Um animado casamento à luz de um discreto tom de roxo.

Sim! Gritem, comemorem, soltem seus corvos, espalhem a notícia. O rei Joffrey Baratheon está morto e, dessa maneira, um dos personagens mais detestáveis da televisão atual dá seu adeus em grande estilo. Fomos brindados com um episódio evento logo no início da temporada e o casamento real foi um ápice no seriado até agora. Tensão, humilhação, morte, acusações. Tem como não amar Westeros e seus casamentos banhados de sangue e lágrimas?

Mais um membro desse grandioso elenco que compõe “Game of Thrones” se foi nesse segundo episódio. E não foi qualquer um. O rei mais odiado por 10 entre 10 telespectadores foi envenenado por um de seus inúmeros desafetos e marcou a despedida de Jack Gleeson não só do seriado como da sua carreira artística. Pouco antes do início desta temporada, o ator tinha anunciado que ia abandonar a atuação e se dedicar a outra carreira, tornando assim o rei Joffrey o seu último papel. Só podemos agradecer a Jack por seu trabalho. Graças ao seu desempenho, pudemos sentir um enorme desprezo cada vez que o jovem rei aparecia na tela e o seu último trabalho vai ficar na memória de uma geração inteira.

Bem, as comemorações reais começaram com um café-da-manhã especial onde o rei recebeu seus presentes de casamento, já que um rei nunca pode ter demais, né? Ficou claro desde o início que o episódio a todo o momento estava nos recordando o quanto Joffrey era detestável. Desde a menção à morte do pai de Sansa ou a destruição do livro presenteado por Tyrion, tudo fez parte de uma artimanha dos roteiristas em reforçar na memória nosso ódio pelo personagem, tornando a cena final ainda mais satisfatória. E vale citar que este foi o episódio da temporada cujo roteiro foi adaptado pelo próprio George R.R. Martin. Colocar Martin como roteirista de um episódio de início de temporada com um acontecimento bombástico foi uma ótima sacada dos produtores. É óbvio que Martin conhece sua história nas mais incríveis minúcias e isso é perceptível no texto usado neste “The Lion and the Rose”. Fomos brindados com vários diálogos expositivos de fácil acesso a espectadores casuais e, ao mesmo tempo, incrivelmente fiéis aos livros. É perceptível o esforço das pessoas por trás do seriado em tornar o programa bem acessível para um novo público, que está buscando o seriado depois da curiosidade despertada por todo o falatório criado pelo casamento vermelho no fim da terceira temporada. Isso, aliado ao revezamento mais frequente dos personagens, mostra que o programa se tornou  mais fácil de acompanhar e mais gostoso de assistir.

A eficiente escrita de Martin, aliada a direção de Alex Graves, propiciou uma festa muito bem orquestrada. Filmada ao ar livre, com um enorme número de extras, cenários e figurinos, o casamento real representou o ápice desses 60 minutos. As insistentes humilhações de Joffrey ao seu tio Tyrion só elevavam nosso nível de incômodo e desprezo, afinal, tínhamos o personagem mais odiado do seriado humilhando aquele que tem a maior legião de fãs. Por fim, após ter sua torta cortada, o rei Joffrey começa a sufocar e morre nos braços da sua amarga mãe. Lógico que todos os olhos se voltaram para Tyrion, mas, depois do que aconteceu na festa, até eu suspeitaria que o anão tinha culpa na história. Acho que também suspeitaria de Sansa, mas, ao que parece, ela vai aproveitar a confusão e dar o fora dali de vez.

E, apesar de estarmos perdendo um dos maiores vilões do seriado, parece que já temos o concorrente para ocupar seu lugar. Ramsay Snow, o bastardo de Roose Bolton vai provando que é tão sádico quanto o finado rei fruto do incesto. Seu gosto por caçadas humanas, castração, esfolamentos e jogos psicológicos prova que não há melhor herdeiro para o posto de personagem a ser desprezado daqui pra frente, mérito também do trabalho de Iwan Rheon que fez o inesquecível Simon/Barry em Misfits. E não esqueçam que o pai de Ramsay foi um dos autores do casamento vermelho, onde traiu os Stark e pessoalmente matou o Rei do Norte. Agora vimos que os Bolton vão atrás dos últimos Stark vivos, já que Theon contou tudo sobre sua farsa em Winterfell. Acho que o maior ameaçado nesta história vai ser Rickon, o caçula Stark, já que Bran se encontra bem longe dos Bolton, além da Muralha. E o que dizer de Theon, ou melhor, Fedor? Só posso dizer que gosto bem mais do personagem vendo ele tão destruído psicologicamente e morrendo de medo de Ramsay.

Falando em Bran, este apareceu pela primeira vez na temporada numa cena que mais serviu para não esquecermos que ele ainda está na jogada, desenvolvendo seus poderes de warg e seguindo em direção ao norte. É uma pena que essa história tenha que seguir a passos tão lentos, mas espero que sejam criados mais momentos do herdeiro Stark para o seriado.

Por fim, este episódio também marcou a primeira aparição de Stannis e sua turma de Pedra do Dragão. Assim como ocorreu com Bran, suas cenas não serviram propósito além de fixar o personagem na memória dos telespectadores. Mas devo dizer que a cena da mulher vermelha com a filhinha dos Baratheon me agradou bastante. Foi mais um daqueles momentos em que George R.R. Martin brilhou num diálogo expositivo, ajudando a situar aqueles que ainda não entendiam o conflito religioso que também assola a disputa pelo trono.

Representando o primeiro grande evento de uma temporada que ainda dará muito que falar, “The Lion and the Rose” representa uma das melhores horas de “Game of Thrones”, graça principalmente ao roteiro de Martin, que se mostra cada vez mais confortável na função de adaptar sua própria obra. E depois de ver tudo o que vimos, concluímos que nunca há um casamento tedioso nos Sete Reinos e tampouco um episódio enfadonho neste seriado.

Em Tempo de Melhor Frase do Episódio: “Um brinde aos notáveis irmãos Lannisters: o maneta, o anão e a mãe da loucura” – Tyrion Lannister ao resumir a distinta prole de Tywin Lannister.

Em Tempo de Renovações: Felizes com a renovação pra mais duas temporadas? Esse foi o ultimato para o velhinho acelerar sua escrita e lançar logo o sexto livro.

Em Tempo de Precipitação: Não gostei da cena em que Cersei confrontou Brienne e a acusou de estar apaixonada por Jamie. Muito forçado.

Em Tempo de Novo Casal: Quem mais quer ver Oberyn Martell roubando o coração de Loras Tyrell?

Em Tempo de Investigações: E aí? Quem você acha que matou Joffrey? Sem SPOILERS, por favor.

Em Tempo de um Minuto de Silêncio: Pela pomba branca que não conseguiu sair do bolo e foi estraçalhada pela espada de Joffrey. Pois essa foi a única morte a lamentar no episódio.

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