Pandemonium nunca foi algo tão belo.

Foram seis episódios, seis episódios construindo a trama e trabalhando caminhos. Tudo planejado para conhecermos Pandemonium, tudo planejado para os novatos conhecerem a mente perturbada de Robert Rodriguez. Estamos quase lá. Felizmente a série soube melhorar, se comparado a seu último episódio. Mas ainda temos alguns pontos interessantes a analisar.

Do quase beijo entre Richie e Kate eu não comentarei a respeito da idade da menina, acho que isso não representa absolutamente nada de relevante. Quero falar mais sobre o que significaria o relacionamento desses dois. Mais uma vez a série quer nos levar a acreditar que estamos acompanhando uma luta bem mais primordial. O desejo e a separação entre o bem e o mal. Kate está sempre simbolizando a inocência ao passo que Richie sempre mostra alguém que não está pronto para conviver com um lado menos caótico de si mesmo. O beijo entre os dois é exatamente isso. A própria frase perpetuada com tanto afinco “Me liberte” proferida pelos lábios de uma menina virgem (acredito) demonstra que escolhas deverão ser feitas, cedo ou tarde. Para se aceitar o prato oferecido por essa criatura chamada Pandemonium, algumas concessões deverão ser feitas.

Ainda falando do Richie, é nesse episódio que vemos o que aconteceu na cabana, fato mencionado pela noiva do Seth. Também foi o primeiro contato dele com a faca, dada por Carlos. Ainda não sabemos o que o levou a entregar a faca logo para Richie, ou o que o tornou o escolhido, mas assim como Gonzalez, o mais novo dos Gecko também pagou um preço alto pela posse daquele instrumento. Foi apenas quando a deusa cobra apareceu que a vida do personagem ganhou um sentido, mais uma vez amarrando o plano central de Carlos. Se a ideia de “destino” não havia ficado clara antes, agora está praticamente transparente. Tudo aconteceu por um motivo. Só nos resta saber de quem são esses motivos.

Depois de passar alguns episódios deixando Freddie Gonzalez como um bunda mole de alto padrão, a série tirou um episódio para deixa-lo mais machão e com certeza mais relevante. Até então ele só tinha mostrado a que veio mesmo lá no começo, entretanto assim que os Gecko encontraram os Fuller, nada do que o ranger fazia realmente tinha alguma significância. Depois desse episódio em que o cara já estava decapitando vilões e roubando motos, fica bem óbvio que ele passou de quase nada para um alguém. E por falar em roubar motos, para quem acompanhou filmes do gênero por muito tempo, sabem mais do que eu que esse é o momento em que meninos se tornam homens.

A única coisa que ainda me deixa completamente confuso, e imagino que seja a intenção mesmo, é a presença dos vampiros chefões. Nesse episódio conhecemos Narcisso, que além de nos mostrar que a série gosta de ser clichê nos nomes dos personagens, também mostrou que ela gosta de brincar com diferentes linhas de pensamento no mesmo prato. Seth continua em sua busca pelo prêmio prometido por Carlos, mas acho que só após esse episódio ele perceberá que para sobreviver ele vai precisar de muito mais do que uma habilidade impar de esconder seus bens. E se você não reparou essa última parte foi ironia.

Se a antecipação era para quando a série finalmente alcançaria o filme, agora que isso aconteceu, para onde iremos? Existe aqui um prazo de validade para From Dusk Till Dawn, se não existe, deveria. Infelizmente a moda hoje em dia é explorar produções até a exaustão, pegar personagens e surrá-los emocionalmente ou fisicamente, fazendo-os beirar a morte, não a física, essa seria boa em alguns casos, mas sim a morte da relevância. Para deixar claro, o filme de Robert Rodriguez pode sim ser explorado em duas, até três temporadas, depois disso a série precisará ou terminar, ou ir além, coisa que não deverá ser problema já que a mente por trás dela é a do próprio criador do material original. Meu medo é que se repita algo bem comum a indústria, o criador sempre ultrapassa as fronteiras e sai em busca de outras produções, deixando a cria para outra pessoa. Resta torcer que essa seja capaz e que a série saiba balancear bem seu ritmo, nem ficando rápida demais, ou dolorosamente lenta.

E por falar nisso, vocês notaram que o episódio anterior foi exatamente essa denotação de erro primário? Enquanto lá passamos 42 minutos dentro do trailer, vivendo a não tensão do momento de cruzar a fronteira, aqui tivemos a verdadeira emoção, com nossos personagens sofrendo algum risco verdadeiro. Ou seja, ambos os casos são idênticos. Gecko e Fuller presos e sem a alternativa de fuga, ameaçados tanto pela presença de Carlos, quanto a do Ranger. Por que então no episódio anterior eu só senti tédio e nesse eu me preocupei? A resposta é bem simples, From Dusk Till Dawn não sabe se controlar o que quer passar para o telespectador.

Mas a assinatura de Robert está lá, mesmo antes de tudo ficar surtado já temos algumas dicas de onde chegaremos. Arma de genitália não é uma coisa extremamente inédita, Rodriguez vem fazendo isso faz muito tempo, no seu último filme ‘Machete Kills’, Sofia Vergara (Modern Family) ostenta duas metralhadoras nos seios. Isso significa que a loucura está prestes a chegar, com tudo.

Sendo assim, o resultado pra mim tem sido um só, frustração. Eu realmente quero saber aonde os personagens chegarão, já assisti ao filme, mas entendo que aqui as coisas deverão ser diferentes. Mas me frustro por saber que ela pode mais do que está passando atualmente. Ficar construindo a tensão é inteligente, nos faz querer mais, mas manter esse clima é muito mais importante para a série. Acompanhar From Dusk Till Dawn é viver em um limbo de quase, quase acerto, quase erro, quase.

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