O caos prevalece em um tributo ao antigo e congratulação ao novo em From Dusk Till Dawn.
Com a premissa de ser a adaptação de um filme para as telinhas, From Dusk Till Dawn carrega a difícil missão de ser uma ponte entre o velho e o novo. E indo além, ser uma porta de boas-vindas a renovação de um material que convenhamos, se encaixaria perfeitamente em uma minissérie, não em uma produção com mais de três temporadas. Por isso, estamos vivendo a partir de Pandemonium a prova de fogo para as mentes por trás dessa adaptação.
Existem muitas similaridades entre série e filme, mas também existem diferenças gritantes. A própria mitologia baseada em cobras é algo exclusivo da Tv, nos filmes tínhamos vampiros no sentido mais Bram Stocker da palavra (apesar da dança cobra da Salma Hayek). Mesmo assim, o serviço de Greg Nicotero como responsável pela maquiagem está ímpar, assim como também é extremamente bem feito em outra série que ele trabalha, The Walking Dead.
A própria revelação de que o bar Titty Twister havia sido construído em cima de um templo só veio no final do filme, uma surpresa extremamente agradável para quem acompanhou toda a insanidade de Robert Rodriguez. Aqui, já sabemos de tudo isso e essa é uma sacada muito inteligente. O filme pode terminar com uma informação dessas porque ele não precisa se aprofundar mais, você entra, vê o desenvolvimento dos personagens e a ação frenética, mas depois pode descansar sem informações tão profundas. Aqui é preciso ir além, afinal, quando concluímos uma temporada teremos passado praticamente 10 horas acompanhando a série.
E é isso que justifica também o ritmo bem mais lento dos primeiros seis episódios. Agora estamos amigos dos irmãos Gecko, da família Fuller e de certa forma torcendo pelo sucesso (ou fracasso) da missão central de todos os personagens. Isso só você poderá dizer. Pessoalmente torço pelo sucesso de todos, menos Scott Bruce Lee, que está amaldiçoado com a sina do ator que não vive as expectativas levantadas pela carga emocional do texto. Uma pena. Tudo o que o rapaz passou, com o pai congelado e a irmã rezando durante o ataque deveria ter sido muito melhor em cena, mas claramente foi bom mesmo no papel. Faltou algo a mais que embasasse a revolta e decepção, que construiriam uma base forte para que ele se tornasse o homem da família. Enfim, o tratamento que Scott merecia terminou da mesma forma que as minhas esperanças para o personagem, jogadas em um poço fundo e sem destino concreto. É um daqueles casos que só me resta esperar pela melhora do ator, porque o personagem mesmo está a mercê desse fator.
Ainda discorrendo sobre a importância da série, os Nove aparecem para dar uma força maior as motivações de Santaníco e Carlos. Se me permitem, Wilmer Valderrama foi um ator de novelas mexicanas, as chamadas Soup Operas e é algo que transparece muito em sua atuação. Mas esse ar meio cômico casa bem com o gore que a série jogou em nossas caras. Afinal, por que eu deveria levar a sério um personagem em uma cena onde pedaços de corpo humano estão sendo degustados? Não dá.
Ao passo que Carlos passa uma imagem mais fraca, Santaníco ainda expõe toda a dubiedade de uma semideusa que ninguém, além de seu súdito (imagino) sabe a que veio. Sair do bar/templo nós sabemos que alguns deles podem. Logo, sou levado a acreditar que a moça cobra precise de algo para poder ser liberta, ou de sua maldição, ou de sua prisão física. Algo ligado a profecia.
Por falar em profecia, como não amar o professor Sex Machine? Olha, essa arma piroca já entrou no rol de momentos para eternizar em uma série de TV. Não é nenhuma novidade, mas é totalmente galhofas, tão galhofas quanto dizer galhofas em pleno 2014. Se é que vocês me entendem.
Gosto dessa loucura toda e estava ansiando por algo assim. Clamo por um dia em que Planeta Terror será adaptado para a telinha. Todas as cenas com terror grotesco, carregadas de sangue e loucura são a marca da série. Além disso, gostei da forma como tudo foi conduzido a chegar a um ponto em que não só os personagens, mas nós também estamos passando por um processo de adaptação.
Até alguns episódios atrás nós sabíamos da existência dessas criaturas, sabíamos também do que se tratava a série, mas os personagens encontram-se em um momento tão caótico, que somos puxados para o mesmo ambiente. Isso é a imersão. Toda série precisa lidar dessa maneira com seu “mundo”, afinal, ela está criando um universo. Somos conduzidos por mitologias, heróis, rituais, todos os ingredientes para uma receita fantástica. Esse trabalho a série tem feito com primor.
Ainda vejo alguns pontos na série que poderiam ser melhorados. Sendo a atuação o maior deles. As cenas mexicanas são carregadas de um ar pastelão muito grande e eu queria viver sem esse clichê. Infelizmente essa também é parte da assinatura do Rodriguez que preza por personagens próximos do caricato, alguns, totalmente (ainda não me esqueci e nunca irei me esquecer da arma piroca). No entanto, o caos está reinando e deverá permanecer frenético até a conclusão da série. Enquanto a loucura prevalecer, nós não teremos muito tempo para respirar, entretanto, a série ainda deverá dar alguma pausa considerável antes de explodir novamente nas nossas caras.
From Dusk Till Dawn então vem para tentar ser mais do que o filme foi. Com o material nas mãos ela precisa pontuar bem os detalhes importantes do filme e imprimir seu próprio ritmo e mitologia (apesar de não poder se distanciar muito da original). Até agora tenho ficado muito feliz com a série, tirando o momento tortuoso que passamos na fronteira, a tensão tem crescido bem e o susto ao ver Richie levando um tiro surpresa do Ranger não foi coisa pouca. Agora os personagens deverão embarcar em uma missão crucial, resgatar os seus sem perder a si mesmos no processo. Fé não é algo leviano e a partir do momento em que você encara o diabo, ele olha de volta para você e então, não tem mais volta.
Ps. Banda vampira com violino e muita língua pra fora – Aprovado!
Ps². Veneno de cobra para vampicobras? Me abraça porque estou perdido.
Ps³. “Puto! Did you miss me, amigo?” Já podem fazer uma camiseta com os dizeres.
Ps4. Pequena Kate com a motosserra, casa comigo?















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