a passagem mais fiel aos livros da quinta temporada. Porém, a prisão da Rainha Mãe não foi nada parecida. Diferente do que vimos acontecer com o Cavaleiro das Flores na série, na obra escrita, Sor Loras torna-se um Guarda Real e parte para um ataque a Pedra do Dragão, visando minar os recursos de Stannis. Já a prometida do Rei Tommen, Margaery, vive na corte aguardando que seu noivo tenha idade para se casar. Após o estabelecimento da fé armada e a nomeação do Alto Pardal como Alto Septão, Cersei contrata um dos irmãos Osgrey pra cortejar e seduzir a futura Rainha. A própria Rainha Mãe já tido um caso com o cavaleiro e isso acaba por prejudicá-la quando seu contratado faz a denúncia para os pardais e acaba torturado e entregando todo o esquema. A Rainha é presa após o testemunho de um dos seus peões no jogo dos tronos. O que se segue é bem parecido com o que vimos na série e culmina com a leoa caminhando nua pelas ruas de Porto Real.
Como já disse no texto anterior, se formos apontar todas as diferenças e passagens que foram ignoradas na série, teríamos um pequeno livro. Há partes do enredo que foram ignoradas que realmente não fazem muita diferença no balanço geral, porém são cativantes e alimentam diversas teorias dos fãs mais dedicados. Há também alguns personagens, que como a Anã Merreca, não impactam de forma direta no decorrer da história, mas também existem personagens muito importantes que podem fazer a balança pender para qualquer lado e, até agora, não deram as caras na série.
Um belo exemplo desse tipo de personagem é Victarion Greyjoy, irmão de Balon e tio do Theon. Nos livros, o Senhor Capitão da Frota de Ferro está se dirigindo para Meereen para tomar Daenerys como esposa. Enquanto navega o pirata arrebata qualquer navio que encontra para sua frota e de quebra ainda conseguiu um Sacerdote Vermelho. Ele leva consigo um berrante de chamar dragões que conseguiu com seu irmão Euron, o que promete bagunçar tudo. Victarion é personagem interessante com um background consideravelmente recente no enredo dos livros. A missão de capturar Daenerys lhe foi atribuída após o conselho que elegeu Euron como novo Rei das Ilhas de Ferro. Como para qualquer personagem dos livros, o Greyjoy possui teorias atribuídas a ele e são bem interessantes. Algumas fontes apontam para o retorno do núcleo das Ilhas de ferro para próxima temporada.
Adaptar essa gigantesca obra para a TV deve ser um trabalho hercúleo e exigir uma grande equipe capaz de criar links entre os personagens que os levem em direção ao final “sugerido” por Martin. Há quem não de a mínima para os livros e acredite que a HBO ignorará a obra escrita a partir dessa temporada e traçará o destino dos personagens sem o palpite de seu criador. Há quem aceite que os produtores estão em constante contato com o Tio George e que a série está caminhando em congruência com os planos do escritor. Eu realmente não sei o que pensar. Na verdade, depois do assassinato da Shireem eu não tenho ideia do que raio esse pessoal está fazendo. Minhas teorias pessoais envolvem a ressurreição de Jon Snow e a tomada de sua posição como Stark legitimado e Rei do Norte (lembram-se do tratado deixado por Rob antes do casamento vermelho?), acredito que Daenerys marchará de volta para Meereen com seu mais novo exercito Dothraki e Bran consiga Wargar um Dragão. É possível que vejamos isso em ambas as mídias. É possível que os finais sejam semelhantes. A única coisa que não seria possível é ter esse tipo de discussão caso não tivéssemos livro e série para contar essa magnífica história.













