No ‘Book of the Stranger’ foram as Donzelas que se destacaram. Vimos Sansa em seu melhor momento, Daenerys voltando a mostrar sua força, Margaery sendo a fortaleza Tyrell no Septo de Baelor e Yara recebendo um apoio inesperado de um irmão que julgava perdido. Em um episódio de encontros improváveis (nós realmente vimos dois Starks se encontrando? Aquilo foi real? rs) tivemos alguns déjàvu, mais movimentações de peças e preparações para eventos que virão…  Wars are coming…

E nos reencontros de irmãos, foram as irmãs (Sansa, Margaery e Yara) que mostraram sua força. Girl Power em GoT!

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Norte

You’re the son of the last true Warden of the North. A monster has taken our home and our brother. We have to go back to Winterfell and save them both

Os núcleos do Norte (Winterfell + Muralha) construíram-se de tal forma que são justamente nas cenas frias e nevadas que temos os momentos mais interessantes da série atualmente. E a perspectiva da colisão entre esses núcleos só torna as coisas ainda mais promissoras. Definitivamente a dinâmica Patrulha/Boltons/Norte/Selvagens têm elevado a qualidade dessa 5ª temporada e a forma como as coisas tem se encaminhado me anima bastante. Até o momento é no Norte que temos os pontos altos dessa temporada.

Mas vamos ao que interessa. Não, não foi uma visão profética de algo que acontecerá no series finale. Nem um sonho de um personagem a terminar abruptamente em decepção. Sim, Sansa e Jon reencontraram-se e naquele abraço emocionante voltamos a ver dois Starks felizes e sorrindo. E como um reflexo do que víamos, quem de nós também não sorriu aliviado?

Porque é quase inacreditável que finalmente tivemos o reencontro de irmãos Starks, um dos momentos mais emocionantes e aguardados da série, vivido justamente por aqueles que eram menos apegados. Os desencontros entre os herdeiros de Ned já são quase uma mitologia da série. Por isso foi tão importante esse momento em que as histórias convergiram, uma forma de quebrar algo previsível e esperado, ainda que nesse caso o previsível seja a tragédia e o inesperado os sorrisos.

Linda a cena em que Sansa e Jon se encaram quase incrédulos, tão castigados pelos acontecimentos que se sucederam desde a última vez em que se viram, tão diferentes daqueles irmãos que conviviam em Winterfell. Se Jon matou homens e crianças, presenciou os horrores do Inverno e dos White Walkers e brutalmente encarou o fim de sua vida, Sansa também não sofreu menos. Três noivos e dois casamentos depois, a menina viveu inúmeras humilhações e esteve em uma das piores posições que uma mulher pode estar, violentada pelo homem a quem deve respeitar como marido. Quando achávamos que as coisas não poderiam tornar-se piores para Jon e Sansa, a série nos mostrava que estávamos enganados. Por isso o reencontro deles é catártico. Se Jon morreu literalmente, Sansa o fez metaforicamente e, agora, os dois renascem e juntos pretendem reconquistar o lugar que lhes é de direito.

Belíssima também a cena em que os dois comem com certo silêncio envolvendo-os. Unidos pelos laços de sangue e pelas memórias da infância, ali eles estão distantes depois de tanto sem se verem. Soma-se a isso o fato da relação dos dois ser frágil. Se havia um dos herdeiros Starks que via Jon como um bastardo, era Sansa. Mas todas essas diferenças são pequenas demais depois de tudo que eles viveram e obviamente Jon a perdoou de tudo que ela julga ter lhe feito de mal.

E que prazeroso foi acompanhar essa nova Sansa, tão decidida, tomando as rédeas da situação como eu imaginei que o novo Jon faria. Muito mais do que Jon ou qualquer outro ali, ela sabe quem é o monstro que atende pelo nome de Ramsay e ela não permitirá que ele governe sua casa. Esse foi o melhor episódio da personagem em toda a série, pois finalmente vimos sua evolução e transformação frente a tudo que viveu. Não culpo Jon por querer um pouco de paz depois de tudo que viveu. Mentira, culpo sim…  Felizmente ele relutou por pouco tempo e Sansa o convenceu a lutar. E, claro, Jon não ficaria indiferente às ameaças de Ramsay. Junto a Sansa ele sabe que é seu dever salvar seu irmão e sua casa.

A carta de Ramsay (aos leitores esta é uma clara referência à Pink Letter, apesar do contexto ser completamente diferente) funcionou perfeitamente para desencadear o conflito que tanto queremos ver (e que Melisandre já viu!). Snowbowl is coming! E essa já promete ser uma das grandes batalhas da série, a batalha dos bastardos Snow pela liderança do Norte.

No Norte vimos mais um personagem morrendo nas mãos de Ramsay. Um triste fim para Osha e uma prova de que o bastardo prestou bastante atenção às informações que Fedor lhe passou: ele havia contado a Ramsay sobre a selvagem que o seduziu para armar a fuga de Bran e Rickon de Winterfell. Ah Osha!  Dentro do que Ramsay poderia ter feito, quase podemos falar em ‘sorte’ ao vê-la morrendo assim, sem qualquer tortura… Osha era uma personagem querida, mas ela precipitou-se talvez por não saber com quem estava lidando. Ramsay definitivamente não é Theon. Como disse anteriormente, a única chance de Rickon não morrer (ainda) nessa história, seria justamente usá-lo como isca para Jon, tal como o Bolton fez. Mas isso não impede que o menino seja torturado e já fico feliz disso ainda não ter acontecido nesse episódio. Infelizmente não consigo imaginar um final feliz para Rickon e um novo reencontro Stark. Mas quem sabe?!

Na Muralha ainda pudemos ver que Davos quer, finalmente, mais explicações sobre o que ocorreu com a princesa Shireen e Stannis. Mas antes que Melisandre pudesse falar, Brienne os interrompe e revela-se a assassina de Stannis. Como será essa relação de Davos/Melisandre e Brienne lutando agora por uma mesma causa, mas com os corpos de Stannis e Renly entre eles? Deixarão os irmãos Baratheon para trás e lutarão agora pelos irmãos Starks?

Com Davos não sabemos, mas a relação de Brienne com Tormund parece bastante promissora, não? Como não shippar gente? O ‘Terror dos Gigantes’ acaba de conhecer a ‘Gigante’ mais querida de Westeros.  #Bromund

Vale do Arryn

Como é bom ver Mindinho e suas armações de volta à série! Mindinho é um dos personagens mais manipuladores de GOT e ele dá provas disso desde a 1ª temporada. Com suas tramas ardis, a habilidade de usar e descartar as pessoas como peças de seu próprio jogo e suas marcantes frases de efeito, Pety Baelish tornou-se um dos personagens mais significativos do jogo dos tronos. E como ele disse para Ned “Eu te avisei para não confiar em mim” é sempre bom lembrar que não devemos confiar nele.

Às vezes nos perdemos em suas tramas sem compreender que Mindinho luta unicamente por uma causa: a própria. Por trás de suas alianças com os Lannisters, Tyrell, Bolton ou as casas do Vale, não há interesses movidos pelo nome de uma família, pela fé, pelo reino ou mesmo por amor. A única coisa que o move é a pretensão de alcançar o poder. E no momento seu próximo objetivo é ser o Protetor do Norte, plano que começou a colocar em prática quando conquistou a confiança de Sansa e arranjou seu casamento com Ramsay Bolton.

E já faz bastante tempo que não vemos os movimentos calculados de Mindinho. Foi no The Gift (5×07) que ele deixou Sansa sozinha em Winterfell e retornou a Porto Real após um chamado de Cersei. Para manter a confiança de Cersei ele lhe revelou sobre a traição dos Boltons que casaram Sansa, fugitiva desde a morte de Joffrey, com Ramsay e pediu à Rainha que o deixasse liderar o exército do Vale para reconquistar Winterfell aos Lannisters. Em troca desejava ser nomeado o Protetor do Norte.

Em outro momento ele é confrontado por uma Olenna Tyrell, enfurecida pelo aprisionamento dos netos Margaery e Loras, que ameaça contar a todos sobre o envolvimento de Mindinho na morte de Joffrey caso os Tyrell pereçam. Mindinho revela seu papel ao entregar Olyvar para Cersei para que a Rainha arquitetasse as acusações contra os netos Tyrell. Em troca ele também garantiu ‘um jovem bonito’ para os planos da vovó Olenna. Pouco depois Lancel Lannister revelou ao Alto Septão sobre seu caso com Cersei, o que culminou com o aprisionamento da Lannister pela Fé. Ou seja, Mindinho esteve por trás e foi essencial no embate Tyrell x Lannister e a Fé. Nesse episódio vimos que as casas rivais planejam unir-se contra o inimigo comum, mas até o momento elas não perceberam que mais do que o Alto Septão e seus pardais, um de seus inimigos comuns é também aquele que julgam um aliado, Mindinho. Até quando os jogos de Mindinho passarão despercebidos?

Enquanto não temos essa resposta, vimos o Lorde Baelish manipulando mais uma de suas peças: o jovem Lorde Robin Arryn. Se personagens muito mais astutos caem na lábia de Mindinho, o que dizer do jovem que há poucos anos atrás ainda mamava nos peitos da mãe? Interessantíssimo como Mindinho induz o menino a dizer e ordenar seus próprios planos, um verdadeiro ventríloquo em suas mãos. Ao mesmo tempo em que ele leva o menino a condenar Yohn Royve em voz alta por uma suposta traição é ele quem apazigua os ânimos do menino franzino e ‘salva’ o Sir Royce do Portão da Lua. Garantindo sua lealdade à casa Arryn e seguindo as ordens de seu Lorde Mindinho Robin, Sor Yohn Royce irá liderar o exército do Vale para resgatar uma Sansa foragida e salvá-la dos Boltons. Nos planos de Mindinho o seu triunfo contra os Boltons aliado à sua ótima relação com Sansa e as promessas de Cersei farão dele incontestavelmente o Protetor do Norte. Mas há um Jon Snow no meio do caminho… Um Jon renascido, livre dos votos da Patrulha, movido pela honra da família e Stark e com grandes possibilidades de reunir as casas do Norte à sua causa.

Seja como for, a chegada de Mindinho e os cavaleiros do Vale à Muralha tem tudo para elevar ainda mais a qualidade da trama que se desenha no Norte de Westeros.

Porto Real

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Quando Cersei rearmou a Fé com o objetivo de desestabilizar a família Tyrell e minar a relação Margaery-Tommen, ela nunca poderia imaginar como as consequências de uma atitude impulsiva poderiam recair sobre ela. Mas principal e ironicamente, ela nunca poderia imaginar que seria justamente aos Tyrell que ela recorreria para colocar fim ao ‘monstro’ que criou, seria justamente dos Tyrell que ela precisaria para desestabilizar a Fé.

Olenna não poderia suportar ver a neta envergonhada em uma Caminha da Penitência, tão humilhada quanto Cersei. Se há alguém que gosta de relembrar toda a humilhação que Cersei passou é justamente Olenna então como ela poderia lidar com a neta sendo igualmente ridicularizada?

Diante de um inimigo em comum, as casas aliadas perante Westeros e inimigas dentro das paredes da Fortaleza Vermelha, traçam um plano que tanto pode acabar com a Fé Militante como pode instaurar uma Guerra Civil em Porto Real. Mas como bem pontuou vovó Olenna, haverá mortes de qualquer forma e enquanto os Tyrell e os Lannisters duelam internamente, o poder da Fé cresce cada vez mais externamente. A Caminhada de Margaery é um momento oportuno para eles agirem e vale lembrar que a Rainha, diferentemente de Cersei, é amada por seus súditos o que pode ajudar a colocar o povo ao lado dos Tyrell. Mas ainda assim, se tudo der errado, o Rei Tommen tem o trunfo de não ter participado do ato contra a Fé e a culpa recairá unicamente sobre os Tyrell. Sem o envolvimento dos exércitos Baratheon e Lannister podemos nos perguntar se tudo não passa apenas de um plano de Cersei para instigar os Tyrell contra a Fé… Enquanto ambos destroem-se os Lannnisters poderão reerguer-se novamente?

Enquanto isso, dentro do Septo de Baelor, presenciamos uma Margaery muito mais forte que seu frágil irmão Loras. No reencontro dos irmãos Tyrell, vemos novamente as mulheres mostrando sua força e é a Rainha quem promete a um Loras devastado que eles não irão ser derrotados e que devem permanecer lutando contra o jogo da Fé. Ela foi surpreendentemente liberada para ver o irmão após mostrar-se envolvida na história do Alto Pardal e na forma como  ele rejeitou as materialidades da vida. Ao que tudo indica, citando o Livro do Estranho e mostrando-se atenta aos ensinamentos da Fé, Margaery parece estar convencendo o Alto Pardal que está realmente envolvida com aquilo. Jonathan Pryce é excelente e seu Alto Pardal é extremamente convincente, mas achei todo aquele monólogo um tanto quanto cansativo.

Pyke

O retorno de mais um homem morto à vida. Considerado morto por sua irmã, Theon Greyjoy desembarca em sua terra natal prestes a renascer como um homem de ferro. Quando Yara liderou alguns homens para resgatá-lo das torturas de Ramsay, o Greyjoy recusou-se a seguir a irmã afirmando ser Reek e não Theon (relembre aqui). E agora, quando Theon retorna à Pyke coincidentemente após a morte de seu pai, é inevitável que Yara deduza que ele chega para reivindicar o trono. Mas em um mais um dos reencontros de irmãos nesse episódio, os laços familiares falam mais alto que qualquer orgulho ou desavença anterior e Theon apresenta-se disposto a ajudar sua forte irmã a tornar-se a primeira mulher a governar as Ilhas de Ferro.

Meeren

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Nesse episódio voltamos a ver Tyrion político e articulador o que é muito mais interessante do que restringir o personagem aos vinhos e piadas do episódio anterior. Sei que a decisão de Tyrion em estender a escravidão por sete anos foi parte de uma negociação para ganhar tempo, até porque duvido muito que Daenerys aceite isso quando retornar a Meeren. Mas eles realmente precisavam acalmar os ânimos da cidade e sob o domínio do terror causado pelos Filhos da Hárpia, Tyrion, Varys, Missandei e Verme Cinzento dificilmente reconquistariam o governo da cidade para a Rainha.

Ainda assim, esta é uma decisão extremamente polêmica que pode gerar o ódio de todos aqueles que chamam Dany de Mhysa. Mas parece que o retorno de Dany a Meeren ocorrerá mais rápido do que o previsto e se ela partiu com dragões, ela retornará, provavelmente, liderando um exército que fará qualquer senhor de escravo de Yunkai, Astapor ou Volantis temê-la ainda mais.

Vaes Dothrak

None of you are fit to lead the Dothraki. But I am. So I will

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Na última review eu havia comentado que não aceitaria ver Dany em mais uma fuga desesperada guiada por Jorah e Daario. Relembrei dos grandes momentos que ela havia vivido no templo das dosh khaleen e torci para que esse retorno à cidade dos khals trouxesse a Dany Rainha de volta. E quando Dany recusou-se a seguir Jorah e Daario eu sorri porque sabia que algo grande viria. Mas eu realmente não poderia prever os eventos que se sucederam. Em mais uma cena forte e marcante, Dany torna-se a ‘Queimadora de Khals’ e prova de uma vez por todas que, ao menos na série, ela é sim imune ao fogo e ao calor.

Ela foi extremamente inteligente e aproveitou a oportunidade de ter os khals reunidos e desarmados (como o próprio episódio nos relembrou é proibido derramar sangue na cidade sagrada) para pegá-los desprevenidos diante de sua ‘magia’. Fica uma dúvida: o fogo alastrou-se rapidamente por causa do óleo das piras que ela derrubou?

E aqui preciso fazer uma crítica à atuação de Emilia Clarke. A Dany de Emilia normalmente tem duas facetas, a de fodona rainha poderosa e a de fodida garota ferrada. E quando Dany encarava os khals dentro do templo, ela ostentava aquele seu já conhecido rosto de fodona e eu tive a certeza que ela sairia vitoriosa daquele embate. Não havia qualquer hesitação em seu olhar e eu não temi que algo ruim acontecesse.

Os dothraki são um povo que valoriza muito as demonstrações de força e quando um khalasar conquista outro, o khalasar vitorioso absorve o exército remanescente derrotado. Ali diante da pira da morte acendida por Dany, os dothraki presenciaram, em sua própria cidade sagrada, a khaleesi que derrotou inúmeros khals, a Não-Queimada que voltou a renascer do fogo. Admirados, amedrontados ou extasiados, eles curvaram-se para a Mãe dos Dragões. Em uma releitura da cena que fechou a 1ª temporada da série, a sensação de déjàvu é inevitável. Resta saber se essa adoração irá permanecer e se os dothraki irão realmente segui-la ou haverá focos de indignação e resistência pelo fato dela ter assassinado seus líderes. Na montanha-russa de eventos que ocorre com Dany, essa não é a primeira vez que ela é adorada por uma multidão. A cena final desse episódio foi linda e emocionante, mais uma para a coleção de cenas emblemáticas da Targaryen, mas eu espero que as consequências desse ocorrido tragam capítulos novos e diferentes para a história de Dany. E que de alguma forma os ventos comecem a soprá-la em direção a Westeros.

Tudo indica que ela acaba de (re)conquistar um exército de milhares de dothrakis para sua causa. Mas ela ainda precisa dos barcos. Ah, sempre os barcos…

Se esse foi o episódio Girl Power de GOT, a cena final de Dany foi o símbolo do empoderamento feminino. Go girls!

Suspiros Finais

– Ver Sansa e Jon reencontrando-se é quase como um crossover de séries distintas.

– Se a emoção desse reencontro foi tão grande, não consigo nem imaginar a sensação que seria ver Jon e Arya reunidos novamente.

– Brienne não esquece e também não perdoa!

– Emilia Clarke já confirmou que, diferentemente de Lena Headey, não usou dublê de corpo na cena final desse episódio.

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