Spoilers Abaixo:
Silêncio. O silêncio que permeou os créditos finais deste episódio foi o mesmo que me tomou enquanto tentava digeri-lo. A conclusão da jornada do Rei do Norte Robb Stark foi um dos momentos mais cruéis já vistos no entretenimento e supera em muito a inesperada decaptação de Ned Stark na primeira temporada. Ano passado, ao ler essa passagem do livro “A Tormenta das Espadas”, fiquei completamente sem ação, não conseguia acreditar no que tinha acontecido e fiquei semanas sem continuar a minha leitura tamanha minha indignação com o caminho que a história tinha tomado. O fato de saber o que iria acontecer tirou um pouco do choque e da surpresa ao ver o “Casamento Vermelho” em vídeo, mas o impacto do evento foi tão grande quanto da primeira vez. Catelyn Stark, Robb Stark, Talysa e seu filho ainda não nascido, todos massacrados pela vingança de Walder Frey e pela traição de Roose Bolton, que já podia ser telegrafada desde que libertou Jamie Lannister alguns episódios atrás.
Quando as portas do salão são fechadas e a música das “Chuvas de Castamere” começa a ser executada, fica claro não só para Catelyn, mas para todos nós, de que algo estava errado. Para quem não lembra, essa canção é uma música de vitória dos Lannisters, pois tem como inspiração a história contada por Cersei no episódio passado para intimidar Margaery, em que a família Reyne foi completamente dizimada por Tywin Lannister após uma tentativa de rebelião. Com certeza, isso não era um bom sinal. Curioso o caso de Talisa Stark, que é um personagem que não existe no material escrito por George R. R. Martin, então seu destino seria uma surpresa pra todos os expectadores do seriado, iniciados e não iniciados. E a ousadia de esfaquear uma criança no ventre de sua mãe serviu pra colocar a todos nós, sem exceção, na claustrofóbica sensação de tragédia que se iniciava.
O mais amargamente irônico é que Robb Stark perdeu a guerra, e a vida, sem perder nenhuma batalha. A honra foi sua queda, assim como foi a de seu pai. A nobreza não tem lugar neste mundo e os Freys, Boltons e Lannisters estão aí no poder pra provar isso.

Impossível falar deste evento sem comentar sobre Catelyn. A mais sofrida das personagens teve o mais trágico de todos os destinos, ao ter o último traço daquilo que fora sua família destruído sem que nada pudesse fazer. Assim, Michelle Fairley pode começar sua campanha ao Emmy de atriz coadjuvante. Este episódio coroou a temporada sensacional que ela teve, inclusive lhe dando a oportunidade de passar pelos 5 estágios da perda em apenas um minuto. Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação, uma tempestade de sentimentos quase que palpáveis e todos partindo da pobre Lady Stark, que presenciava o assassinato do último de seus filhos. Fora que a cena de sua garganta sendo cortada quando ela mesma já não tinha qualquer tipo de reação foi a maneira mais adequada para terminar um episódio que deve entrar para a história do mundo das séries. Parabéns aos escritores, ao diretor David Nutter (as tomadas abertas do massacre foram sensacionais e a construção de toda tensão ao longo da festa de casamento) e a todo o elenco presente nas Gêmeas. Foi uma adaptação inesquecível de um dos momentos mais importantes e cruéis da saga de Westeros e a disputa pelo seu trono de ferro.
E tão próxima de mais uma tragédia que recaía sobre sua família estava Arya, em uma esperada reunião que estava tão próxima, mas que foi violentamente interrompida. A relação entre Arya e o Cão de Caça promete se aprofundar ainda mais depois disso tudo, acredito até que o cavaleiro renegado comece a tomar conta da garota por pena. E não é difícil ter pena da mais jovem filha dos Starks depois de tudo pelo que ela passou. Arya parece querer seguir Catelyn na fama de sofredora, mas a grande diferença entre as duas será a atitude de Arya frente a isso. Ela vai querer vingança e podemos pôr nossas esperanças na garota. Mas, ao mesmo tempo, lembramos que Robb Stark também quis vingança e pusemos nossas esperanças nele. Difícil se investir emocionalmente nessa história, hein?
Incrível que num episódio marcado por um evento tão importante, ainda tenha havido espaço para mais. Primeiro foi o fato de, enfim, a história de Bran ter despertado nosso interesse. Foi preciso esperar até o penúltimo episódio para podermos ver o que há de tão especial no príncipe Stark e nos seus poderes. Ao que parece, Bran é o único troca-peles que pode controlar humanos, e Hodor experimentou o que é ter outra pessoa guiando suas ações. Além disso, ele entrou na pele de Verão, seu lobo selvagem, e ajudou o seu meio-irmão Jon Snow a sair de um momento tenso com os selvagens a quem fingia lealdade. Este foi um raro momento em que as histórias de distintos personagens se cruzaram, o que o tornou ainda mais único e interessante. No fim das contas, Bran decidiu ir além da Muralha para encontrar o corvo de três olhos que pode ajudá-lo a aperfeiçoar seus poderes, mas teve que se separar de Osha e do seu jovem irmão Rickon para mantê-lo seguro. Espero que a engrenada que essa história teve se mantenha com sua continuação. Enquanto isso, Jon, com seu disfarce desfeito, consegue fugir sem rumo e deixa sua amada Ygritte para trás. O rosto da selvagem ruiva foi de quebrar o coração ao perceber que tinha sido abandonada sem sequer uma olhada para trás de seu amado. Bem, só espero que Jon Snow esteja preparado para quando ela encontrá-lo novamente.
Já a khaleesi ficou totalmente deslocada aqui. Sua tomada de Yunkai pareceu meio corrida e mal contada e o ponto alto foi a habilidade que Verme Cinzento demonstrou com sua lança. Estranho ver que Dany tenha se envolvido tão rápido com o mercenário Daario, a ponto de ignorar o pobre Sor Jorah. Foram momentos bons da narrativa da Baía dos Escravos, mas totalmente ofuscadas frente ao restante do episódio.
Foi visceral, doloroso e cruel, mesmo que tenha sido esperado. E não se tratou de um episódio que se salvou por um final chocante, foi uma narrativa bem encadeada de momentos decisivos em todas as histórias apresentadas e que culminaram com a lição de que nem tudo pode ser como a gente gostaria que fosse. Mais pessoas passaram a odiar George R. R. Martin e mais pessoas ainda passaram a admirá-lo. Apesar de ter arruinado minha segunda-feira, “As Chuvas de Castamere” foi um episódio sensacional que abriu velhas feridas nos leitores dos livros e transportou para tela o horror de uma guerra sem honra.
Em Tempo de Reações: Gostaria dos testemunhos de vocês a respeito da reação que tiveram com o massacre do casamento vermelho. No meu caso, tive uma boca aberta, falta de palavras e uma leve tremedeira =(
Em Tempo de Ausências: Em um caso raríssimo na série, Porto Real e todos os seus personagens não apareceram neste penúltimo episódio. Somam-se a eles Stannis e sua turma.
Em Tempo de Nota de Rodapé: Samwell e Gilly chegaram a Muralha e agora preparam-se para entrar no castelo de Fortenoite abandonado pela Patrulha da Noite. Cena simples, rápida e que quase me esqueci de citar.
Em Tempo de Timing Perfeito: Que mijada mais conveniente a do Peixe Negro! Escapou por pouco.
Em Tempo de Despedidas do Elenco: Acho que esse foi o episódio com o maior número de mortes de personagens com destaque até hoje. Orell, Catelyn, Robb, Talysa e Vento Cinzento. Um minuto de silêncio para todos eles.
Em Tempo de Melhor Frase do Episódio: “Os Lannisters mandam suas lembranças” – Roose Bolton.





















