
Close.
Spoilers Finais Abaixo:
Foram 100 episódios de Fringe e ainda assim, não parece o bastante. Cinco anos e ainda assim, parece que foi ontem que começamos nossa jornada ao lado de personagens incríveis e inesquecíveis. Cem episódios e cinco anos de incertezas, medos. Mas também 100 episódios e cinco anos com uma das séries mais bem produzidas, corajosas e elaboradas da TV, que proporcionou aos fãs um nível absurdo de envolvimento e participação.
Ser fã de Fringe não se trata apenas de assistir a um episódio. Ser fã de Fringe é questionar, procurar detalhes, esmiuçar as possibilidades desse complexo universo criado como pano de fundo para uma linda história de amor. Essa é a palavra chave. Essa é a palavra que todo mundo que aprecia ficção científica abomina, porque, via de regra, ela resolve tudo de modo fácil e anticlimático.
Ao longo desses cinco anos, mudei radicalmente de opinião a respeito desse recurso, talvez porque, nesse caso específico, essa emoção tenha sido perfeitamente utilizada. Em Fringe o amor serviu como guia e não como solução. Ou talvez, minha opinião tenha mudado porque eu ame também. Afinal, quem sou eu para reclamar de amor, quando eu amo tanto Fringe?
Esse último texto (pois é, nunca pensei que esse dia chegaria) não é apenas para falar do amor que todos nós compartilhamos por Fringe. Isso também faz parte do pacote, mas como sempre, vou tentar trazer o máximo possível de questões pertinentes para a compreensão maior da história da série. Lembrando que “o máximo possível” não representa tudo, inclusive porque algumas questões ficam para nossa imaginação resolver.
De forma geral, é possível dizer que Fringe conseguiu cumprir sua proposta na íntegra. Apesar da mudança de narrativa que acontece a partir do final da 4ª temporada (mais exatamente em Letters Of Transit), o início e o final da série são amplamente conectados. Já elogiei em outras ocasiões a capacidade miraculosa desses roteiristas em costurar os retalhos deixados no caminho dos mistérios e insinuações. Cada temporada conseguiu manter sua importância e praticamente todos os episódios exibidos encontraram ou criaram algum link que merece destaque. Para “visualizar” esse fato muito melhor, só fazendo uma maratona da série, exercício esse, que vai melhorar muito a percepção de cada elemento plantado nesses anos, mostrando como eles compactuam para a história central e como Fringe é mestre em utilizar a própria mitologia.
Nessa hora da despedida, vale destacar como Fringe evoluiu. O twist decisivo foi a entrada de J.H. Wyman para a equipe de produção, entre o fim da primeira e o inicio da segunda temporada. A dupla que ele formou com Jeff Pinkner salvou a série, podem estar certos disso. Sem eles, Fringe não teria durado além da Season 2, até porque, a maioria do público estava completamente perdida na trama, vivia reclamando da falta de ritmo e da aleatoriedade das coisas na Season 1.
Não é pecado dizer que era (ou parecia) tudo nebuloso no começo e que o texto não mostrava a que vinha, porque Fringe conseguiu amadurecer sua proposta de forma quase mágica. Com o que viria a se tornar nossa dupla favorita de showrunners, o quebra cabeças começou a se construir e pudemos finalmente apreciar o que a história tinha a oferecer. Não pretendo, com isso, desvalorizar o trabalho do trio de criadores, encabeçado por J.J.Abrams, com Roberto Orci e Alex Kurtzman, afinal, a base de Fringe vêm deles. Só é preciso deixar bem claro para todos quem realmente colocou a mão na massa e quem deve ter passado longas horas desenvolvendo o miolo da série, porque é isso o que realmente interessa, não apenas o Piloto ou a Finale (que foi escrita pelos criadores e por Wyman, já que Pinkner deixou a produção há pouco tempo).
Hoje em dia, com o poder de olhar tudo em perspectiva, considero a 1ª temporada como ótima e essencial para tudo o que vimos acontecer. Ela planta cada conceito com a maior calma do mundo, cria uma base sólida para a ciência de Fringe e para os relacionamentos entre os personagens. Foi revendo a série que eu aprendi a não julgar nada como ‘casinho da semana’ ou a dizer que algo não funciona antes de chegar até o final de cada arco. Aprendi que nada em Fringe era feito por acaso e que se eu quisesse aproveitar a viagem, deveria apreciar as miudezas, sem deixar de lado o quadro maior.
O segundo ano da série veio para trazer fôlego e fez isso com primor. É uma temporada cheia de ação, novidades e mistérios, que permitiu que a 3ª ousasse como poucas vezes se viu na teledramaturgia. Acredito que esse ‘meio’ da série seja o ano favorito de 90% dos fãs e é incontestável que Fringe fez uma temporada absolutamente perfeita, em todos os sentidos. Foi aí que as expectativas subiram a novos níveis e mesmo assim, quando entramos na quarta temporada, o medo do cancelamento rondava. Muita gente começou a se decepcionar com o rumo das coisas – creio que alguns até desistiram de Fringe – mas mesmo começando devagar, acho que houve uma boa recuperação, da metade para o fim. Desse modo é que a linha da série mudou um pouco e entramos na reta final.
Ainda sou incapaz de entender as pessoas que acham/acharam que a invasão dos Observadores não fazia sentido algum, estando essa história presente desde o Piloto. O veredicto é de que essa 5ª temporada foi um desafio cumprido. O tempo era extremamente curto para a quantidade de informações que precisam chegar até nós, mas Fringe conseguiu completar sua saga sem deixar de lado suas características principais.
A 5ª e última temporada pode até estar longe da genialidade e da ousadia vistas na terceira, mas honra e faz justiça à proposta maior de Fringe: fazer ficção cientifica de qualidade. Eu até usaria a expressão “pé no chão” para descrever grande parte do texto apresentado até aqui, apesar de termos visto a “doideira” tradicional da série em alguns momentos.
Com apenas 13 episódios, conseguiram cobrir muito da trama, planejada para sete temporadas, inicialmente. Foi quase um milagre ver todo o desenvolvimento a respeito dos Observadores ganhar lugar e respostas adequadas. Estava na cara que esse arco seria desenvolvido com muito mais calma, mas com audiência tão ruim e altos custos de produção, Fringe se transformou num alvo da Fox. E nem acho que a decisão de cancelar seja sacanagem por parte dos executivos da emissora, que afinal de contas é um negócio e precisa obter lucros. Só que a Fox já estava escolada no assunto, porque Firefly, cancelada antes de poder completar seu primeiro ano, virou um símbolo para os cancelamentos precoces na área de sci-fi. Se Fringe chegou a completar os 100 episódios, podem ter certeza de que esse histórico nada agradável ajudou. Ficou bem claro que a emissora não pretendia queimar sua imagem novamente.
Como fã, eu gostaria que Fringe tivesse mais temporadas, mas já agradeço pela chance de um desfecho planejado, na medida do possível. Poderia ser melhor se houvesse mais tempo? Sem dúvida. Mas não podemos esquecer que, assim como na relação entre Walter e Peter, muito do nosso tempo com Fringe foi roubado. Sofremos tanto com as ameaças de cancelamento e fizemos tantas campanhas para que isso não acontecesse que não consigo deixar de lado a ideia de que essa é nossa maior e mais bela metáfora. Roubamos nosso tempo extra com Fringe e sei que, assim como eu, vocês também não trocariam essa oportunidade por mais nada.
Falando assim, uma coisa fica bastante clara: a Series Finale de Fringe é perfeita quando o quesito emocional entra em cena. Souberam usar direitinho nosso apego com os personagens e o resultado (pelo menos para mim) foi um chororô sem fim, com direito a soluços, olhos inchados, lencinhos se acumulando aos montes e uma baita dor de cabeça para completar. Mesmo que eu não pretendesse ver os episódios pelo menos duas vezes antes de escrever essa review, eu seria obrigada a fazê-lo. Na segunda tentativa, um pouco mais controlada, foi possível apreciar o trabalho cuidadoso dos roteiristas, que deixaram alguns mimos espalhados para o público. Foi uma Series Finale como todo fã gosta, que resgatou fatos marcantes, mostrou personagens queridos e que não pecou pela falta de consequências, num desfecho que, apesar de muito bonito, é de cortar o coração.
A respeito da trilha sonora, efeitos especiais, fotografia e tudo o que contribui para que Fringe seja o que é, não há reclamações, mas tenho uma pequena ressalva quanto ao ritmo. Em alguns momentos senti que a coisa poderia ser levada de modo mais ágil, talvez porque eu quisesse ficar sem fôlego enquanto assistia. Em contrapartida, sou capaz de compreender a proposta e as escolhas feitas pela produção, que optou por terminar tudo sem pressa e sem afobação. Foram duas horas para aproveitar, para degustar.
Essa sensação foi mais constante até a metade de “Liberty”, focada na preparação para o resgate de Michael. Depois disso, com Olivia revisitando o saudoso Lado B, o episódio ganha vida e já imprime bom timing. Essa chance de ver novamente Bolivia e Lincoln foi um verdadeiro presente. Confesso que senti desejo de ver Walternativo também, com 90 anos, ainda na ativa, ensinando, mas tudo bem. A perspectiva de que ali, naquele universo, a história seguiu mais feliz, foi uma injeção de esperança.
Uma grande surpresa veio do abraço sincero entre Olivia e Bolivia. Não esperava essa aproximação das duas, mas fiquei satisfeita com o resultado e principalmente pela chance de saber que Bolivia e Lincoln são casados, tem um filho e comandam a ainda existente Fringe Division. Foi bom rever o Zeppelin (eu nunca saberia de que lado estamos sem ele!), a Estátua da Liberdade em bronze e saber que no lado B, Chelsea Clinton lidera as campanhas para a presidência dos EUA, o dólar está em alta, Detroit é cidade mais segura do país e que, principalmente e mais importante do que tudo, a Warner preparará um remake de Harry Potter, lá por 2036. Nessa imagem não dá para ler a frase toda, mas repassem a cena e verão que a mensagem de rodapé é essa, exatamente.

Toda a sequência no lado B foi bem rápida, mas absolutamente valorosa. Só possível pelo retorno triunfal do cortexiphan (que dura 127 anos!) injetado em Olivia, o que permitiu que ela se tornasse aquela criatura fodástica de outros tempos, com habilidades maravilhosas de um ser humano, potencializadas pela substância que a permite usar a mente para controlar diversas situações.
O plano de resgate de Michael foi muito bem pensado e inserido, mas o tal “grande plano” que guiou a temporada encontrou problemas. Um tanto frustrante ver toda a preparação porque passamos ser substituída por um insight de Asgard, porque convenhamos, a ideia de usar as linhas de transporte dos Observadores como ‘whormhole’ é bastante fácil, já que servem justamente para levar objetos através do tempo/espaço.
Não é nem que não seja uma boa proposta, porque se encaixa perfeitamente, mas é por pensar em alguns episódios dedicados a recolher os itens necessários para que tudo desse certo, que ficam meio que invalidados. Também fico com pena de September, que passou um tempão montando tudo aquilo para não poder utilizar o maravilhoso dispositivo do futuro que resetaria o tempo. Os pequenos problemas técnicos também nos guiam a um velho conhecido, December, e à revelação de que os 12 cientistas originais (e não apenas August e September) ganharam sentimentos após a convivência com humanos comuns. Vale lembrar ainda que os 12 cientistas não faziam ideia de que estavam colhendo as informações que determinariam um ponto na história da humanidade em que uma invasão seria mais bem sucedida e por isso, é natural que alguns deles ajudem na Resistência.
Nesses episódios, a mitologia dos Observadores se completa muito bem e, em pequenos detalhes percebemos que a tentativa de suprimir emoções em nome de maior inteligência foi um erro de proporções épicas. Primeiro pelo resultado gerado para o planeta com a consequente eliminação da raça humana. No futuro, a Terra fica perto do fim, já que a própria necessidade genética dos Observadores exige que eles destruam recursos naturais em troca de ar poluído. Podem reparar que nos vislumbres do futuro não há vegetação, apenas florestas de concreto, o que leva a crer que os Observadores causaram um colapso ambiental. É como se eles estivessem movendo o problema no espaço/tempo. Tenho a teoria de que eles continuariam invadindo um universo paralelo atrás do outro, causando estragos e extinção em todos os lugares.
Pensando nisso, chego à conclusão de que a única pessoa a saber dessa grande verdade é Michael e por isso ele é tão importante e deve permanecer vivo. Suas habilidades foram reveladas parcialmente, mostrando que ele possui uma espécie de blindagem refletora em seu cérebro, sendo capaz de evitar as “invasões” de Windmark e fazer com ele sentisse os efeitos que pretendia causar. Tudo isso foi sutilmente colocado, assim como a ideia de que Michael tem um cérebro capaz de reter informações de presente/passado/futuro, não sendo sua memória atingida por qualquer alteração nas timelines. Só isso explica o fato de ele saber sobre a história de Peter e Walter, além de lembrar-se de sua relação com Olivia na timeline que foi apagada.

Michael seria uma espécie de oráculo, com acesso a todas as informações, de qualquer pessoa, em qualquer época e capacidade de calcular futuros prováveis com generosas chances de acerto e, por generosas, quero dizer que ele é mais acurado que um Observador, por exemplo. Por isso é que ele sabia que deveria saltar do trem e se deixar capturar. Sem isso todos os seus guardiões seriam presos e o plano estaria destruído. Ele também sabia que Olivia viria para resgatá-lo (o sorrisinho no rosto entrega tudo) e que isso seria essencial para o andamento das coisas.
Pelo alto nível de atividade cerebral que possui, ele sequer consegue se comunicar do modo tradicional, e é por esse motivo que dá até para acreditar que ele poderia mudar os planos do tal cientista em Oslo, Noruega, com um simples toque em sua mão, usando a transferência de pensamentos (sendo essa uma das palavras que vimos na abertura da série). Assim como Walter se arrependeu do resultado que seu trabalho avançado causou para a humanidade, o vislumbre dessa possibilidade poderia mudar a opinião do homem que criou os Observadores.
Quando Windmark percebe esse fato e revela a seu superior que Michael é uma criatura muito mais habilidosa e diferente do que eles jamais poderiam imaginar, é óbvio o pedido para que ele seja destruído e para que suas partes sejam estudadas, embora nem mesmo toda a tecnologia a que os Observadores têm acesso seja capaz de compreendê-lo na íntegra.
Depois de recebermos essa dose maciça de informações, entramos em “An Enemy Of Faith” sabendo que o grosso da carga emocional da Series Finale está prestes a nos atingir. Enquanto a preparação para o plano continua e confirmamos que Broyles é “A Pomba”, embora ele faça a brincadeira sobre ser “O Corvo”, somos presenteados com muitas despedidas. A primeira delas pautada pela exibição da fita que contém o destino de Walter e boa parte da explicação de como funcionaria a nova timeline resetada. Essa é, definitivamente, uma cena para rever. Texto belíssimo, que contém explicações simples sobre o destino dessas pessoas, e de fazer chorar até o dono do coração mais peludo.
A história do tempo emprestado e dos motivos pelos quais Walter precisa se afastar daqueles a quem mais ama é triste ao mesmo tempo em que é absolutamente justa com a trajetória do personagem. Sem dúvidas, Michael mostra a ele a antiga timeline para que Walter pudesse partir sabendo o que significou sua relação com Peter. Nessa cena, senti como se John Noble e Joshua Jackson fossem pai e filho de verdade, encarando o que precisa acontecer para que outros possam ser felizes. O grande inimigo do destino é, de fato, Walter. O homem que foi capaz de tudo para salvar o filho que nem era dele e que agora, depois de muitas aventuras, precisa encarar, justamente, seu próprio destino para que Peter, Olivia e Etta possam ser uma família de novo.

Um pouco depois é a vez de Astrid e Gene. E aqui, até os Observadores que ainda não desenvolveram emoções, choraram. Os roteiristas sabem exatamente como nos comover e deixar Gene de lado (mesmo no âmbar, porque ela muge muito alto) seria um tremendo e irreparável erro. Apesar de eu ainda achar que Astrid foi pouco explorada e teria muito mais potencial, o reconhecimento e a lembrança de que ela foi a pessoa mais paciente do multiverso ao lidar com as maluquices de Walter era merecido. Fiquei com um sorriso besta no rosto quando Walter fala que Astrid é um belo nome. Estava na hora.
Sem deixar de lado o emocional (porque sou apegada aos casos de Fringe), o episódio proporciona uma espécie de ‘festival das bizarrices’, trazendo de volta algumas das mais icônicas situações, na ofensiva ativada por Peter e Olivia para conseguir o estabilizador de doca, que reverteria o fluxo de passagem na linha de transporte, permitindo a ida de Michael e seu acompanhante para o futuro.
Dessas bizarrices, minha favorita sempre foi a do ataque das borboletas “invisíveis”, vista no episódio ‘The Dreamscape’ (1×09), mas havia muitas outras em curso durante o ataque. A “lula” que aparece em ‘Snakehead’ (2×09) e durante o arco de William Bell na 4ª temporada, o vírus da gripe em tamanho gigante de ‘Bound’ (1×11), a toxina que fechava todos os orifícios do corpo, utilizada em ‘Ability’ (1×14) e ‘The Bullet That Saved The World’ (5×04), as micro-ondas que explodem cabeças de ‘The Cure’ (1×06).
O último corpo pelo qual Peter e Olivia passam pode remeter a dois casos. O da toxina que dissolve carne, vista no Piloto, ou uma semelhante, que dissolve ossos, citada no episódio ‘Concentrate and Ask Again’ (3×12). De fato, Broyles teve uma sorte imensa por estar numa sala sem circulação de ar, embora eu realmente não entenda como aquelas máscaras, sem nenhuma outra proteção especial (nem luvas) possa ter excluído Peter e Olivia da lista de vítimas.
Outra citação interessante vem das balas de ósmio antigravidade, que fazem as vítimas flutuarem. O caso foi visto no episódio ‘Os’ (3×16) e só teria efeito, na época, por causa do choque causado pelos universos, já que a ideia era criar algo mais leve que o ar com elementos químicos que, em verdade, eram bastante densos. O funcionamento dessas balas em 2036 não faz lá muito sentido, pois elas deveriam perder suas propriedades a partir do momento em que a ponte entre os lados A e B é criada, mas estou relevando esse fato com a citação de Walter: “Porque é muito legal”. Gostei de ver aquele Observador voando durante a batalha final, então, vale a justificativa.
Além dos episódios já citados, há uma lista bem grande de conexões nessa Series Finale dupla e embora eu não pretenda falar de cada uma delas por questão de espaço (o texto está imenso e ainda faltam muitas informações), acho que vale listá-las, a título de curiosidade. Eis os episódios relacionados: Fracture(2×03), Peter (2×16), Olivia (3×01), Entrada (3×09), The Transformation (1×13), A New Day in The Old Town (2×01), There’s More Than One Of Everything (1×20), Over There (2×22), Transilience Thought Unifier Model-11 (5×01), A Better Human Being (4×13), The Road Not Taken (1×19), Anomaly XB-6783746 (5×10), The Recordist (5×03), The Day We Died (3×22), Worlds Apart (4×20), An Origin Story (5×05), The No Brainer (1×12), Brave New World (4x21x22) e White Tulip (2×18).
Durante a batalha muitas coisas entram em curso paralelamente e é preciso ficar de olho, no meio do tiroteio, para não perder nada. Junto do pessoal da Resistência, Walter começa a preparar a viagem no tempo, enviando um dos beacons para o futuro e cuidando para que September possa atravessar com Michael. Ao mesmo tempo, Windmark chega para eliminar o menino e testemunhamos o momento da vingança de Olivia. Ela não queria que Peter sujasse as mãos com Windmark, mas naquele momento, ela revê a corrente com a bala que a deveria ter matado. É a lembrança de Etta que ativa a grande reviravolta. Com ajuda das injeções de cortexiphan, Olivia esmaga Windmark por milésimos de segundo, antes de ele se transportar dali. Aqui, mora uma das reclamações dos fãs, que queriam ver o vilão da temporada sofrendo um pouco mais, em vez de ser tão rapidamente eliminado. Pessoalmente, fiquei satisfeita com esse desfecho, mas entendo o que os reclamantes desejam pontuar.

A morte que achei realmente fraca foi a de September. Acho que esperava algo mais intenso da despedida dele, apesar de achar a menção à caixinha de música absolutamente tocante. Essa caixinha é o símbolo maior do amor entre Michael e September, lembrando que os Observadores não são capazes de entender e produzir música, já que Fringe se apoia na premissa de que a música vem do coração, ou algo assim.
É tudo tão veloz que, em segundos, Walter já está olhando para Peter, Olivia e Astrid pela última vez, tendo tempo apenas de ouvir aquele “I love you dad” sussurrado por Peter. Quem teve a pachorra de olhar o relógio do player se desesperou, porque faltava muito pouco para acabar e ainda tanto para dizer. É partir dessa sequência que Fringe mostra o trabalho fabuloso de construção dessa Finale, porque em poucas cenas, é possível apreciar um dos mais belos encerramentos da TV.

O tempo fora resetado para 2015 e, dessa vez, Peter, Olivia e Etta podem aproveitar o dia de verão no parque. Eles obviamente não lembram de nada do que se passou em 2036 (acho que Olivia, talvez lembre, por causa do cortexiphan), porque o plano funcionou e mais tarde, quando Peter recebe a tulipa branca pelo correio, a previsão de Water se confirma. Vi um número considerável de fãs reclamando que não entendem como a carta chegou e porque não mostraram a reação de Peter um pouco mais. Melhor ainda, porque não mostraram Walter com Michael no futuro e coisas assim.
A respeito da carta, tudo se explica pelo vídeo de Walter. A reação de Peter fica por conta da imaginação. Walter diz que enviou uma carta contendo uma coisa dele, o que resultará em Peter indo procurá-lo no laboratório, sem jamais encontrá-lo, porque afinal, Walter se tornou um paradoxo e foi apagado de 2015, mas está vivendo bem, no futuro, ao lado de Michael, que também se torna um paradoxo.

E essa história do paradoxo é bem confusa e não sou a maior apoiadora desse recurso para justificar o modo como as coisas se encaixaram. Acho muito fácil jogar um “ah, é um paradoxo” e pronto, tudo resolvido, sem questionamentos. Dentro desse final, porém, há uma possibilidade plausível, que não é 100% aceitável (mas é quase), embora coerente em grande parte.
E qual é, afinal, o grande paradoxo em que Fringe se apoia? A natureza teria de se corrigir e apagar Walter e Michael de 2015, porque naquele exato momento eles estariam vivendo também no futuro e seria impossível que eles tivessem essa “existência dupla”, com dois “presentes” acontecendo e continuassem em 2015 e 2167, simultaneamente. Digamos que presente e futuro estivessem perfeitamente alinhados, como uma única coisa, nesse caso. É complicadinho e não é perfeito, mas faz sentido, se a gente parar para pensar. É por isso que, a meu ver, Fringe cumpriu seu objetivo e entregou para os fãs uma Finale que alcança alto nível de plausibilidade, sem deixar de lado as grandes doses de emoção.
Para que tudo continue fazendo sentido, a possibilidade é a de que os Observadores existam, mas não como os conhecemos. Eles não teriam os dispositivos no córtex cerebral e seriam parecidos com Michael, com inteligência e sentimentos, o que anularia a invasão, já que esses seres seriam superiores e não destruíram o planeta e nem à humanidade que lhes deu origem. Essa é minha teoria preferida, embora o grande paradoxo mesmo esteja em Michael existir sem que September (que seria seu pai biológico) tenha algum dia existido.
Um questionamento levantado na review anterior seria sobre a permanência de Peter na história, diante da timeline resetada. Eu achava que não faria sentido, mas uma semana faz muita diferença para alinhar nossos pensamentos e foi assim que cheguei à conclusão de que Peter continuaria existindo, mesmo com a extinção total dos Observadores, pelo simples fato de que ele é uma anomalia. Lembrem que Peter foi apagado na Finale da Season 3 e ressurgiu no Reiden Lake no começo da Season 4. A timeline original foi apagada e por isso, as regras não se aplicam a Peter, porque ele já não deveria estar aqui, em primeiro lugar. Por furar a lógica de seu desaparecimento, ele continua existindo sem qualquer erro de continuidade na história de Fringe. Nosso problema está em esquecer desses detalhes e julgar tudo de forma linear.
A ideia central da timeline resetada é que a história recomeça do ponto onde sofreu a intervenção por parte dos Observadores. Tudo o que aconteceu antes, permanece inalterado (ou com alterações insignificantes para mudar o curso dos fatos), porque o importante é transformar a história somente a partir daquele ponto especifico, que é o dia do Expurgo. Ou seja, tudo o que vimos em Fringe não foi apagado ou esquecido. Os únicos fatos que “não aconteceram” são os relacionados em Letters Of Transit (4×19) e durante a 5ª temporada, porque esse período está sendo reescrito, dessa vez sem Walter, sem Observadores e sem Michael. Tudo isso faz com que a Finale da Season 3 seja muito importante, não só por Peter, mas para entender como alguém pode ser apagado sem que a timeline sofra drasticamente com isso. O termo ‘apagado’, no entanto, se refere somente aos Observadores. Walter e Michael não foram deletados, apenas reposicionados na linha temporal.
Acredito que muitos fãs podem estar realmente insatisfeitos com o modo como a série se encerra, mas digerir os fatos é essencial. À primeira vista as justificativas parecem muito mais frágeis do que realmente são e a verdade é que Fringe consegue se explicar de muitas maneiras. A série fez isso em todas as temporadas, se prestarmos atenção, e credito muito desse contentamento com o a quantidade de respostas que nos foi oferecida pela constante ameaça de cancelamento. Se as coisas fossem mais tranquilas não sei se estaríamos tão bem servidos de fatos concretos.
É claro que algumas coisas ficaram de lado, mas nenhuma é significante o suficiente para alguém poder dizer que a série perdeu seu sentido. Por exemplo, no caso de William Bell (que foi um dos mais citados por quem se diz insatisfeito), acho que as reclamações são feitas por quem está com a barriga cheia. A Season 4 foi praticamente focada nele e seu complexo de Deus. Na quinta, ele está preso no âmbar por motivos óbvios, já que representa uma grande ameaça. Não vejo motivos para voltar numa trama que foi bem encerrada, quando havia tanto sobre os Observadores para colocar em pauta. Com a timeline resetada em 2015, Bell ficaria livre do âmbar e solto para fazer suas estripulias. Basta parar e raciocinar para perceber. O mesmo vale para Broyles, Nina (que estaria viva), Astrid, Gene e todo o resto. Seria complicado revisitar cada um, mas a ideia geral é de que estão continuando com suas vidas normalmente.
Outra reclamação é sobre o significado do padrão de luzes piscantes GGGR (verde, verde, verde, vermelho). Sério? Alguém estava mesmo se prendendo numa bobagem dessas com tanta coisa mais interessante rolando? Como nunca dei muito crédito ao aclamado uso de cores (apesar de sempre citar nas reviews para não deixar faltar nada) acho uma baita bobagem se incomodar com isso. Para completar a listinha, tem gente aborrecida com a falta de desenvolvimento sobre Robert Bishop (o pai de Walter que foi citado umas duas vezes e nunca teve real importância para o desenvolvimento da trama) e John Mosley, personagem que aparece no episódio ‘The Arrival’ (1×04) tentando roubar um dos beacons, que inclusive estava no túmulo de Robert Bishop. John Mosley é morto por Olivia nesse mesmo episódio e nunca mais foi citado. Como esse é um episódio de grande importância para a base da mitologia dos Observadores, até entendo a curiosidade, mas não o descontentamento. Com ou sem John Mosley, Fringe continua fazendo sentido.
Como não poderia deixar de ser, essa Series Finale proporciona nossa última caçada aos easter eggs. Já falei sobre um deles, mas há mais alguns. No lado B, o mapa dos arredores onde Olivia é detectada possui um “Museu Alternativo”, provavelmente cheio de objetos do lado A.

Na chegada de Olivia e Michael, após o resgate, podemos ver uma placa com um sinal idêntico ao que Michael usa ao se comunicar com Olivia, pedindo silêncio para que Astrid pudesse contar sua ideia, que salvaria todo o plano.

Ao fim do episódio 12, vemos a porta do apartamento 513, que nos leva à Series Finale. Durante o ataque perpetrado por Peter e Olivia, que acaba inclusive, com o resgate de Broyles, é possível ver a famosa mão com seis dedos.

O easter egg final é para todos nós, que acompanhamos Fringe por cem episódios e cinco anos inteiros. “Thank For Your Support!”. De nada, Fringe, a gente é quem agradece!

Também tivemos dois Glyph Codes bastante significativos. Em ‘Liberty’ a palavra escondida é LOVED. Como Fringe é uma série sobre o amor entre pais e filhos, ‘AMADO/A’ fica em destaque para os sentimentos entre Peter e Water, Olivia, Peter e Etta, além de September e Michael.

CLOSE é o Glyph Code que determina o fim da nossa jornada com Fringe. Ele tem duplo significado. O mais óbvio é pelo encerramento da série e o outro é sobre como Walter sempre estará por perto para Peter, mesmo que ele viva um século além do nosso tempo. Não tem como eu não estar completamente emocionada nesse momento, com os olhos marejados por saber que, enfim, acabou. Mas valeu a pena.

Despeço-me de todos vocês e da minha série favorita com a certeza de que Fringe fez um excelente trabalho e que encerrou sua trajetória da melhor forma possível. Fringe é exemplo de uma coerência rara em produções de ficção científica. A série pode nunca ter sido reconhecida pelas premiações e não ser dona de um público gigantesco, mas quem está aqui ainda hoje, sabe que não foi por falta de qualidade ou de merecimento. Depois de ser presenteada com tantos episódios e mensagens escondidas, tenho a sensação de que toda a equipe envolvida na produção da série sabe que o maior prêmio vem de uma base fiel de fãs. Quem ama Fringe não ama pela metade.

É aqui que estendo a todos vocês uma tulipa branca. Ela sé um símbolo de agradecimento pelos debates, criticas, elogios e teorias lançadas nos comentários de cada texto. Li cada linha escrita por vocês e acho que é impossível mensurar o quanto tudo isso contribuiu para que minha experiência com Fringe fosse mais e mais completa. Escrevo sobre dezenas de séries e já encerrei a cobertura de muitas outras com dor no coração, mas nada se compara a dizer Adeus para Fringe. Num mundo justo, voltar no tempo e descobrir cada mistério novamente, como se fosse a primeira vez, seria totalmente possível.





















