O Frontier de semana passada teve provavelmente a conclusão mais incerta da série até então, com numerosos plots indefinidos e em situações de eminente conflito, e, consequentemente, foi também uma das conclusões mais eficazes da série quando o assunto é prender a atenção do público. Para alguns desses núcleos, as promessas do episódio passado foram cumpridas, mas, via de regra, ‘The Disciple’ é uma oportunidade desperdiçada pelos velhos e conhecidos vícios de Frontier.

Facilmente um dos grandes pontos positivos da série, Grace tem tornado-se mais cativante a cada semana, provando estar sempre um ou dois passos a frente das forças masculinas que tomam conta da Hudson’s Bay, seja Benton ou Chesterfield, e até Declan Harp. A representatividade feminina, embora reduzida, é relativamente consistente quanto às protagonistas principais, e ganhou ainda mais força com a adição muitíssimo bem-vinda da personagem de Elizabeth, em Montreal, apresentada em uma breve cena da semana passada, e que foi peça central de ‘The Disciple’. Felizmente, as duas ofuscam os defeitos de outras personagens importantes, como Clenna e Sokanon, que mais uma vez são parte do plot mais arrastado e preguiçoso da série.

Nesse episódio em especial, a dinâmica entre Michael e Sokanon – que sugeriu mais uma vez um potencial interesse romântico entre os dois, mais enfaticamente do que em semanas passadas – é guiado por uma tremenda e evidente falta de química entre Jessica Matten e Landon Liboiron, além de repetir exatamente os mesmos beats dramáticos de episódios anteriores, trazendo pouca ou nula novidade para personagens já superficiais. A introdução de Clenna, ainda por cima, parece reduzir o núcleo à uma espécie de triângulo amoroso platônico, recheado de diálogos sonolentos e drama previsível.

Outra chance perdida é a do confronto entre Harp e Lord Benton, para o qual Frontier nos preparou acumulando expectativas a cada semana, e que, em vez de ser palco para revelações impactantes, desenvolvimento psicológico do principal vilão e grande protagonista, acaba, também, sendo uma longuíssima repetição de elementos já conhecidos e relembrados à exaustão. Benton não passa de um clichê ambulante, que quer “trazer a civilização à América”, louco por poder e violento e cruel por natureza. Harp, por sua vez, personagem que em premissa é bastante complexo e interessante, é frequentemente reduzido ao ódio que sente por Benton, e à morte de sua família – motivações válidas e poderosas, mas que tem uma certa data de validade dramaticamente falando. Sua condição dual de nativo e europeu simultaneamente, é raramente explorada, exceto quando o objetivo é lembrar que Harp foi outrora um discípulo de Benton.

As cenas, ainda por cima, embora guiadas pela excelente atuação de Momoa, que evita cair na caricatura de cenas de sofrimento, também cheira à um certo sadismo puro, e é impossível não lembrar dos deploráveis Ramsay Bolton e King Jeoffrey de Game of Thrones, personagens duramente criticados e que também protagonizaram cenas de violência e tortura excessivamente longas e que nada acrescentavam ao desenvolvimento da história ou dos personagens.

Desligando a cabeça um pouco para os numerosos plot-holes e planos tão irracionais que é surreal imaginar que foram concebidos por uma sala de roteiristas – desde o plano de fuga de Sokanon e Michael, até a segurança do prisioneiro número um da baía com um exército de incríveis dois soldados -, o final de ‘The Disciple’ é novamente cativante, principalmente por sugerir, finalmente, a junção dos núcleos da baía e de Montreal, com a revelação de que Samuel Grant viajará rumo ao norte para resolver os negócios em Fort James. O teaser ao final do episódio promete: there will be blood. Resta saber se there will be bons diálogos, desenvolvimento de personagens e algum pingo de originalidade pra encerrar essa primeira temporada.

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